Protagonismo de Bellingham e superação física classificam a seleção inglesa
A Inglaterra tem algumas marcas na fase eliminatória da Copa do Mundo 2026. Uma delas é a luta! Foi assim para superar uma atuação irregular contra RD Congo e na batalha do Estádio Azteca diante da boa seleção mexicana. Para superar a Noruega na tarde deste sábado não foi diferente, e nada melhor do que contar mais uma vez com o brilho de Bellingham, outra das chancelas do time na competição.
A Noruega foi ligeiramente superior no tempo normal, principalmente a partir dos 30 minutos da 1ª etapa. Chegou a ter um gol anulado antes da prorrogação, período em que não conseguiu repetir a energia mostrada em grande parte do jogo. Haaland teve atuação discreta e Nyland, goleiro que foi muito bem contra o Brasil, falhou.
Apesar da atuação irregular, vale lembrar o cenário de superação física dos ingleses na quentíssima Miami. Na classificação contra o México, jogou com um homem a menos por mais de 40 minutos na altitude da Cidade do México.
Escalações
Stale Solbakken promoveu a entrada de Schjelderup como titular na ponta-esquerda. Foi muito bem no 2º tempo contra o Brasil. Nusa foi para o banco. Berg ganhou sequência no meio. Thomas Tuchel confirmou Konsa na lateral-direita e Stones na zaga. Declan Rice foi confirmado apesar da virose. Madueke foi o ponta-direita. Saka iniciou entre os reservas.
Como Noruega e Inglaterra iniciaram o duelo pelas quartas de final da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
A Inglaterra não deixou nenhuma dúvida de qual equipe tomaria conta da posse de bola já nos primeiros minutos. Se instalou na intermediária ofensiva diante de uma noruega fechada no 4-5-1 compacto e determinado a defender os espaços. Tanto que a agressividade da abordagem de marcação não era alta, assim como o ritmo da circulação de bola dos ingleses, bastante moroso.
Konsa ficava alinhado aos zagueiros na primeira linha de construção dos Three Lions. Gordon e Madueke mantinham-se quase sempre bem abertos e espetados em cima da última linha de defesa viking. Eliott Anderson e Declan Rice trabalhavam como dupla de meio-campistas na faixa central. O´Reilly e Bellingham buscavam projeções entre laterais e zagueiros adversários, próximos de Kane.
A intensidade para se mover era baixa, provavelmente em virtude do calor dos mais de 30 graus no fim de tarde de Miami, e a bola acabava mexida com lentidão. Algumas inversões para Madueke foram tentadas. O´Reilly chegou a fazer boa tabela com Gordon pela esquerda, mas a regularidade dos ataques que poderiam gerar algo de perigo era baixa.
Kane Heggem Noruega Inglaterra
Marco Bello/Reuters
Quando tinha a posse, a Noruega trabalhava sem pressa, parecido com o que fez em grande parte do jogo com o Brasil. Odegaard recuava para trocar passes com Berge. Os ingleses fizeram algumas pressões e forçaram passes longos, retomaram a bola, mas foram perdendo esse ímpeto depois dos 30 minutos, período em que os Vikings mostraram-se agressivos, inclusive para subir a marcação.
Haaland conseguiu cabecear uma bola cruzada por Ryerson, mas Pickford encaixou. A próxima finalização seria mais difícil de fazer isso. Berg retomou uma bola de Harry Kane no campo de ataque. Lance duvidoso. O centroavante inglês reclamou de falta. Mas o ataque seguiu e Schjelderup recebeu de Odegaard dentro da área, pela esquerda, antes de bater cruzado no ângulo de Pickford.
A vantagem no placar encheu os noruegueses de confiança. Sorloth teve duas possibilidades para arrematar. Uma em contragolpe e a outra após ligação direta de Nyland, mas não pegou bem em ambas. Depois foi a vez de Odegaard fazer Pickford trabalhar em chute de fora da área, aproveitando uma subida de marcação bem sucedida dos Vikings.
Schjelderup encobre Pickford e faz golaço para Noruega contra a Inglaterra
Nathan Ray Seebeck/Reuters
As ligações diretas mais frequentes de Nyland na reta final da 1ª etapa podem ter gerado incômodo aos ingleses, mas quando a bola era cortada, acabava expondo uma defesa mais pesada para recompor. A Inglaterra se aproveitou disso para chegar ao empate e quase virar nos acréscimos. Gordon e Anderson tramaram a rápida jogada pela esquerda antes da finalização de Bellingham.
Depois de empatar o duelo de forma brilhante, o camisa 10 serviu Kane entre os zagueiros. O centroavante marcaria um lindo gol de cavadinha, mas estava impedido. Mais uma jogada que começou após ligação direta de Nyland e os ingleses encontraram liberdade para transitar com a bola.
Tuchel sacou Rice e Madueke no intervalo. Pôs Eze e Saka. Na nova etapa, a partida seguiu o panorama visto depois dos 30 minutos do 1º tempo. Mais aberta. Com a Noruega fazendo subidas de marcação e trocando passes no campo da Inglaterra. Haaland assustou em nova cabeçada. Logo depois, Heggem teve um gol anulado após falta do centroavante norueguês em Eliott Anderson.
Os Vikings mantiveram a vocação de levar perigo quase sempre que se aproximavam da área. Stale Solbakken precisou sacar Ryerson antes dos 15 minutos do 2º tempo. Aursnes entrou para fazer a lateral-direita. Pouco depois substituiu Schjelderup e Sorloth por Nusa e Oscar Bobb. Oxigenou seus pontas.
Bellingham gol Noruega x Inglaterra
Nathan Ray Seebeck/Reuters
Logo depois da parada para hidratação, Tuchel tirou Gordon e colocou Reece James, que entrou como volante. Eze passou para a ponta-esquerda. A morosidade voltou a ser uma marca inglesa. Já a Noruega rondava a área e era perigosa na bola parada aérea. Ajer acertou uma cabeçada no travessão de Pickford.
Nusa e Oscar Bobb funcionaram como peças de retenção de bola e tentativa de desequilíbrio pelos flancos. Aursnes manteve a competitividade do time norueguês. Ele salvou um gol certo de Eze na pequena área, após grande jogada de Saka pela direita, a melhor da Inglaterra no 2º tempo.
O´Reilly não terminou o tempo normal. Desgastado, deu lugar a Spence. Konsa também deixou o gramado. Rogers entrou. Reece James foi para a lateral-direita e Bellingham voltou a ser o segundo homem de meio-campo. Na Noruega, Wolfe cedeu vaga a Pedersen na lateral-esquerda.
Heggem marca Bellingham em Noruega x Inglaterra
ROBERTO SCHMIDT / AFP
Mesmo aumentando seu tempo com a bola nas proximidades da área e subindo novamente a marcação depois dos 40 minutos, os ingleses não foram efetivos para criar uma chance real de gol. Uma cabeçada de Bellingham para fora foi o mais perto que passaram disso.
Ostigard entrou na zaga norueguesa na prorrogação. Heggem saiu. O desgaste excessivo dos dois times era nítido, mas a Inglaterra recobrou forças para virar o placar logo aos dois minutos do tempo-extra. Nyland falhou feio em chute de Rogers de fora da área e Bellingham não perdoou no rebote. O detalhe é que o goleiro norueguês havia feito grande defesa em cabeçada de Kane instantes antes.
A Noruega passou a pressionar em busca do empate. Poderia ter visto tudo se acabar com um pênalti marcado em Spence, mas depois anulado após revisão do VAR. Stale Solbakken tirou Haaland no intervalo da prorrogação, provavelmente por algum problema físico. Strand Larsen entrou. A Inglaterra voltou a se aproximar do terceiro gol com Saka e Spence, mas Nyland impediu com duas defesas.
Tuchel sacou Bellingham e montou uma linha de cinco na defesa para a entrada de Burn. A equipe reagiu muito bem ao ”abafa” tentado pelos noruegueses. Não correu grandes riscos e ainda prendeu a bola no campo de ataque. Subiu bastante de produção ao longo da prorrogação. geRead More


