Violência, guerrilhas e Congresso fragmentado: os desafios do próximo presidente da Colômbia; país vai às urnas no domingo
Iván Cepeda, Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella são os favoritos na eleição da Colômbia
Reuters
Os colombianos se preparam para ir às urnas neste domingo (31) na eleição que vai decidir quem será o próximo presidente do país.
Como a Constituição proíbe a reeleição em mandatos consecutivos, Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia e atual incumbente, está fora da disputa. Ele tenta eleger Iván Cepeda, do partido Pacto Histórico, como sucessor.
A disputa deve se dar com o representante da extrema direita, Abelardo de la Espriella, que se vende como candidato “antissistema”, e com Paloma Valencia, herdeira política do direitista Álvaro Uribe.
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Caso nenhum candidato supere a marca de 50% dos votos, o segundo turno está marcado para 21 de junho.
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O vencedor do pleito, qualquer que seja, vai ter que lidar com uma série de desafios, num país ainda profundamente afetado pela guerrilha, mesmo dez anos após a dissolução das Farc, e com um panorama político mais fragmentado que de costume.
Saiba quais serão as principais dificuldades a serem enfrentadas no próximo mandato:
Legislativo fragmentado
Em 8 de março passado, os colombianos foram às urnas para renovar o Parlamento do país, composto por 183 deputados e 103 senadores.
Numericamente, o Pacto Histórico, partido de esquerda encabeçado por Petro, conquistou a maior parte das cadeiras — foram 36 assentos (20,6%) da Câmara e 25 (22,7%) do Senado.
Em seguida, o Partido Liberal (centro-esquerda) e o Centro Democrático (direita conservadora) se alternam na segunda e terceira posição das duas Casas. Trinta e duas siglas completam a lista de representação na Câmara, e oito também elegeram senadores.
O resultado é um Legislativo profundamente fragmentado, sem maioria clara para nenhum dos postulantes à Presidência, que se verão obrigados a ceder aos interesses de outros partidos e formar uma coalizão para um governo estável.
A falta de apoio do Congresso dificultou o governo de Gustavo Petro, que teve diversas propostas de reformas barradas.
Violência
Com o apoio do ex-presidente Álvaro Uribe, Miguel Uribe Turbay se tornou um dos senadores mais populares do país.
Getty Images via BBC
A violência urbana cresceu em várias regiões do país, a exemplo de países vizinhos, como Peru e Equador, e se tornou uma preocupação real dos eleitores.
Reflexo do acirramento dos ânimos políticos do país, a disputa sucessória viveu um momento dramático com o assassinato do pré-candidato Miguel Uribe Turbay, em 2025, num atentado em Bogotá.
Uribe Turbay se colocava como representante do ex-presidente Álvaro Uribe.
Durante um ato de pré-campanha em 7 de junho do ano passado, ele foi alvo de quatro tiros disparados por um menor de idade, na região de Fontibón. Socorrido, ele permaneceu internado por dois meses, e morreu em 11 de agosto.
Além disso, nos últimos meses, o país registrou atentados e confrontos sanguentos entre guerrilhas. Em abril, um ataque a bomba deixou ao menos 20 mortos. Na última quinta-feira (28), duas facções da extinta guerrilha Farc se enfrentaram, deixando 52 rebeldes mortos na Amazônia colombiana.
Negociação com guerrilhas
Em 2026, completam-se dez anos da assinatura do acordo de paz entre o governo colombiano e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), principal grupo guerrilheiro, de extrema esquerda, que dominava áreas inteiras no interior do país.
O acordo foi firmado pelo então presidente Juan Manuel Santos, um centrista ex-aliado que se converteu em principal opositor de Álvaro Uribe.
Quase uma década depois, no entanto, grupos guerrilheiros permanecem fortes em diferentes regiões do país — já distantes da luta política, mas interessados nos lucros do tráfico de drogas e da mineração ilegal.
Facções como ELN (Exército de Libertação Nacional) e dissidências criadas por ex-membros da Farc que se recusaram a entregar as armas, como Iván Mordisco e Calarcá, tem aliciado crianças para lutar e protagonizado disputas sangrentas por territórios, não raro deixando dezenas de mortos.
Gustavo Petro é defensor da via de negociação com os grupos, para tentar costurar uma espécie de anistia, que deu certo para desmobilizar as Farc. O próximo mandatário deverá escolher entre seguir com o diálogo aberto ou enfrentar os riscos de apostar todas as fichas na repressão.g1 > Mundo Read More


