Entenda como Bellingham voltou a ter protagonismo na Copa após “mudar de função” com Mbappé
Noruega 1 X 2 Inglaterra | Melhores momentos | Quartas de final | Copa do Mundo 2026
Jude Bellingham voltou a ser decisivo justamente quando a Inglaterra mais precisava. Após uma temporada conturbada pelo Real Madrid, o camisa 10 marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, pelas quartas de final, e garantiu a classificação inglesa para a semifinal da Copa do Mundo.
A atuação reforça uma mudança de roteiro. Depois de um período de menor brilho ofensivo pelo Real Madrid, Bellingham reencontrou na Copa a versão que encantou o futebol europeu logo em seu primeiro ano na Espanha. E a explicação passa justamente pela mudança de função vivida no clube espanhol.
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Bellingham gol Inglaterra Noruega
Paul Childs/Reuters
Na primeira temporada pelo Real, em 2023/24, Bellingham atuava quase como um segundo atacante e, em determinados momentos, até como um “falso 9”. Partia do meio-campo, mas tinha liberdade para atacar constantemente os espaços na área, aparecer entre os zagueiros e finalizar as jogadas. A aproximação constante da área rival o transformou em um dos principais goleadores da equipe. Naquela temporada, disputou prêmios individuais, marcou 23 gols e conquistou os títulos da Liga dos Campeões e do Campeonato Espanhol.
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Bellingham rebate críticas de técnico da Inglaterra
A transformação começou na temporada seguinte e ganhou força com a chegada de Kylian Mbappé. A mudança de função fica evidente nos mapas de calor das três temporadas pelo Real Madrid. Eles mostram que o inglês foi sendo empurrado, ano após ano, para uma posição cada vez mais distante do gol.
Em entrevista concedida no início deste ano ao site do Real Madrid, o próprio Bellingham explicou que sua função mudou porque o time passou a contar com um atacante capaz de concentrar boa parte das finalizações da equipe.
Bellingham Inglaterra x Noruega
Mike Segar/Reuters
– Na minha primeira temporada aqui, eu jogava muito perto da área. Mas, depois da chegada do Mbappé, já não é necessário que eu jogue tão adiantado. Nesta temporada estou jogando mais recuado, é uma função diferente, mas os gols nunca foram o mais importante para mim – disse.
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Bellingham mais organizador que atacante
A mudança vai muito além da quantidade de gols. Se antes o inglês era responsável por atacar os espaços deixados pelos atacantes, hoje ele participa muito mais da construção das jogadas. Passou a receber a bola ainda na saída de jogo, ajudar na circulação, acelerar transições, pressionar a perda da posse e dar equilíbrio ao meio-campo.
Em vez de aparecer constantemente dentro da área adversária, tornou-se um meio-campista capaz de conectar defesa e ataque, distribuindo o jogo e oferecendo sustentação para que Mbappé, Vinícius Júnior e os demais jogadores ofensivos atuassem próximos ao gol.
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No terceiro ano em Madri, essa transformação ficou ainda mais evidente. Bellingham passou a ocupar praticamente todo o corredor central do campo, alternando entre a saída de bola, a organização ofensiva e a recomposição defensiva.
Ele continuou sendo um dos jogadores mais influentes da equipe, mas em uma função muito menos voltada para as estatísticas ofensivas. A consequência apareceu naturalmente nos números. Os gols diminuíram, enquanto sua responsabilidade tática aumentou.
Na temporada 2023/24, Bellingham disputou 42 jogos, marcou 23 gols e deu 13 assistências. Em 2024/25, fez 58 partidas, com 15 gols e 14 assistências. Já em 2025/26, atuou em 40 jogos, balançou as redes 8 vezes e contribuiu com 5 assistências, refletindo a mudança para uma função mais recuada no meio-campo.
Bellingham e Mbappé comemoram gol do Real Madrid
David S. Bustamante/Real Madrid via Getty Images
Lesões também frearam protagonismo
A mudança de função não foi o único obstáculo enfrentado por Bellingham na temporada. Pela primeira vez desde o início da carreira profissional, o inglês conviveu com uma sequência de problemas físicos. Lesões na coxa e no ombro o fizeram perder 15 dos 56 jogos do Real Madrid e interromperam a sequência que havia construído desde a chegada ao clube espanhol.
Além das ausências, o período de recuperação coincidiu justamente com a adaptação ao novo papel em campo. Em vez de atuar próximo da área, Bellingham passou a ser exigido em uma função de maior desgaste físico, participando da construção das jogadas, da pressão sem bola e da recomposição defensiva.
Bellingham marca gol em Nyland
CHANDAN KHANNA / AFP
A mudança de função também coincidiu com um período de maior pressão sobre o Real Madrid. Em uma temporada abaixo das expectativas, Bellingham viu os números ofensivos despencarem e chegou a ser vaiado pela torcida no Santiago Bernabéu, assim como outros astros do elenco, como Vinícius Júnior e Kylian Mbappé, em meio às críticas pelo desempenho da equipe.
Na Inglaterra, porém, o cenário mudou. Livre das lesões e novamente com liberdade para atacar os espaços, o camisa 10 voltou a apresentar a intensidade que marcou sua primeira temporada pelo Real Madrid. Embora siga participando da construção das jogadas, Thomas Tuchel devolveu ao meia uma liberdade muito parecida com a que ele teve em sua primeira temporada na Espanha.
Bellingham voltou a atacar os espaços entre os zagueiros, a pisar na área com muito mais frequência e a aparecer como elemento surpresa nas finalizações. É um meio-campista com liberdade para acelerar em direção ao gol, e não apenas para organizar o jogo. Foi assim que marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega e colocou a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo.
Novo protagonista da Inglaterra
A recuperação de Bellingham também aparece nas avaliações individuais da Fifa durante a Copa do Mundo. Depois das oitavas de final, o meia subiu 17 posições no Power Ranking oficial da entidade e ultrapassou Vinícius Júnior. Após as quartas de final, voltou a ganhar posições e se consolidou entre os jogadores mais bem avaliados do torneio.
O crescimento acompanha a mudança de protagonismo da Inglaterra no mata-mata. Se Harry Kane foi o principal nome da equipe na fase de grupos, Bellingham assumiu o papel de decisivo nos confrontos eliminatórios. Depois de brilhar nas oitavas, marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, resultado que colocou os ingleses na semifinal.
Noruega x Inglaterra gol Bellingham
CHANDAN KHANNA / AFP
Mais do que substituir Kane como protagonista ofensivo, Bellingham passou a decidir os jogos mais importantes da Inglaterra. E isso aconteceu justamente quando voltou a desempenhar uma função que privilegia sua principal característica: chegar de surpresa à área para definir as partidas.
O contraste ajuda a explicar por que o Bellingham visto na Copa lembra tanto aquele que encantou a Europa em 2023/24. No Real Madrid, ele se tornou um camisa 8 cada vez mais completo, responsável por fazer o time funcionar. Na Inglaterra, sem abrir mão dessa capacidade de construção, voltou a desempenhar um papel mais agressivo no último terço do campo, atuando como camisa 10 e mais perto da área adversária.
E, quando recupera a liberdade para atacar os espaços próximos à área, Bellingham também recupera o protagonismo que o colocou entre os melhores jogadores do mundo. geRead More


