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Ana Marcela conta bastidores da Travessia do Canal da Mancha e celebra “poucas queimaduras”

Ana Marcela conta bastidores da Travessia do Canal da Mancha e celebra “poucas queimaduras”

Ana Marcela Cunha realiza a travessia do Canal do Mancha
Um dia depois de completar 42,9km no Canal da Mancha em 8h25min29s, Ana Marcela Cunha reiterou que realizou um sonho de adolescente ao cruzar, no mar, da Inglaterra até a França e disse torcer para seu recorde sul-americano na travessia seja quebrado. A campeã olímpica em Tóquio 2020 ainda celebrou poucas ondulações na água (em meio a cargueiros e barcos no canal), pouco vento e até poucas queimaduras de águas-vivas. Tudo favoreceu para ser um dia perfeito, disse ela em entrevista ao ge.globo.
Ana Marcela Cunha atravessa o Canal da Mancha
Jonne Roriz/COB
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– (O ouro olímpico e as 17 medalhas em Mundiais) São sonhos que, no alto rendimento, você vai tendo. Diferente de um sonho de adolescente que não tinha cobrança, era o desejo de atravessar, chegar ao outro lado. O esporte de alto rendimento dá o mesmo prazer que a travessia, um sonho, um desafio. Talvez pelos meus resultados em Olimpíadas e Mundiais, a gente vai ouvir falar mais da travessia do canal – disse Ana Marcela ao ge.globo. – Torço para que esse recorde nem perdure muito, que venha alguém e bata, faça melhor. Aqui não é sobre tempo, é sobre desafio. Peguei um dia muito bom, mas não peguei um mar perfeito de correnteza. É uma variação muito grande. O recorde, o tempo, para mim, é um grande detalhe. Se nadasse para 10 hora, estaria feliz.
A marca feita pela nadadora é o recorde sul-americano entre homens e mulheres e também a mais rápida do mundo desde 2022. A travessia no Canal da Mancha é considerada a mais difícil da natação em águas abertas por causa das correntes marítimas, das mudanças de maré, do tráfego intenso de embarcações e da imprevisibilidade das condições climáticas. Cada participante tem uma janela de dias em que analisa as melhores condições para nadar. A da brasileira era de 20 a 29 de julho.
Na preparação, Ana Marcela treinou à noite na Represa Billings, em São Paulo, durante 12 horas. Foi ao frio de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, para se adaptar a baixas temperaturas. Nesta quarta, ela nadou diante de 23 graus no ambiente e com 19 graus na água. A brasileira largou em Dover, na Inglaterra, por volta das 5h no horário local, chegando a Calais, na França.
Ana Marcela Cunha atravessa o Canal da Mancha
Jonne Roriz/COB
– O desafio foi aquela coisa de chegar. Tempo, quilometragem, posso falar que foi a coisa menos importante. Ótimo ter sido o recorde sul-americano, mas acho que aquela coisa de sonho realizado, poder ter chegado ao outro lado, fazer uma travessia tranquila, mar estava muito bom, sem onda, marola. Os barcos que passavam faziam um pouco de onda, grande cargueiros que transitam aqui. Não peguei muita água-viva, poucas queimaduras, e a gente sabia que isso ia acontecer, não ventou muito, não fez aquele sol que atrapalha às vezes. Muito sol deixa a gente queimado, faz gastar mais energia. Foi um dia com sol entre nuvens, que ajudou muito. Tudo favoreceu para ser um dia perfeito. A travessia perfeita, tranquila, sem imprevistos. A gente saiu do hotel por volta de 3h30 da manhã com tranquilidade, sem pressa, com folga de horário.
Ana Marcela contou que manteve o foco em completar a travessia, sem imprevistos.
– Sempre fui muito obstinada pelos meus objetivos. Estava pronta para nadar, se precisasse, mais de 12h horas. Era mais uma questão de sonho e desafio pessoal. Mesmo se não viesse o recorde, ia ficar feliz tanto. Não pensei em momento algum em desistir, nada. É você sozinho com seu barco-guia, como eles falam aqui, é um solo. Você não tem que bater na frente, buscar uma estratégia sozinha. Aqui é considerado o Everest das águas abertas, as embarcações não param. Você está atravessando e vêm essas embarcações, eles desviam ou a gente. Aqui tem gente que atravessa com 12 graus, na prova (de maratonas aquáticas), abaixo de 16 graus não tem prova.
Passado o desafio no Canal da Mancha, a nadadora se prepara, agora, para os Jogos Sul-Americanos, em que o Brasil busca vaga direta para o país no Pan de Lima, ano que vem. Ela espera a definição do calendário nas águas abertas – a primeira etapa deve ser em novembro.
– geRead More