RÁDIO BPA

TV BPA

Soutto defende Tencati e diz que lesões estão ligadas à nova filosofia do Botafogo-SP

Soutto defende Tencati e diz que lesões estão ligadas à nova filosofia do Botafogo-SP

Botafogo-SP entra em crise depois de sete jogos sem vencer na Série B
O gerente de futebol Fillipe Soutto defendeu o trabalho do técnico Cláudio Tencati no Botafogo-SP mesmo em meio ao jejum de sete jogos sem vencer no Campeonato Brasileiro da Série B.
O Tricolor iniciou a competição com duas vitórias, mas depois emendou uma sequência de três empates e quatro derrotas, caindo da liderança para a zona do rebaixamento. Em nove rodadas disputadas, foram nove pontos conquistados. A equipe está na 16ª posição.
– Não vencer é muito ruim. A cabeça fica cheia. Todo mundo fica chateado, triste. Eu evito falar com a minha esposa, meus pais, meus amigos, tento digerir o que aconteceu. Quem trabalha no futebol, vive do futebol, precisa ser racional e frio para analisar o que está acontecendo. O resultado nem sempre condiz com a performance. Não vejo que o Botafogo esteja jogando mal. Está jogando de igual para igual com os adversários. Em comparação com outros anos, outros momentos, uma derrota por 1 a 0 para o Goiás fora não seria para comemorar, mas seria para voltar aliviado de não ter perdido de mais. Hoje a gente consegue jogar de igual para igual, ficar perto de vencer. Em alguns jogos ficamos na frente, depois sofremos gol. É um campeonato competitivo, acirrado e precisamos entender que esse período de oscilação, por mais que não seja legal, agradável, ele acontece. Nossa convicção continua porque acreditamos nas pessoas que estão aqui, acreditamos no trabalho, acompanhamos o dia a dia, sabemos que a performance tem melhorado e os detalhes que faltam estão sendo alinhados e resolvidos no dia a dia. Isso vai nos levar à vitória – afirmou.
Fillipe Soutto, gerente de futebol do Botafogo-SP, em coletiva de imprensa
Leonardo Ozima/ge
De acordo com Soutto, em longa coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira, o trabalho no dia a dia é bem avaliado por todos no clube e há cobrança interna.
– Não acredito que chegar quebrando a porta do vestiário, expondo jogador, vai resolver. Acredito que um trabalho de muita cobrança interna, dentro das condições que cada um tem, que pode explorar, potencializar, é feito no dia a dia e com muito critério. De forma incisiva, mas com respeito. Não acho que desrespeitar vai dar resultado. Não quer dizer que não há cobrança, que não insatisfação, uma explanação que a gente precisa voltar a vencer. A gente precisa vencer para voltar a confiança, clarear a nossa vida. Ganhar é bom e vale a pena pagar o preço. A gente acredita no que está sendo feito. Seria muito covarde da minha parte colocar que a culpa é de A, B ou C. Eu acredito no trabalho porque eu estou aqui todo dia. Eu participo dos treinos, eu participo das reuniões, eu vejo o dia a dia. E embora eu não seja um cara experiente nessa função, eu já tenho um tempo de futebol e eu sei quando um trabalho ele é bom e quando o trabalho não é bom. Se fosse um trabalho ruim, pode ter certeza que ele não duraria como tem durado. Em outras equipes, por muito menos, o comando técnico já teria sido trocado. Nós continuamos acreditando porque nós estamos aqui. Vai nos dar resultado e assim seguiremos.
Cláudio Tencati, técnico do Botafogo-SP em coletiva após a derrota para o Goiás
Reprodução/TV Botafogo-SP
Ainda segundo o gerente do Tricolor, o forte desabafo feito por Tencati após o jogo contra o Goiás é compreensível, ainda mais pelo perfil que ele tem na Série B, com histórico de acessos recentes. Pela primeira vez na carreira, ele está sem vencer há sete jogos na competição. Na ocasião, o técnico chegou a admitir que questiona se o trabalho tem dado certo ou não e fez forte cobranças a jogadores em relação à vontade e dedicação em campo.
– É muito cruel dar entrevista, ter que falar, se posicionar, depois do jogo. Não digo isso só na derrota, mas na vitória também, porque a tendência é achar que é o melhor time do mundo, que é o melhor jogador do mundo, melhor técnico do mundo. Até comentei com o Tencati depois dos últimos jogos e falei que ainda bem que não era eu para dar entrevista, porque não sei se eu iria conseguir controlar. Todos nós ficamos de cabeça quente, o torcedor fica chateado, irritado e nós também. Queremos sempre ganhar. Quem vive de esporte de alto rendimento, futebol, não só quer ganhar, mas tem que ganhar. É a nossa natureza, responsabilidade e desejo. Quanto mais tempo sem ganhar, mais coisas acumulam na cabeça. É natural que, naquele momento, algumas dúvidas apareçam, alguns questionamentos, e até autocrítica, comecem a surgir, mas friamente temos que analisar o que aconteceu. Eu entendi a coletiva do Tencati, concordei com ele em diversos pontos, e sei que ele é um cara extremamente equilibrado e conduz muito bem o dia a dia de trabalho.
Botafogo-SP perde mais uma e entra na zona do rebaixamento da Série B
– Pode parecer que não, mas a cobrança interna é muito grande. Não tomei frente nessa coletiva de hoje para externar alguns problemas que são naturais em qualquer equipe e que são tratados no vestiário. Não vejo problemas de relacionamento, não vejo problemas no ambiente, não vejo problemas com jogador A ou B. Vejo que precisamos ganhar, porque a vitória contribui muito com o ambiente, a gente trabalha muito mais alegre quando está vencendo. O acúmulo de jogos sem vencer gera uma insatisfação, mas essa insatisfação por si só não vai nos levar à vitória. Tem que nos levar a uma autocrítica, resolver, criar soluções internamente, resolver os detalhes e melhorar para conquistar a vitória. Eu continuo acreditando, confiando, falo isso ao torcedor abertamente, porque é um trabalho sério e vai dar bons frutos.
– Eu acho natural ele desabafar em algum momento. Foi bom que ele não citou nomes, para não criar dúvida em quem está assistindo. Já vi muitos treinadores virem aqui falar de nomes, alguns fatos que nem sempre eram realidade, mas para preservar a si mesmo, expor jogadores, elenco. Acho isso cruel, antiético e não resolve, só aumenta os problemas. É natural que um treinador vencedor como ele fique irritado quando há uma derrota, ainda mais quando não era para perder. Concordo com ele em alguns aspectos e acho que nenhum time hoje permite jogador sem vontade, sem resiliência e sem coragem. Se a gente notar que isso está acontecendo, vai ser cobrado e vamos buscar soluções.
Cláudio Tencati comanda treino do Botafogo-SP
João Victor Cristovão / Agência Botafogo
Lesões
Nos últimos jogos, Tencati também tem deixado claro que está insatisfeito com o grande número de lesões no Botafogo. Foram ao menos dez jogadores machucados em nove rodadas da Série B, entre eles atletas considerados titulares absolutos, como o atacante Hygor, o volante Leandro Maciel, o zagueiro Wallace e o goleiro Victor Souza.
O zagueiro Carlos Eduardo rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho. Já o defensor Ericson convivia com dores no joelho e, após o Paulistão, operou. Além deles, o lateral-direito Jonathan Lemos teve lesão no menisco ao bloquear um chute com o São Bernardo.
Hygor comemorando gol contra o São Bernardo
João Victor Cristovão / Agência Botafogo
As outras lesões foram musculares. Segundo Soutto, houve uma mudança na filosofia de trabalho do clube com a chegada do técnico Cláudio Tencati, que tem como característica jogos e treinos intensos. O gerente também afirmou que há uma adaptação ao novo departamento de saúde do clube, criado no fim do ano passado.
– Com todo respeito aos outros profissionais que estavam no clube, os quais eu trabalhei, acho que o clube evoluiu. A contratação de novos profissionais trouxe uma metodologia diferente. Principalmente com a comissão do Tencati, das ideias dele, o clube muda de patamar. É um treinador acostumado na Série B e joga de forma diferente dos outros treinadores que passaram aqui nos últimos anos. É um jogo mais intenso e muito mais com as linhas mais altas e isso causa, não vou dizer estranhamento, mas todo mundo precisa mudar um pouco o jeito do dia a dia, de lidar com a filosofia de trabalho dele. Com isso, as lesões acabam sendo mais propícias – explicou Soutto.
– Não quero dizer que está sendo feito algo errado, muito pelo contrário. É uma mudança em tudo, em todos os setores do clube, inclusive no treinamento. O departamento de saúde engloba médico, fisioterapia, fisiologia, nutrição. São muitas pessoas envolvidos, muitos processo que antes o clube não tinha e agora tem. A definição desses processos e a implementação demanda tempo e acabam acontecendo algumas coisas que são normais no processo, mas não são agradáveis. Ninguém fica feliz quando tem lesão e jogador não fica à disposição. É um processo extremamente natural e temos muita convicção do que o departamento tem feito no clube. Sabemos que muita coisa melhorou, da parte estrutural, organização das ideias, passo a passo do procedimento, de coisas que deveriam ser básica e ainda não eram no Botafogo.
Ericson, zagueiro do Botafogo-SP, inicia fisioterapia após cirurgia no joelho
Divulgação/Botafogo-SP
Soutto também acredita que o número de lesões tem aumentado por conta do intervalo maior entre os jogos, diante da nova realidade da Série B, com partidas, às vezes, de dez em dez dias. Para ele, há um processo de adaptação dos clubes em geral, não só do Botafogo, ao novo calendário.
– Pode parecer contraditório, mas é nova para todo mundo. É o desafio que muitas equipes estão enfrentado, inclusive quem tem jogado campeonato paralelo. Esse intervalo maior acaba fazendo com que as comissões tenham que planejar semanas mais longas. O ideal, na minha visão, seria ter jogo a cada sete dias. Pensando na cabeça do atleta, eu preferia jogar a cada três dias, mas isso é um processo de adaptação. Não é uma desculpa.
Soutto também explicou que o clube não divulga os prazos de recuperação dos jogadores para não municiar os adversários de informações e acredita que, diante da adaptação cada vez mais rápida ao trabalho de Tencati e do novo departamento de saúde, as lesões tendem a diminuir.
Fillipe Soutto, gerente de futebol do Botafogo-SP, em coletiva de imprensa
Leonardo Ozima/ge
Para o jogo desta segunda, contra o Athletic-MG, em casa, quatro jogadores podem estar à disposição: o atacante Hygor, os zagueiros Wallace e Ericson e volante Leandro Maciel.
– Eu quero que os jogadores estejam à disposição sempre, e o nosso DM mais ainda, porque é muito melhor fazer o trabalho preventivo do que o processo de reabilitação (…) A questão da liberação dos jogadores pode ser difícil entender, porque não divulgamos prazo de retorno. Muitos times fazem isso até para não dar arma para os inimigos, porque o adversário que jogará daqui duas semanas com a gente saberá que o jogador “x” estará à disposição para jogar.
– Ter os atletas em reabilitação é algo que precisamos contornar, resolver e todas as equipes também têm essa necessidade. Eu vejo que o prazo de recuperação, pela gravidade da lesão, é bom, por mais que pareça que longo para quem está de fora. Se Deus quiser vamos ter um número menor dessas lesões, até porque eu vejo hoje uma equipe mais adaptada ao estilo de jogo do Tencati, jogadores mais conscientes do que precisa ser feito. O desempenho não é ruim, falta resultado e todos à disposição.
Leandro Maciel treina pelo Botafogo-SP nesta terça-feira (19/5) em preparação para jogo contra o Athletic-MG na Série B
João Victor Cristovão / Agência Botafogo*
+ Tudo sobre o Tricolor
Veja mais notícias da região no ge.globo/ribeirao
*Sob supervisão de Vinícius Alves geRead More