Após criticar aliados, Trump diz ter havido ‘muita união’ em cúpula da Otan
Em meio a incertezas sobre cessar-fogo com o Irã, Trump conversa com Zelensky
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou tumulto em uma cúpula de líderes da Otan nesta quarta-feira (8) ao exigir que seu governo cortasse as relações comerciais com a Espanha e reiterar suas reivindicações sobre anexar a Groenlândia, mas depois mudou de tom e afirmou que havia amor e “muita união” na aliança militar.
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Em coletiva no final da cúpula, Trump afirmou que o encontro foi “um sucesso tremendo”, e que os EUA voltaram a ser respeitados pela Otan graças à sua insistência para fazer com que os aliados aumentassem o teto de gastos com Defesa.
“Se você pudesse ver o respeito e o carinho na sala — e é amor pelo nosso país, porque eles gostam do trabalho que estou fazendo. (…) Havia uma enorme unidade naquela sala, e eu peço a todas as nações a acelerar seus planos para atingir essa meta o mais rápido possível. (…) Então a união naquela sala foi incrível, havia muito amor ali. (…) Se tem uma palavra que tiro de hoje é a união”, afirmou Trump sobre o clima do encontro a portas fechadas.
As declarações contrastaram com suas falas quando ele chegou à cúpula da Otan na manhã desta quarta, quando disse estar “muito irritado” com seus aliados. Leia abaixo como o discurso de Trump se transformou.
Trump ‘da água para o vinho’ na cúpula da Otan
Trump fala na cúpula da Otan
Reuters/Umit Bektas
Trump chegou à cúpula na capital turca, Ancara, chamando Madri de “parceiro terrível” na Otan ao criticar os aliados por não apoiarem a guerra contra o Irã e ordenou que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, suspenda todo o comércio com a Espanha.
Ele também anunciou o fim de um frágil acordo de paz com o Irã e afirmou que não quer mais conversar com o regime iraniano.
Além disso, o presidente norte-americano voltou a pressionar para anexar a Groenlândia aos EUA, afirmando que a ilha “é um grande problema” para seu país, e que ela “não é importante para a Dinamarca”.
As declarações de Trump agitaram a cúpula, em que os líderes europeus esperavam que fossem superados uma série de desentendimentos que ameaçavam desintegrar a aliança militar.
As falas inflamatórias ocorreram ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que tem se empenhado em acalmar suas preocupações de Trump sobre gastos com defesa, o Irã e a Groenlândia, ao mesmo tempo em que elogiava efusivamente o presidente norte-americano por trazer essas questões à tona.
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Mas, ao sair de uma reunião a portas fechadas com os líderes da Otan, Trump disse mais tarde: “Havia muito amor naquela sala, muita união”. Ele também falou de forma mais calorosa sobre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ao se encontrar com ele, em nítido contraste com a reprimenda severa proferida em uma reunião no ano passado, e afirmou que concederia a Kiev uma licença para fabricar mísseis Patriot.
Uma fonte a par das negociações da Otan afirmou que Trump não repetiu suas críticas a portas fechadas e, em vez disso, demonstrou vontade de manter os EUA na Otan, dizendo: “queremos permanecer com vocês”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, também disse que não ouviu nenhuma reclamação de Trump, enquanto Rutte declarou que havia um grande senso de união.
Pelo menos no papel, a cúpula também terminou com uma mensagem de solidariedade, com os aliados da Otan, incluindo Trump, afirmando seu “compromisso inabalável” com a defesa coletiva nos termos do Artigo 5º do pacto da aliança em uma declaração da cúpula.
Os aliados europeus e o Canadá afirmaram que estão assumindo maior responsabilidade pela defesa da aliança, enquanto os membros da Otan também se comprometeram a fornecer 70 bilhões de euros (R$ 413 bilhões) em assistência militar à Ucrânia para 2026.
As declarações públicas anteriores de Trump haviam minado a mensagem cuidadosamente elaborada antes da cúpula de que os países europeus da Otan haviam assumido suas responsabilidades em relação aos gastos militares, o que resultou na divulgação, na terça-feira, de pelo menos US$50 bilhões em iniciativas de defesa.
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