Mais de dois terços da população da Europa enfrentaram calor acima de 35°C em junho
Calor extremo na Europa expõe choque entre clima e modo de vida local
Uma onda de calor que atingiu a Europa na segunda quinzena de junho levou temperaturas acima de 35°C a áreas onde vivem cerca de 410 milhões de pessoas — mais de dois terços da população do continente, segundo uma análise da agência AFP.
O levantamento considerou o período entre 15 e 30 de junho e cruzou registros diários de temperatura máxima do Observatório Europeu da Seca com dados populacionais do Centro Comum de Pesquisa da União Europeia.
A dimensão do evento supera a exposição registrada durante uma das ondas de calor mais marcantes da história recente da Europa. Em agosto de 2003, quando o continente enfrentou 16 dias consecutivos de calor extremo, cerca de 320 milhões de pessoas passaram por temperaturas acima de 35°C, segundo cálculos feitos pela AFP a partir das mesmas bases de dados.
O calor intenso registrado em junho atingiu diversos países europeus em um momento em que autoridades ampliaram alertas de saúde e medidas de adaptação para lidar com eventos climáticos cada vez mais frequentes.
Homem se refresnca com ventilador portátil em Barcelona, Espanha, em meio a onde de calor
Nacho Doce / Reuters
Por que o calor extremo preocupa a saúde
Temperaturas elevadas por vários dias seguidos representam risco porque dificultam a capacidade do corpo de manter sua temperatura interna em equilíbrio.
Quando está exposto ao calor, o organismo tenta se resfriar principalmente pela produção de suor. A evaporação desse suor ajuda a reduzir a temperatura corporal. O problema é que, em condições extremas — especialmente quando as noites continuam quentes ou há alta umidade — esse mecanismo pode não ser suficiente.
A sobrecarga pode causar desidratação, queda de pressão, tontura, confusão mental e exaustão pelo calor. Em situações mais graves, pode ocorrer a insolação, quando o corpo perde a capacidade de controlar a própria temperatura e há risco de comprometimento de órgãos.
Idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias e trabalhadores expostos ao sol estão entre os grupos mais vulneráveis.
Reuters
Europa aquece mais rápido que a média global
Os episódios de calor extremo têm chamado atenção porque a Europa é um dos continentes onde o aquecimento ocorre em ritmo mais acelerado.
Segundo organismos internacionais que monitoram o clima, o aumento da temperatura média global influencia a frequência e a intensidade desses eventos. Com uma atmosfera mais quente, ondas de calor que antes eram menos comuns tendem a acontecer mais vezes, durar mais tempo e atingir picos maiores.
Além dos impactos diretos na saúde, períodos prolongados de calor aumentam a pressão sobre hospitais, elevam o risco de incêndios florestais, afetam plantações e ampliam a demanda por energia.
A comparação com 2003 mostra a mudança na escala desses eventos. Naquele ano, a onda de calor europeia ficou marcada pelo impacto humano, com milhares de mortes associadas às altas temperaturas. Mais de duas décadas depois, os dados indicam que episódios semelhantes podem atingir uma parcela ainda maior da população.g1 > Mundo Read More


