De olho em naturalização, atleta de Burkina Faso vence salto em distância no Troféu Brasil
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Pouco mais de seis anos depois de trocar uma vida dura em Burkina Faso, na África, pelo Brasil, Némata Nikiema vem construindo uma história de sucesso no atletismo. Quando tinha 16, a jovem foi descoberta por um professor brasileiro e topou o convite para mudar de continente.
Némata tem visto de residente no Brasil há mais de um ano e projeta se naturalizar em breve, abrindo a possibilidade de passar a defender a bandeira brasileira.
Saltadora em distância, a jovem de 22 anos conquistou nesta sexta-feira (24) seu primeiro título no Troféu Brasil de Atletismo. Ela saltou 6,62m para vencer a competição disputada no Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, em São Paulo. Atleta do Pinheiros, Nikiema dividiu o pódio com as brasileiras Lissandra Campos, prata com 6,39m, e Vanessa Sena dos Santos, bronze com 6,29m.
Némata Nikiema é campeã do salto em distância no Troféu Brasil de Atletismo
Marcel Merguizo
A medalha de ouro na capital paulistana é mais um importante resultado da garota nesta temporada. Em maio, ela virou campeã africana, em Acra, capita de Gana. Na ocasião, a saltadora obteve a melhor marca até aqui na carreira: 6,76m.
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Némata vem sendo há algumas temporadas lapidada por uma dupla dourada do atletismo brasileiro. Ela treina com Nélio e Tânia Moura, casal de treinadores que formou a campeã olímpica Maurren Maggi e outros atletas de renome.
– A minha vida em Burkina Faso era difícil. Eu nunca tive muito carinho na minha infância. Chegava em casa vindo da escola, cozinhava, fazia tudo… Sábado e domingo, eu acordava, às 5h para lavar as roupas dos meus pais, da minha mãe e dos meus irmãos. Quando fui convidada para treinar no Brasil, eu não pensei duas vezes. Vim mesmo assim, mesmo não falando português – comentou Némata.
O esforço para vencer o Troféu Brasil foi tão grande que a africana teve de deixar a pista do Ibirapuera em uma cadeira de rodas. Ela sentiu uma entorse no tornozelo esquerdo. A saltadora foi levada para um hospital para fazer exames de imagem.
Némata Nikiema deixa Troféu Brasil de cadeira de rodas após vencer o salto em distância
Marcel Merguizo
No Brasil, Némata tem tido uma oportunidade que poucas pessoas de Burkina Faso têm, já que seu país tem cerca de 80% da população – a maioria mulheres – sem acesso à educação.
Com cerca de 21 milhões de habitantes, a nação africana tem um dos piores índices de desenvolvimento humano do planeta, segundo a ONU. As guerras e conflitos internos são uma constante em Burkina, que só teve um medalhista olímpico em toda história – Hugues Fabrice Zango, bronze no salto triplo em Tóquio 2020.
Némata Nikiema salta na final do salto em distância do Troféu Brasil de Atletismo, no Ibirapuera
Marcel Merguizo geRead More


