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Brasil tem menor taxa de bebês não registrados no ano em que nasceu, mostra IBGE

Brasil tem menor taxa de bebês não registrados no ano em que nasceu, mostra IBGE

 Registro civil: como tirar a certidão de nascimento
Arquivo g1
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (20) os dados das Estimativas de Sub-registro de Nascimentos e Óbitos para o ano de 2024. O levantamento indica que o percentual de crianças que deixaram de ser registradas no ano de nascimento atingiu o índice de 0,95%, o menor valor da série histórica iniciada em 2015.
O dado representa uma redução de 3,26 pontos percentuais em relação a 2015, quando a taxa era de 4,21%. No mesmo período, a subnotificação de nascimentos no sistema de saúde recuou para 0,39%.
Os dados se baseiam nos registros dos cartórios de Registro Civil e dos sistemas de informação do Ministério da Saúde.
Entenda a diferença entre os termos:
📋👶Sub-registro de nascidos vivos (IBGE): nascimentos que não foram registrados em cartório dentro do prazo legal considerado (março do ano seguinte ao nascimento);
🏥👶Subnotificação de nascidos vivos (Ministério da Saúde): nascimentos que não foram informados ao sistema de saúde, especialmente ao SINASC (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos).
Sub-registro e subnotificação de nascidos vivos (2015 – 2024)
Dhara Pereira – Arte/g1
Parto domiciliar tem índice maior de sub-registro
Segundo o IBGE, o local do parto influencia diretamente na documentação: enquanto o sub-registro em hospitais é de 0,83%, os nascimentos domiciliares apresentam taxa de 19,35% de falta de registro civil no mesmo período.
Os resultados aproximam o país da meta de cobertura universal de registro de nascimentos prevista nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em outubro de 2025, o Brasil alcançou o status de “Produzido”, ou seja, indica que o Brasil deixou de apenas realizar estudos experimentais ou estimativas indiretas para fornecer dados oficiais, regulares e de alta confiabilidade sobre as estatísticas vitais no país.
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Diferenças regionais e vulnerabilidade materna
Apesar da redução nacional, persistem diferenças entre as regiões do país. O Norte apresenta a maior taxa de sub-registro (3,53%), seguido pelo Nordeste (1,34%). Em contraste, as regiões Sul (0,16%) e Sudeste (0,25%) possuem os menores índices de invisibilidade documental.
Os dez maiores índices de sub-registro são de municípios do Norte e do Nordeste do país. Desses, quatro tem percentual maior que 50%, ou seja, mais da metade dos nascidos vivos em 2024 não foram registrados no período legal nessas cidades. São eles:
Junco do Maranhão (MA): 70,2% de sub-registro;
Alto Alegre (RR): 67,9%;
Amajari (RR): 60,1%;
Uiramutã (RR): 55,6%;
Lagoa de Velhos (RN): 41,9%;
Boqueirão do Piauí (PI): 39,2%;
Lagoa do Barro do Piauí (PI): 38,5%;
Pedra Branca do Amapari (AP): 36,7%;
Bom Jesus do Tocantins (PA): 36,2%;
Luís Domingues (MA): 35,0%.
Os dados também revelam uma concentração de sub-registro em grupos etários específicos. No caso de mães menores de 15 anos na Região Norte, o índice de falta de registro civil chega a 39,35% em Roraima, 22,31% no Amapá e 14,63% no Amazonas. Em seis das sete unidades da federação dessa região, as taxas para essa faixa etária materna situam-se acima de 10%.
Estatísticas de óbitos
Quanto aos óbitos, o sub-registro estimado pelo IBGE para 2024 foi de 3,40%, uma redução frente aos 4,89% registrados em 2015. A subnotificação no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) foi de 1%.
📋Sub-registro de óbitos: é a proporção de mortes que não foram registradas oficialmente em cartório. Esse indicador costuma ser estimado pelo IBGE com base em métodos demográficos e comparação entre diferentes bases de dados. (Exemplo: uma pessoa falece em uma área remota e a família não faz o registro civil do óbito).
🏥Subnotificação de óbitos: é a proporção de mortes que não foram informadas ao sistema de saúde, especialmente ao SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). O Ministério da Saúde estima isso usando hospitais, declarações de óbito e vigilância epidemiológica.
A cobertura dos registros de óbitos é menor entre a população infantil. O sub-registro de óbitos de crianças com menos de 1 ano foi de 10,8% em 2024, valor 3,2 vezes superior à média nacional de óbitos totais. Na região Norte, este índice chega a 26,6%. As menores taxas de ausência de registros de óbitos infantis estão no Sudeste (2,67%) e no Sul (2,96%).
Veja a subnotificação de óbitos nos dez municípios com maiores percentuais:
Miguel Calmon (BA): 71,2%
Jordão (AC): 46,7%
Porto do Mangue (RN): 37,5%
Porto do Mangue (RN): 37,5%
Matões do Norte (MA): 35,2%
Umburanas (BA): 33,8%
Pedrinhas Paulista (SP): 33,3%
Miraselva (PR): 33,3%
Presidente Médici (MA): 32,8%
Bonfim (MG): 31,2%
Veja o ranking de sub-registro de óbitos:
Chapada de Areia (TO): 83,4%
Bom Jesus do Tocantins (PA): 77,9%
Junco do Maranhão (MA): 73,5%
Amajari (RR): 70,9%
Lagoa de Velhos (RN): 66,9%
Porto Rico do Maranhão (MA): 57,9%
Alto Alegre (RR): 57,3%
Cutias (AP): 57,3%
Bernardo do Mearim (MA): 56,7%
Bacurituba (MA): 55,2%g1 > EconomiaRead More