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Por que a Guiana Francesa exigia visto de brasileiros? Entenda regras e o que muda com o fim da exigência

Por que a Guiana Francesa exigia visto de brasileiros? Entenda regras e o que muda com o fim da exigência

 Brasil e França assinam acordo que acaba com exigência de visto para brasileiros na Guiana
Brasileiros não precisam de visto para viajar à França, mas, até agora, o documento era obrigatório para entrar na Guiana Francesa. Embora seja um departamento ultramarino francês, o território localizado na América do Sul adota regras próprias de imigração para controlar a entrada na região de fronteira.
🔍 Na quarta-feira (1º), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, assinaram um acordo que acaba com a exigência de visto para brasileiros na Guiana Francesa. A medida passa a valer em agosto e beneficia quem viaja para o território que faz fronteira com o Amapá.
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Nesta reportagem, o g1 explica por que a Guiana Francesa mantinha a exigência de visto para brasileiros, mesmo com regras diferentes da França.
Imigração
O analista de relações internacionais Fabrício Penafort lembra que, nas décadas de 1960 e 1970, a França incentivou a entrada de brasileiros para trabalhar em obras no país, como a Base Espacial de Kourou.
Nos anos 1990, após o fechamento de grandes garimpos no Brasil, cresceu a migração de brasileiros para o garimpo ilegal na Guiana Francesa. O trabalho era impulsionado pela valorização da moeda local, o euro.
“Hoje, cerca de um terço da população da Guiana Francesa é formada por brasileiros. Muitos deles foram associados ao garimpo ilegal e a outras atividades informais, o que contribuiu para uma imagem negativa da comunidade brasileira na região”, afirma o internacionalista.
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Espaço Schengen
A Guiana Francesa é um território francês, mas não integra o Espaço Schengen. Por isso, mantém regras próprias de imigração.
🔍 O que é? O Espaço Schengen reúne 29 países da Europa que aboliram o uso de passaporte nas fronteiras. Na prática, funciona como um único território, sem barreiras alfandegárias.
O Brasil tem acordo diplomático com o bloco. Com isso, brasileiros podem viajar para esses países apenas com passaporte, sem visto, em estadias de até 90 dias para turismo ou negócios.
Apesar de ser parte da França, a Guiana Francesa ficou fora do acordo, restrito apenas ao território do continente europeu. O território manteve regras próprias de visto, diferentes das facilidades oferecidas aos brasileiros que viajam para a Europa.
Política interna
Penafort explica que a exigência do visto também esteve relacionada a fatores geopolíticos e de segurança. Segundo ele, a França buscava manter maior controle sobre a fronteira e preservar a soberania do território diante do crescimento da população brasileira na região.
“Em geral, o Ministério das Relações Exteriores via com bons olhos uma maior aproximação com o Brasil, enquanto o Ministério do Interior adotava uma posição mais conservadora, priorizando questões ligadas à segurança e ao controle migratório”, pontua.
Economia
A secretária de Turismo do Amapá, Syntia Lamarão, avalia que o fim da exigência de visto é positivo para o comércio, o turismo e as relações culturais.
“O fortalecimento dessa integração deve ampliar a cooperação entre os dois lados da fronteira e impulsionar o desenvolvimento regional. Isso também pode acelerar investimentos em infraestrutura e na economia do município que já estava crescente”, afirma.
Fim da exigência
O acordo foi oficializado na quarta-feira (1°) e acaba com a obrigatoriedade do visto para brasileiros entrarem no território francês que faz fronteira com o Amapá. O anúncio inicial foi feito em maio de 2025, em Paris, pelo presidente francês Emmanuel Macron.
O pedido de isenção foi feito com base no princípio da reciprocidade, já que turistas franceses entram no Brasil sem visto. Até agora, brasileiros precisavam ir até a embaixada da França em Brasília para obter o documento. Com a medida, basta a apresentação do passaporte válido.
A fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa concentra cerca de 32 mil moradores. Em Oiapoque, no extremo norte do estado, vivem 26,6 mil pessoas.
Do lado francês, em Saint Georges, vivem cerca de 3 mil pessoas. As duas cidades são separadas pelo rio Oiapoque e ligadas pela Ponte Binacional, construída em parceria entre Brasil e França.
Ponte Binacional sobre o rio Oiapoque, no Amapá
Divulgação/Préfecture de la Guyane
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