Menina de 12 anos é alvo de ofensas machistas em torneio de futsal no RS
“Lugar de mulher é lavando louça”. Essa frase consta na súmula de um jogo do Gauchão de Futsal. Sub-13. E quem ouviu isso foi uma menina de 12 anos.
A vítima, que não pode ser identificada por questões legais — o que exige, portanto, a supressão dos times envolvidos —, está acostumada a disputar torneios com meninos. Desde os quatro anos joga futsal, uma modalidade de pouco (ou nenhum) campeonato exclusivamente feminino.
E nunca teve problemas com isso. Garante que não mudou, ao menos entre colegas de time e adversários. Há respeito, e a maior prova é ser tratada sem qualquer tipo de distinção. Para o bem e para o mal. Em resumo: ela “bate” e “apanha” igualmente. E por sua liderança, é a capitã de sua equipe.
Em uma dessas disputas, sofreu uma falta que resultou na expulsão de um atleta adversário. Um lance normal de jogo. O menino que levou cartão vermelho saiu sem reclamar. Mas, na torcida, o comportamento não foi o mesmo.
– Comecei a escutar algumas coisas. Fiquei meio mal, porque nunca tinha acontecido isso comigo. Óbvio que sabia que um dia aconteceria e temos de estar sempre preparadas. Tentei me manter concentrada mesmo com a situação e com a derrota. Disse para os guris seguirem atentos, ligados. Fiquei ofendida, mas tive de manter a cabeça no lugar – disse a GZH.
Bola de futsal
Bruno Todeschini/Agencia RBS
Os árbitros ouviram as ofensas e acionaram o protocolo de discriminação. Eles chamaram as comissões técnicas e solicitaram providências da direção do clube. Os autores das ofensas foram identificados e retirados do ginásio. Os três eram menores.
Os pais da menina estavam no ginásio e também escutaram os xingamentos e a conversa dos árbitros na mesa, próximo ao local onde estava a torcida visitante. A mãe da vítima descreveu:
– Ela não demonstra em nenhum momento fragilidade ou vulnerabilidade pelo fato de ser mulher ou por enfrentar com meninos. O jogo sempre é de igual para igual, mas com respeito obviamente. É lamentável essa postura preconceituosa.
— Sinto que tem muito preconceito com o futebol feminino. Não queremos atrapalhar a vida de ninguém, só queremos nosso espaço no futebol — completa a menina.
Em nota, o clube adversário manifestou “absoluto repúdio às manifestações ofensivas realizadas por alguns torcedores”. Segundo eles, “o clube também está apurando internamente os fatos para adoção de todas as medidas cabíveis (…) Em sua história centenária, o clube jamais compactuou com qualquer forma de discriminação, misoginia, desrespeito (…) O esporte deve ser um ambiente de formação, inclusão e respeito”.
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