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Parça de Neymar pela Seleção de base se reencontra na várzea e abre o jogo sobre carreira: “Escolhas”

Parça de Neymar pela Seleção de base se reencontra na várzea e abre o jogo sobre carreira: “Escolhas”

Hoje no amador, Zezinho passa carreira a limpo
Depois de dividir uma Seleção de base com Neymar, Zezinho está na torcida pelo craque na Copa do Mundo. Em 2009, os dois eram promessas do futebol brasileiro no Mundial Sub-17, ao lado de nomes como o goleiro Alisson e o volante Casemiro. Ex-Santos e Athletico, o meia seguiu por caminhos diferentes na carreira e agora, aos 34 anos, se reencontrou no futebol amador de Curitiba.
Zezinho surgiu na base do Juventude como uma promessa de R$ 40 milhões e foi emprestado ao Santos, em 2010. Chegou no Peixe cercado de expectativas para jogar ao lado de outro jovem atleta que começava a se destacar: Neymar. Os dois se tornaram amigos, mas Zezinho não engrenou no clube e deixou o Santos depois de 16 jogos.
Quase duas décadas depois de ser considerado uma das promessas do Santos, o meia não tem problemas em falar que poderia ter ido mais longe no futebol profissional.
— Poderia ter chegado mais longe? Poderia. Mas aí foram escolhas que eu sabia o que poderia levar e mesmo assim escolhi. Mas no contexto geral, me sinto feliz. Joguei seleção de base, claro tinha sonho de chegar na Seleção principal e não cheguei. Mas joguei Libertadores, Copa do Brasil, joguei com atletas renomados — disse Zezinho, em entrevista ao ge.
— Errei muitas vezes. Errei por escolhas, talvez foi muito da idade, talvez por não ter uma estrutura familiar — comentou Zezinho.
Zezinho defendeu o Urano na campanha do título da Suburbana de Curitiba
Everton Franco/RPC
Entre a promessa e a realidade
Depois da passagem pelo Peixe, Zezinho rodou por clubes como Bahia, Chapecoense e Paraná Clube, e teve o melhor momento no Athletico, quando disputou a Libertadores. Encerrou a carreira no Azuriz, de Pato Branco, em 2023.
A carreira no futebol amador começou no mesmo ano, quando defendeu o Iguaçu, mas foi com a camisa do Urano nesta temporada que o jogador se encontrou. Com a equipe, ele foi campeão da Suburbana de Curitiba, um dos principais torneios amadores do país.
— Se me dissessem há algum tempo o quanto essa conquista seria especial, acho que eu não conseguiria mensurar. Formamos um grupo mais que especial, daqueles que a gente leva para a vida. Estar ali me fez voltar a sentir aquela sensação gostosa e única de entrar em campo, de competir e de voltar a jogar— escreveu Zezinho em uma rede social.
Zezinho apresentado no Santos em 2010
Arquivo/Adilson Barros
Para o jogador, a rápida ascensão ainda muito jovem atrapalhou o desenvolvimento da carreira. No Juventude, Zezinho subiu ao profissional com apenas 15 anos. Aos 17, estava no Santos e ganhava visibilidade buscando o mercado internacional.
— Você estar em ascensão, subir para o profissional com 15 anos, ganha uma visibilidade muito grande e às vezes você acaba se perdendo — completou.
“Se acha o rei do mundo”
Para Zezinho, quando um jovem desponta rapidamente, é muito fácil se deslumbrar com o que a vida de jogador proporciona.
— Eu vivi isso, muitos jogadores vivem isso, porque 90%, 95% vem de família humilde. Daqui a pouco você ganha um salário X, daqui a pouco está lá em cima. Muitas vezes tem, mas você se acha o rei do mundo, porque é tudo mais fácil. Tem muitos que aprendem, têm pés no chão, tem muitos que continuam errando — refletiu.
“Se acha o rei do mundo”: Zezinho reflete sobre carreira
— O futebol te proporciona isso, ele te bota com 17, 18 anos, tendo um salário do médico, advogado que estuda muito tempo para chegar a isso. Só você não tem um estudo, preparo, então isso pesa bastante — emendou.
Zezinho contou que o extracampo muitas vezes o prejudicou no início da carreira e avalia que poderia ter se privado para ter uma trajetória mais longeva no futebol profissional.
—Talvez me privar um pouco da minha vida extracampo para priorizar treino, jogos, sabe? Eu culpo mais a idade, o momento, né? Muitas vezes você acha que sempre vai ter 17, 18 anos, era o que eu tinha na minha cabeça. Tenho 17, 18 anos, consigo ter a minha vida extracampo e conseguir treinar. Só que vai para 21, 23, 25 anos, você acaba perdendo aquele [ritmo] que é da idade — analisou o jogador.
— O futebol é muito intenso. Nessas escolhas, talvez, eu não priorizei o fato de ter uma carreira mais longeva e talvez de mais sucesso, sabe? Mas são escolhas que não dá para você voltar atrás, mas também não foi tão ruim assim, porque vivi momentos bons na minha vida — completou.
Zezinho no Mundial Sub-17 em 2010
Arquivo
Quando chegou ao Santos, o clube tinha prioridade de compra do atleta por um valor de 5 milhões de euros. No Peixe, conviveu com outros nomes que começavam a se consolidar, como Ganso.
Não foi só no clube paulista que ele teve a oportunidade de conviver com personagens do futebol. No Athletico, ele jogou com Adriano Imperador, com quem mantém contato até hoje.
— Eu vim de uma família de origem pobre, vim do nada. Daqui a pouco estava num time de segunda divisão, depois primeira divisão, jogando com o Neymar, Robinho, Ganso. Então você, às vezes, não tem uma base, uma estrutura por trás pra falar ‘você está errado, dá uma segurada’. Então, fui um pouco empolgado, isso eu nunca neguei, mas não empolgado na maldade — disse.
Na torcida por Neymar
Décadas depois de conviver com Neymar e manter uma relação de amizade com o craque, que começou ainda no Mundial Sub-17, Zezinho segue na torcida pelo camisa 10 da Seleção Brasileira.
— Eu acho que é muito importante ter um nome de peso como o dele, independente de ele estar 100% ou não. A gente sabe que ele é um jogador diferenciado e talvez seja a última Copa do Mundo dele para tirar esse peso. Ele ganhou tudo, menos uma Copa e acho que isso está sendo uma motivação a mais — disse Zezinho.
Os dois não têm mais contato como acontecia antes, mas Zezinho não poupa elogios a Neymar e busca entender a personalidade do atleta.
Parceiros no Santos, Zezinho e Neymar tiveram amizade
— Ninguém sabe o que passa nos bastidores, o tanto que ele se privou. As pessoas acham que ele teve essa vida de gandaia, de extracampo eufórica dele, mas nunca foi. Ele foi artilheiro no PSG, foi campeão, só que chega um momento da carreira que é tanta pressão ou você deixou de viver aquela juventude lá atrás que você tinha, então chega um momento que você acaba tendo escolhas que você não teve lá atrás. Então não podemos julgar — afirmou.
Zezinho quer deixar legado
Aos 33 anos de idade, um dos objetivos de Zezinho atualmente é deixar um legado aos atletas jovens. O meia tem o interesse de conscientizar jogadores que estejam em início da carreira.
— Ainda é uma coisa que eu estou trabalhando. De passar essa experiência, em escolinhas, algo do tipo. A gente tem como dar um conselho para uma criança, para um jovem, e demonstrar que a gente passou por aquilo. Para depois, futuramente, se eu ver uma criança despontar ou ser uma pessoa melhor, saber que meu conselho fez parte da vida dela — explicou.
— Com mais meninos novos chegando, subindo, sendo vendidos para fora, a tendência é sempre ter pessoas próximas para aconselhar, para tomar o melhor caminho — completou.
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