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A cada fase, um drama: Argentina vê o apego a uma forma de jogar expor fragilidades

A cada fase, um drama: Argentina vê o apego a uma forma de jogar expor fragilidades

Há momentos em que suas virtudes podem virar suas fragilidades. Talvez seja o que acontece com a Argentina, que transformou em suplício cada fase de mata-mata desta Copa do Mundo. A cada etapa, uma quantidade tamanha de energia desse time parece ser consumida, a ponto de sempre restar a dúvida se a seleção conseguirá resistir ao desafio seguinte. Até agora, os argentinos sempre têm encontrado uma via de escape.
A fase de grupos da Copa não fez nada além de reafirmar o que esta equipe tem de melhor: o apego à sua forma de jogar, a chamada “la nuestra”, o time dos meio-campistas que se juntam para jogar, tocar e progredir, fazendo da bola a referência para que os jogadores se aproximem. É o time que dispensa dogmas do jogo atual: a obrigação permanente de ter dois homens pisando as laterais para abrir o campo, a presença de velocistas dribladores pelos lados, a pressão na saída de bola rival.
Argentina 3 x 1 Suíça | Melhores momentos | Quartas de final | Copa do Mundo 2026
Ocorre que há jogos em que não será possível impor o jogo que a Argentina gosta de praticar. E ser muito bom numa forma de jogar não bastará. Ao não impor suas regras em jogos deste mata-mata, ao não conseguir o controle através da bola, a Argentina tem exposto fragilidades em facetas do jogo que não domina. Parece tão apegada ao seu modo de atuar, que tem dificuldade de lançar outras cartadas. Depois da prorrogação inesperada contra Cabo Verde, o time até atacou bem no primeiro tempo contra o Egito, mas ficou profundamente exposto aos contragolpes por não conseguir outras vias de ataque que não o centro do campo. Perdia bolas e se via aberto.
Contra a Suíça, encontrou um rival verdadeiramente disposto a pressionar, encaixando uma marcação homem a homem em quase todo o campo. Por vezes, os argentinos criavam movimentos para iludir tal marcação, mas fisicamente a equipe não parecia pronta para ter mobilidade e criar tantas alternativas de passe. E aí estava criado o problema. Restavam os passes longos, que não encontravam nem um velocista para correr às costas da marcação adiantada dos suíços, tampouco um atacante alto e com porte para as disputas aéreas.
Já era previsto que jogos assim, em que o adversário se apoderasse da bola, pudessem criar problemas. Porque a Argentina não pressiona tanto no campo ofensivo, entre outras coisas porque não faz sentido tentar fazê-lo com Messi. E tem dificuldades para recuperar rapidamente a posse. Além disso, ao ser obrigada a construir desde a defesa, não tem escapes de velocidade. Com isso, se viu contra as cordas em vários momentos diante dos suíços. A sorte é que Romero e Lisandro Martínez vêm defendendo a área de maneira impressionante.
No entanto, a grande preocupação mesmo é a sequência de jogos que saem do controle dos argentinos, em que o time não parece estar no controle. Seja por não ficar com a bola, como contra a Suíça, seja por perdê-la sem estar preparado para defender, como contra o Egito.
A Argentina chegou às quartas num jogo em que o gol de Mac Allister, logo no início, parecia tornar o jogo confortável. Mas quem impôs o jogo que queria foi a Suíça. O empate de Ndoye, já no segundo tempo, sucedeu um longo período de pressão de uma Suíça que tinha 60% da posse no jogo contra uma Argentina que parecia exausta após duas batalhas na Copa. Até a expulsão de Embolo mudar todo o cenário. Com dez homens, a Suíça voltou a recuar para se defender e a Argentina pôde dispor da bola outra vez. Só na prorrogação, finalizou 13 vezes num jogo que parecia uma corrida contra o tempo para evitar os pênaltis. Até o golaço de Julián Álvarez salvar a situação.
Enfrentará a Inglaterra uma Argentina que parecia oferecer mais certezas na fase de grupos do que na reta decisiva. Mas os ingleses tampouco parecem um time sólido, com desempenho linear. Será uma semifinal entre dois times que estavam entre os candidatos antes da Copa começar. No entanto, exibem menos do que França e Espanha, protagonistas do jogo que apontará o outro finalista. geRead More