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Fortalezas de Todos: judocas do Instituto dos Cegos, Yvila e Jhenifer são multicampeãs

Fortalezas de Todos: judocas do Instituto dos Cegos, Yvila e Jhenifer são multicampeãs

Fortalezas de Todos: entre tatames e medalhas, o judô ensina que acolher também é vencer
A cada dia, os ventos e os raios de sol de Fortaleza seguem espalhando histórias pela cidade. De corredores a atrizes (e atletas), jogadoras de futebol a judocas, a capital cearense acolhe seus habitantes com o calor que só a Terra do Sol pode proporcionar. As trajetórias de Yvila Rodrigues e Jhenifer dos Santos se entrelaçam com a de Tiane Nogueira, assim como se conectam à história da cidade que celebra seus 300 anos.
Confira série “Fortalezas de Todos”
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Fortalezas de todos
Arte ge
Yvila e Jhenifer são judocas multicampeãs dentro e fora do Brasil. Elas treinam no Instituto dos Cegos, no bairro São Gerardo, e levam o nome de Fortaleza para competições em diferentes partes do país e do mundo. Com 14 e 15 anos, respectivamente, as atletas foram convocadas para a competição nacional de judô paralímpico, que acontecerá entre os dias 1º e 6 de novembro. Antes disso, cumprem uma intensa agenda de treinamentos com a Seleção Brasileira Paralímpica de Judô de Base. Elas são as personagens da série “Fortalezas de Todos”, do ge.
– Foi uma fase bem puxada, mas em que aprendemos bastante. Treinamos com a Seleção principal e também com a galera da base. É uma honra estar ao lado deles. É pesado, mas a gente aprende muito – disse Yvila.
– É muito bom ter esse contato com eles e também com a galera da base, que já treina com a gente há algum tempo. É legal conhecer pessoas diferentes e formas diferentes de treinar. Cada um tem o seu jeito – completou Jhenifer.
Mas as histórias das judocas não começaram com medalhas. Elas passaram por dúvidas, descobertas e pela construção de um caminho que parecia improvável. Tudo começou a mudar quando Tiane cruzou o caminho delas e de suas famílias.
Jhenifer, Tiane e Yvila na sala de judô no Instituto dos Cegos
Giovanna Borges/SVM
– Eu conheci a Tiane aqui no Instituto. Minha mãe sugeriu que eu fizesse um teste para ver se gostava do judô. A Tiane me ajudou e eu pensei: “Vou tentar, vai que eu gosto”. Nunca imaginei que isso tomaria a proporção que tomou. Comecei a treinar, participei de algumas competições e fui para minha primeira disputa nacional, o Escolar, em São Paulo. Depois fui convocada para a Seleção de Base e surgiram várias oportunidades, principalmente internacionais. Eu tinha 12 anos quando comecei – contou Jhenifer.
A vontade de ser atleta foi o que impulsionou Yvila. O que começou como uma atividade para poder dizer que praticava um esporte logo se transformou em um projeto de vida.
– Eu conheci a Tiane aqui no instituto, e o judô surgiu primeiro como uma aula experimental. No começo, não tive tanto apego, mas fui porque queria praticar alguma coisa. Aos poucos fui evoluindo, graças a Deus. Minha primeira competição nacional foi o Escolar de 2022. Em 2023 participei novamente e, em 2024, fui convocada para a Seleção de Base, onde estou até hoje – relembrou.
– Foi algo que cresceu com o tempo. Não pensei de imediato: “Isso vai ser para a vida”. Mas acabou se tornando. Ao mesmo tempo, temos os estudos, que não podem ficar de lado, além dos treinos, da academia e da alimentação, que também são fundamentais – acrescentou.
Jhenifer e Yvila na sala de judô no Instituto dos Cegos
Giovanna Borges/SVM
Tiane vive o esporte diariamente e dedica sua carreira a abrir portas para que crianças e jovens encontrem nele oportunidades de desenvolvimento e transformação. O sonho dela ultrapassa as conquistas individuais e se realiza no sucesso de seus alunos.
– Tenho certeza de que consegui alcançar tudo o que sonhei quando estava na faculdade. Conquistei reconhecimento na minha área e me tornei uma referência aqui no Estado. Mas, no judô, meu maior sonho é ver essas meninas chegarem à Seleção principal. Tenho certeza de que vou me realizar através delas. É um trabalho construído em conjunto. Apesar de ser um esporte individual, o judô também é coletivo – afirmou.
Os resultados acompanharam a evolução das duas atletas. Na competição das Loterias Caixa, Yvila conquistou o ouro e Jhenifer ficou com a prata.
Nas Paralimpíadas Escolares, o pódio se repetiu. Já em solo alemão, as judocas voltaram a representar Fortaleza com destaque: Yvila sagrou-se campeã, enquanto Jhenifer terminou a competição na terceira colocação.
As trajetórias de Yvila, Jhenifer e Tiane revelam como o esporte amplia oportunidades e fortalece laços dentro da cidade. Em Fortaleza, iniciativas como a desenvolvida no Instituto dos Cegos mostram que inclusão não é apenas garantir acesso, mas criar condições para que talentos sejam descobertos, desenvolvidos e reconhecidos.
Em uma cidade que chega aos 300 anos, histórias como essas reforçam que o acolhimento também se constrói por meio das oportunidades oferecidas a cada pessoa para crescer, participar e conquistar seu espaço. geRead More