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Empolgação quase ensurdecedora vira frustração na despedida do Azteca na Copa do Mundo

Empolgação quase ensurdecedora vira frustração na despedida do Azteca na Copa do Mundo

México 2 x 3 Inglaterra | Melhores momentos | Oitavas de final | Copa do Mundo 2026
Um jogo de Copa do Mundo no Azteca não é algo comum. A afirmação pode parecer contraditória diante do fato de que o estádio é o único a receber jogos de três edições diferentes de Mundial. Mas a torcida mexicana mostrou porque o palco na Cidade do México é sempre tratado como um lugar de uma magia diferente. Desta vez, porém, a aura favoreceu a Inglaterra, em uma noite que terminou em frustração para os donos da casa.
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Despedida do Estádio Azteca na Copa do Mundo 2026
Reuters
A despedida do Azteca da Copa do Mundo 2026 contou com um jogo para ficar na memória dos fãs de futebol: cinco gols, uma expulsão, dois pênaltis, bolas na trave, defesaças dos goleiros e uma enorme dose de drama. O 3 a 2 da Inglaterra em cima do México, pelas oitavas de final do Mundial, fez jus a uma atmosfera incrível.
Uma empolgação quase ensurdecedora da torcida mexicana acabou dando lugar à frustração pela eliminação de um dos anfitriões da competição. Não se concretizou o sonho de fechar a campanha em solo mexicano de forma invicta. Para a Inglaterra, ficará uma incrível memória depois do pesadelo de “La Mano de Dios”, em 1986.
Despedida do Estádio Azteca na Copa do Mundo 2026
Reuters
Pressão nas arquibancadas e no campo
O México acordou muito otimista com a “saideira” da seleção em sua terra: desde o começo da manhã, buzinas e gritos eram ouvidos pela capital Cidade do México, onde fica o Estádio Azteca. Torcedores desfilavam com a camisa da seleção pelas ruas, e o entorno do estádio já estava repleto de fãs ainda cinco horas antes de a bola rolar.
Houve um imprevisto que mudou os planos da partida: o jogo acabou adiado em uma hora por conta da chuva forte na cidade, com raios na região do Azteca. Os fãs precisaram buscar capas e foram orientados a procurar logo seus assentos, como forma de abrigo. Mas nada disso foi capaz de esfriar a atmosfera.
Torcedores do México
REUTERS/Raquel Cunha
Em meio à longa espera, os torcedores demonstravam a empolgação: cantavam todas as músicas que o DJ do estádio tocava, gritavam o nome do país e balançavam as milhares de bandeirinhas distribuídas. A entrada do time para o aquecimento deu um sinal do barulho que o Azteca ecoaria a noite toda, com gritos para os mexicanos e vaias para os ingleses.
O hino nacional do México também foi um momento de decibéis em alta – o hino inglês foi vaiado. Quando a bola rolou, os torcedores deixaram clara a disposição: gritariam quase o tempo todo para apoiar seu país. Para os ingleses, uma vaia em uníssono, como quando Rice levou um cartão amarelo ainda aos dois minutos.
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Vieram os gritos de “Olé” logo em seguida, além de uma ofensa homofóbica logo no primeiro tiro de meta cobrado por Pickford. A torcida foi muito intensa, interagindo o tempo inteiro com o que acontecia no campo. Aos 15, vieram os primeiros suspiros: Raúl Jimenez cabeceou no canto, e Pickford foi buscar. Os anfitriões cantaram “Dale, dale, México”.
Os donos da casa dominaram o primeiro tempo, ganhando a maioria das divididas – com os jogadores claramente mobilizados pelo que acontecia nas arquibancadas. A Inglaterra tinha dificuldades, embora também aceitasse o plano mexicano de pressionar. Até que, aos 35, veio um inesperado golpe: Rice arrancou e abriu com Saka, que cruzou para Bellingham abrir o placar.
Torcedores do México
REUTERS/Raquel Cunha
Era uma sensação inédita para a torcida mexicana nesta Copa: foi o primeiro gol sofrido pela equipe na campanha. A torcida sentiu o baque, e o time também: menos de dois minutos depois, Bellingham marcou de novo, depois de Gordon roubar a bola na saída mexicana.
O Azteca praticamente se calou, ao menos por alguns minutos. Alguns setores tentaram reagir puxando o tradicional grito de “Si se puede” (Sim, é possível). A esperança foi alimentada por Quiñones, que diminuiu pegando sobra depois de levantamento na área. O estádio todo gritou, muitas cervejas voaram e a torcida voltou a ser o combustível do time, que conseguiu implementar uma incrível pressão. Com o “Si se puede” como mantra, o México quase empatou com Raúl Jimenez duas vezes. E foi para os vestiários com a sensação de que sim, era possível reagir.
“Si se puede” vira frustração
Torcedores mexicanos após a derrota na Copa
REUTERS/Eloisa Sanchez TPX IMAGES
A etapa final começou com pressão… Mas dos ingleses, com direito a bola na trave. A Inglaterra tentou controlar as ações, e o Azteca reagiu novamente com o “Si se puede”. Uma dividida de Quansah com Gallardo gerou muita reclamação das arquibancadas e das comissões técnicas. O árbitro nem falta marcou, mas depois foi chamado pelo VAR para revisar o lance. O resultado foi um cartão vermelho para o zagueiro inglês, e um estádio mais aceso do que nunca.
Porém, uma nova mudança de rumo do jogo não demorou a vir. Após um tiro de meta de Pickford, a bola sobrou para Gordon, que saiu livre e foi derrubado por Rángel: pênalti. O Azteca viveu a expectativa de o lance ser anulado por impedimento, o que não aconteceu. Kane bateu e deixou a Inglaterra com dois gols de vantagem novamente.
Torcida do México em jogo com a Inglaterra
REUTERS/Eloisa Sanchez TPX IMAGES
Nos minutos seguintes, os mexicanos tentaram se animar, mas pela primeira vez passou a ser possível ouvir a festa dos torcedores ingleses que estavam atrás do gol defendido por Rangel. O combustível para reacender os sonhos dos anfitriões veio em outro pênalti, agora favorável para o México – marcado apenas depois de revisão do VAR.
O anúncio do árbitro foi comemorado com um grito quase de gol – mas nada comparado à celebração de quando Raúl Jiménez acertou sua cobrança. Depois, o estádio todo gritou “Dale, dale México”, e nem a pausa para a hidratação e a música alta no estádio impediram que os torcedores mostrassem sua animação. Pelo contrário: muitos cantaram alto o hit argentino “Música Ligera”, regravado pelo Capital Inicial como “À sua maneira”.
Torcedor mexicano em jogo com a Inglaterra
REUTERS/Daniel Becerril
Passada a pausa, o Azteca muito barulhento se fez presente – mas desta vez com uma clara dose de tensão. O time também mostrava nervosismo no campo, apelando basicamente para cruzamentos. E passou a ser possível ouvir algumas reclamações com decisões tomadas pelos atletas mexicanos nas definições das jogadas.
Os minutos finais misturaram agonia, novas ofensas nos chutes de Pickford e reclamações com a arbitragem. O apoio confiante do primeiro tempo claramente não se fez presente, enquanto o time encarava de perto a eliminação. Nas últimas tentativas mexicanas, em meio aos 11 minutos de acréscimos, o estádio se dividiu entre aqueles que ficavam calados diante da iminente tristeza e os que ainda tentavam algum tipo de influência das arquibancadas. Nem mesmo um grito de “México, México” pegou neste cenário.
Torcedor mexicano após a derrota na Copa
REUTERS/Eloisa Sanchez
O apito final de Alireza Faghani, depois de mais de 11 minutos de acréscimos, não só encerrou mais uma Copa do Mundo no Estádio Azteca, mas também deu fim ao sonho do México de avançar para as últimas fases da competição, já em solo dos Estados Unidos. Houve quem chorasse e quem se revoltasse nas rampas de saída do estádio. Normal, afinal de contas, o México jamais havia perdido no Azteca em 10 jogos de Mundial.
Porém, ficarão para a história as emoções vividas por diferentes gerações em um solo sagrado para o futebol, que foi reformado para receber sua terceira Copa do Mundo. Da abertura até o duelo do domingo, foram cinco partidas, sendo quatro com a seleção mexicana. O palco do histórico Tri do Brasil em 1970 e da glória de Maradona com a Argentina em 1986 se despede do Mundial deixando um povo frustrado, mas com novas histórias para contar e o desejo de que o “Adeus” seja um “Até logo”. geRead More