Arthur Cabral avalia volta por cima no Botafogo e cita importância de lado psicológico: “A gente subestima muito”
Arthur Cabral fala sobre seca de gols e volta por cima no Botafogo
Arthur Cabral não permite ser abatido. O centroavante do Botafogo superou um início de ano complicado com uma seca de quase dois meses sem marcar e chegou a nove gols em 2026. Em entrevista ao ge, o camisa 19 contou os bastidores da virada de chave no clube carioca até o hat-trick contra o Corinthians.
+ Em vitória para Eagle, STJ define Tribunal Arbitral como competente para julgar disputa na SAF Botafogo
Arthur Cabral comemora gol do Botafogo sobre o Corinthians
Vitor Silva/Botafogo
O atacante do Botafogo ficou sem estufar as redes entre 4 de fevereiro e 1º de abril. Cabral falou sobre saúde mental e a importância de manter a confiança em alta para quebrar a fase negativa.
+ Barboza se despede do Botafogo: “Não duvidem que vou sentir saudade”
— É complicado. Principal função do centroavante é fazer gols. Quando a gente passa um, dois, três, quatro jogos sem fazer gol é complicado. Parece que a bola está fugindo de você. É tentar manter a positividade. Isso entra até no papo psicológico, de tentar manter a confiança em alta. Vai muito de avaliar seu próprio jogo, as jogadas, ações. Sempre tem alguma coisa para melhorar.
Arthur Cabral, do Botafogo, abre sobre saúde mental: “Nosso psicológico é complicado”
Nossa mente é muito complicada. Às vezes a gente pensa que desaprendeu a jogar, mas são pensamentos que vêm e vão. A gente pensa em coisas que a gente não controla. Mas nada que tenha tomado conta de mim. Nosso psicológico é complicado, a gente subestima muito. A falta de confiança no dia a dia faz diferença, até no treinamento as coisas não saem. Temos que saber lidar com isso.
Volta por cima
A quebra do jejum foi contra o Mirassol em vitória por 3 a 2 no Brasileirão. Arthur marcou um golaço no começo do jogo (veja no vídeo abaixo). Em menos de dois meses, marcou oito gols com a camisa do Botafogo em uma volta por cima no Nilton Santos:
— No futebol a gente aprende a lidar com muitas coisas e somos forçados a isso. Temos que saber lidar com críticas e elogios. Às vezes é ruim jogar muitos jogos seguidos, estamos numa batida grande, mas às vezes é bom. Às vezes a gente faz uma partida ruim, como foi contra a Chapecoense, e na sexta já pensa que domingo tem jogo de novo. Aí a gente ganha e sai do inferno e vai para o céu. Foi o que aconteceu. Fizemos uma partida desastrosa, uma das piores do ano, e depois ganhamos de um rival.
Gol de fora da área de Arthur Cabral do Botafogo contra o Mirassol
— Temos que saber lidar com essas coisas, com críticas e elogios. Não se abater, mas também não se iludir – disse.
Quatro dois oito gols foram para salvar o Botafogo em jogos que a equipe estava perdendo, como contra Caracas, Coritiba, Racing e Atlético-MG, esse nos minutos finais da partida. Arthur Cabral deixou vaias para trás e começou a receber elogios.
+ Botafogo apresenta novos uniformes com a Mizuno; veja fotos
— Eu não tenho (acompanhamento psicológico), já pensei em ter, mas não me senti confiante e confortável para me abrir para outra pessoa e detalhar tudo. Mas acho que quem consegue é muito importante. Posso citar o Richarlison, que já falou abertamente. É um caminho muito bom para nós jogadores, mas para todas as pessoas. Quem está dentro do futebol sabe a pressão e a dificuldade que a gente passa, é muito subestimada.
Pediu música
Para coroar a boa fase no Botafogo, o centroavante foi o cara da vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians e pediu música com o hat-trick.
Arthur Cabral comenta primeiro hat-trick pelo Botafogo: “Estava na hora”
— Foi fantástico, um dia ímpar. Foram três gols numa partida importante, jogo contra o Corinthians, um time gigante, domingo, horário nobre… foi fantástico. Minha família estava assistindo, minha esposa estava no estádio. Teve fato de ser o último jogo me casa antes da Copa. Uniu diversos fatores e calhou de ser um dia perfeito.
No último domingo, Cabral atuou entre as linhas de defesa e meio de campo do Corinthians. Ao lado de Kadir, teve espaço para se movimentar e finalizar de fora da área para marcar dois belos os gols. O último deles foi como um clássico centroavante na sobra. Veja:
Botafogo 3 x 1 Corinthians | Gols | 16ª rodada | Campeonato Brasileiro 2026
Mudanças no comando e de função
Foi nessa função que Arthur Cabral se encontrou melhor. O camisa 19 elogiou o trabalho de Franclim Carvalho e explicou que gosta de ter uma dupla no ataque:
— Eu tenho gostado do trabalho dele (Franclim), não só porque estou jogando, tendo ser imparcial com isso. Ele é um cara bem inteligente, mastiga bastante as informações para passar para a gente. Taticamente é um estilo de jogo que ajuda muito, ele dá instruções para ter mais jogadores mais perto de mim. A gente joga com dois atacantes, mas, quando não joga com dois atacantes, ele pede para ter mais gente perto de mim, gente pisando na área, e isso ajuda muito. Quando jogo sozinho é difícil. Na área você fica contra dois, três, e fica difícil. Ele pede muito para pisar na área os pontas e os meias. A gente joga com dois atacantes, o que divide a responsabilidade, dificulta para os defensores. Eu gosto muito de jogar assim, com jogadores mais perto.
Arthur Cabral comemora o gol do Botafogo contra o Corinthians
André Durão
Antes de Franclim, sob o comando de Anselmi, Arthur perdeu espaço no esquema. Com o argentino, jogava sozinho como referência do ataque em um time que buscava a velocidade de um ponta de lança. Foi assim que perdeu a vaga para Matheus Martins. Cabral voltou a ter espaço com Rodrigo Bellão, técnico do sub-20 que trabalhou como interino no profissional, e virou titular absoluto com Franclim Carvalho.
— É muito complicado falar de treinador e mudança. Dá a impressão de que estava tudo errado, mas não era. A gente gostava do Anselmi, mas infelizmente não funcionou. A gente teve uma sequencia de resultados muito ruim. Quando trocou, o Bellão teve muita personalidade e tentou mudar muita coisa em poucos dias. Não tem tempo para treinar. Tem que ajustar coisas em vídeo, conversando. Nós fomos felizes em abraçar o que o Bellão pediu e dar uma alavancada e conseguir bons resultados antes do Franclim. Veio o Franclim, já faz as coisas bem parecidas… de pedir mais ofensividade, um jogo mais rápido, mais objetivo, de chutar mais ao gol, de pisar mais na área, de ter mais cruzamentos. Acho que encaixou bem. Nosso time respondeu bem às instruções do Bellão e agora com o Franclim. O coletivo impulsiona o individual.
Depois do hat-trick sobre o Corinthians, Arthur Cabral espera manter o faro de gols neste sábado, contra o São Paulo. O Botafogo enfrenta o time paulista às 17h30 deste sábado em jogo da 17ª rodada do Brasileirão.
— A confiança está boa, estamos numa batida boa. Tivemos alguns tropeços frustrantes, mas nada que abale a confiança minha e da equipe. A gente sabe do nosso potencial. Sábado é mais um jogo bom de jogar, contra uma grande equipe, um estádio histórico. Todo jogador gosta.
+ ✅Clique aqui para seguir o canal ge Botafogo no WhatsApp
🗞️ Leia mais notícias do Botafogo
🎧 Ouça o podcast ge Botafogo 🎧
Assista: tudo sobre o Botafogo no ge, na Globo e no sportv geRead More


