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Título do Inter na 1ª Libertadores de Futsal teve pai de Léo Ortiz em quadra e fúria de Eurico

Título do Inter na 1ª Libertadores de Futsal teve pai de Léo Ortiz em quadra e fúria de Eurico

Vasco 5 x 6 Internacional | Gols | Final | Campeonato Sul-Americano de Futsal de 2000
No domingo, a bola rola para a Conmebol Libertadores de Futsal, em Carlos Barbosa, cidade gaúcha que dá nome a um dos maiores campeões do torneio e que neste ano celebra o cinquentenário. Mas há quem não saiba que foi outro clube gaúcho, tradicional nos gramados, a levantar a primeira taça: o Internacional.
O ano era 2000 e a competição chamada Campeonato Sul-Americano de Clubes. Ainda sem a chancela da Conmebol, que assumiria a partir de 2002, clubes interessados eram liberados a patrocinar e organizar o torneio. A primeira edição teve o Vasco como anfitrião, que terminara de montar uma equipe com vários atletas da seleção brasileira, apelidada de SeleVasco.
– Foi algo inimaginável, não sei se no futsal teve um jogo tão emblemático. Ninguém que conhecia o futsal brasileiro, nem os jogadores do Inter, teria convicção de dizer que seríamos campeões – afirmou ao ge Luis Fernando Ortiz, pivô colorado no título e pai do zagueiro do Flamengo.
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Ortiz conta história curiosa sobre “previsão” feita por ele antes da final da Libertadores
Para o torneio, foram convidados os campeões sul-americanos Nacional-URU, Nacional-PAR e San Lorenzo-ARG e, do Brasil a escolha era entre Inter e Atlético-MG, vencedores da Taça Brasil e Liga Nacional, respectivamente.
– O Atlético-MG do Falcão era um time muito melhor que o nosso, que passava por uma reformulação. Entendo perfeitamente o Vasco escolher o Inter, adversário com mais chances de ser suplantado. Acabou que fizemos um jogo histórico – afirmou Ortiz.
Na década de 1990 o Inter se destacou como uma das principais forças do futsal brasileiro, conquistando a Liga Nacional e o Mundial, em 1996. Quatro anos depois, o time chegava na Libertadores como um clube de expressão, mas sem o mesmo destaque.
Segundo Ortiz, por ser o organizador e tamanha a confiança do clube carioca na conquista do torneio, o troféu e as medalhas foram feitos com o escudo do Vasco.
Medalha da Libertadores de Futsal 2000, vencida pelo Inter mas com o logo do Vasco
Arquivo Pessoal/Luis Ortiz
Ortiz “vidente” e a previsão do título
O Vasco era o favorito e, sem surpresas, liderou o torneio. Chegou à final com a vantagem do empate e decidiria o título contra o Inter, segundo colocado. Na fase classificatória, os cariocas venceram por 5 a 4, diferença mínima que alimentou a esperança colorada de título.
– Aquele placar nos acendeu. Não tinha um jogador que não pensava estratégias para neutralizar e ganhar do Vasco. Era muito difícil, porque eles tinham tantos atletas da seleção, que vários nem ficavam no banco – contou Ortiz.
Se fossem dois jogos não ganharíamos de jeito nenhum, mas em jogo único tudo poderia acontecer.
Ortiz conta como foi aquela Libertadores de Futsal em 2000
O Inter era formado por atletas já campeões pelo clube, a exemplo de Ortiz, e jovens garimpados de divisões inferiores. Então com 36 anos, o pivô era o mais experiente do time e intuiu, horas antes da partida, que o título só seria alcançado com um placar elástico antes do intervalo.
A previsão foi compartilhada com o goleiro Ivan, no café da manhã, sem saber que se concretizaria em quadra.
– Minha sorte é que o Ivan é testemunha. Chego no café, ele me pergunta o que podemos fazer e digo que é virar o jogo ganhando de 5 a 0. Mas aí olho para ele e corrijo, “5×0 não vai dar porque é impossível esses caras passarem um tempo sem fazer gol. Então tem que terminar 5×1” – relembrou.
Cartaz mostra recado de Léo Ortiz e da irmã para o pai Ortiz
Emílio Pedroso / Agencia RBS
Eurico deixa ginásio após 1º tempo do Inter
O feito inédito do Internacional ocorreu no dia 13 de fevereiro, no lotado ginásio de São Januário, no Rio de Janeiro. Com o apito inicial, o Vasco precisou de pouco mais de dois minutos para abrir o marcador, mas o Colorado respondeu de forma imediata, com Ortiz empatando no lance seguinte.
Com a igualdade no placar, o Inter fez atuação perfeita na primeira etapa. Nelsinho, Ivan (goleiro), Amandus e Clemilton marcaram outras quatro vezes e levaram a equipe ao vestiário com o 5 a 1 previsto por Ortiz, para incredulidade dos próprios atletas e irritação do presidente vascaíno, Eurico Miranda, que deixou o ginásio no intervalo.
– O foco do nosso time estava muito grande, acho que eles não esperavam isso e foi um diferencial. O aproveitamento foi algo absurdo. Tudo deu certo naquele primeiro tempo. E a cada gol acho que batia o desespero neles, de não acreditar. Se eu estivesse do outro lado, também não acreditaria. Até em nós havia um pouco de incredulidade do que estava acontecendo – contou o ex-pivô.
Eurico Miranda (no centro) acompanhou o 1º tempo de Vasco x Inter pela Libertadores de Futsal, em 2000
Reprodução/Redes Sociais
Sete segundos intermináveis
Na volta do intervalo, o Inter ampliou o marcador com Renato e teve a chance do sétimo gol desperdiçada. No contra-ataque, o Vasco diminuiu e deu início a uma remontada. Ortiz resumiu como “desesperadora” a metade final de partida.
– Não conseguíamos mais passar do meio da quadra, foi um bombardeio. Bola na trave, o Ivan salvando, nosso time se jogando nas bolas, e mesmo assim, foi 6×2, 6×3, 6×4 e o 6×5 foi marcado faltando sete segundos. Nós estávamos desesperados.
Ortiz revela detalhes do jogo que decidiu a Libertadores de Futsal em 2000
O empate daria o título ao Vasco e o desafio foi segurar a vitória nos segundos restantes. À beira da quadra, o técnico Totonho instruiu a equipe para uma saída de jogo ensaiada. A ideia era recuar a bola até o canto do escanteio, de lá o goleiro lançar a bola o mais alto possível para o campo de ataque.
Porém, tudo deu errado. O defensor, nervoso, tomou a frente de Ivan e deu um bico para o campo de ataque. Restavam mais quatro segundos. O goleiro vascaíno ergueu a bola para área e, para sorte colorada, a disputa no alto foi vencida pelo atleta do Inter, que tirou para lateral. No lance seguinte, o chute cruzou a área e se perdeu pela linha de fundo.
Equipe de futsal do Inter, em 2000, era comandada por Totonho Quixadá
Emílio Pedroso / Agencia RBS
Acho que se a gente toma um gol ali morre uns cinco, seis jogadores. Foi para cardíaco mesmo.
Com o apito final e a vitória por 6 a 5, o Inter conquistou o único título que faltava em sua galeria de troféus.
– O Inter era um time completamente desacreditado para aquele torneio. Ser campeão foi muito legal, mas a tristeza do time do Vasco meio que apagou um pouco, porque eles estavam desmoronados – relembrou Ortiz.
A comemoração, que iniciou no ginásio de São Januário, seguiu ao longo do almoço e terminaria apenas no jantar festivo organizado no CT Parque Gigante, no retorno da equipe, à noite, para Porto Alegre. Dias depois, os campeões ainda fariam uma volta olímpica no Beira-Rio, durante partida do time de campo.
A Libertadores foi o último título de expressão conquistado pelo time de futsal do Inter, que em 2004 encerrou as atividades. Em 2012 até houve uma mobilização para retomar a modalidade, mas a ideia sequer saiu do papel.
Luis Ortiz: “O Internacional faz coisas que não têm explicação. Único título que faltava!”
A edição de 2026
Neste ano, a Libertadores de Futsal ocorre entre os dias 24 e 31 de maio na cidade de Carlos Barbosa, na Serra gaúcha. A ACBF completou 50 anos em 2026 e tenta assumir a hegemonia do torneio para coroar a festa de aniversário. É, ao lado do Jaraguá, o maior campeão do torneio, com seis títulos.
Além dos gaúchos, participam do torneio 11 equipes, distribuídas em três grupos na primeira fase. Os dois melhores de cada chave, além dos dois melhores terceiros colocados na classificação geral, avançam às quartas de final, quando começam os confrontos eliminatórios.
Grupo A: Boca Juniors-ARG, ACBF-BRA, Fantasmas-BOL e Peñarol-URU.
Grupo B: Magnus-BRA, Centauros-VEN, Panta Walon-PER e Divino Niño-EQU.
Grupo C: Nacional-URU, Cerro Porteño-PAR, Deportivo Lyon Cali-COL e Colo-Colo-CHI.
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