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“Paizão” e união de várias culturas: Jardim mostra outras facetas após quatro meses de Flamengo

“Paizão” e união de várias culturas: Jardim mostra outras facetas após quatro meses de Flamengo

Leonardo Jardim fala sobre integração dos jovens da base do Flamengo
O Flamengo cultivou uma ligação forte com Portugal nos últimos anos. De treinadores a dirigentes, acabou buscando no país o desejo por mais estabilidade, passando por Jorge Jesus, Paulo Sousa, Vítor Pereira, José Boto e agora Leonardo Jardim. O atual treinador, porém, tem características no dia a dia diferente dos compatriotas e adotou uma postura de “paizão” no retorno à casa.
O técnico nasceu na cidade de Barcelona, na Venezuela, mas é filho de imigrantes portugueses que moravam no país sul-americano e que voltaram a Portugal ainda na infância dele. Foi na Ilha da Madeira que a conexão com o futebol aconteceu. A terra de Cristiano Ronaldo foi antes de Leonardo Jardim.
Ele começou como professor de educação física e ficou entre 2000 e 2008 na Associação Desportiva da Camacha, três como auxiliar e cinco como treinador do time principal. Aos 33 anos, deixou a equipe para o Chaves e em seguida foi campeão da segunda divisão com o Beira-Mar na temporada 2009/10. Depois, passou pelo Braga antes de começar a se aventurar mais longe.
Depois de desbravar Portugal, Jardim passou pela Grécia no comando do Olympiacos, voltou ao Sporting e depois não treinou mais portugueses. Teve uma passagem marcante no Monaco e em seguida se aventurou no futebol árabe, com Al-hilal, Shabab Al-Ahli, Al-Rayyan e Al Ain. Em 2025, desembarcou no futebol brasileiro para trabalhar no Cruzeiro.
A experiência com portugueses no Brasil mostrou que muitas vezes eles são duros e diretos. Jardim, por outro lado, tem traços um pouco mais tranquilos. Cuidadoso no trato, dá atenção individual no dia a dia e é exigente em tudo que acredita para a equipe, mas não deixa o lado humano de fora. Isso, para ele, é resultado da vivência de mundo que carrega.
— Já vivi em três continentes, seis ou sete países diferentes. Já trabalhei com várias nacionalidades. Isso me deu a bagagem de perceber as coisas melhor, com mais razão e menos emoção. Eu não posso me comparar com outras pessoas, minha forma de estar e meu comportamento têm a ver com uma pessoa que é imigrante já há muitos anos, viveu em diferentes culturas, já trabalhei com brasileiros há mais de 20 anos. São pessoas que se receberem carinho dão o seu melhor. Encontrei no Flamengo um grupo de profissionais muito grande – disse à FlamengoTV.
Pedro e Leonardo Jardim durante treino do Flamengo
Gilvan de Souza/Flamengo
Esse lado ajuda especialmente na integração com os jovens das categorias de base. Apesar de ter sido sincero sobre aproveitar o período da intertemporada para dar vitrine aos jogadores que eventualmente não forem aproveitados, Jardim tem se dedicado a passar conceitos e transmitir as ideias aos garotos.
— A conversa com o Léo é sempre direta. Ele me explica o que eu tenho que fazer dentro de campo. Isso fica na minha mão. Chegar ali, mostrar meu trabalho para ele, mostrar que ele pode contar comigo. Vou continuar trabalhando para ele dar mais oportunidades. E ser feliz, igual eu fui ontem – disse Wallace Yan, que tenta ganhar mais minutos desde a chegada do treinador.
Leonardo Jardim aproveitou o período para fazer treinos separados com os mais novos. Conhecido pelo trabalho com a base em outros clubes, revelando, inclusive, Mbappé, ele tenta aproximar mais as crias do Ninho do Urubu.
— O Jardim tem sido um paizão para a gente. Assim como revelou grandes jogadores, ele quer ensinar, trata todo mundo muito bem e, às vezes, faz treinos específicos só com os garotos da base. Tudo isso é para a nossa evolução e para que a gente esteja preparado para os jogos. Hoje deu para ver o resultado desse trabalho, porque todos que entraram fizeram uma boa partida. Agora é continuar trabalhando para conquistar mais oportunidades – afirmou Johnny.
— Ele vem ajudando bastante. Como foi falado, às vezes separa só os jogadores da base para treinar, justamente para que a gente não entre perdido nos jogos do profissional, onde a dinâmica é diferente da base. Ele mostra como a equipe joga e explica os funcionamentos táticos – comentou Daniel Thuram.
Flamengo durante treino em Portugal
Gilvan de Souza/Flamengo
Neste sábado, Jardim encerra o período em casa com uma missão inédita: vencer o Benfica. Dos oito jogos que fez contra a equipe, o treinador perdeu cinco e empatou três. Foram dois jogos na Champions League, cinco no Campeonato Português e um na Taça de Portugal. A bola rola às 15h30 (de Brasília).
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