De final de Libertadores à busca pelo acesso na Série C: ex-Cruzeiro vive novo desafio no Guarani
Ex-Cruzeiro, Henrique busca título como auxiliar do Guarani
Henrique passou mais de 20 anos enxergando o futebol de dentro do campo. Como volante, disputou finais, conquistou títulos, vestiu camisas tradicionais e marcou um dos gols mais importantes da história recente do Cruzeiro, na decisão da Libertadores de 2009. Hoje, a visão é outra.
Da beira do gramado, o ex-jogador de 39 anos ajuda a desenhar as jogadas ofensivas do Guarani. É ele quem organiza treinamentos, monta exercícios e transforma as ideias do técnico Elio Sizenando em atividades práticas durante a semana.
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A mudança de lado aconteceu há pouco mais de três anos, quando decidiu encerrar a carreira. Mas o desejo de permanecer no futebol nasceu muito antes.
Durante a longa passagem pelo Cruzeiro, onde permaneceu por 11 temporadas, Henrique uma possibilidade em uma conversa com em Mano Menezes. Observava a rotina do treinador, a maneira de conduzir o grupo e a preparação das equipes. Aos poucos, passou a imaginar que, quando pendurasse as chuteiras, continuaria vivendo o futebol por outro ângulo.
Henrique, auxiliar do Guarani
Oscar Herculano/EPTV
— Eu tenho muita gratidão pela minha carreira. Eu olho para trás e vejo o quanto eu venci na vida. Não falo nem em questão de títulos. Mas como pessoa. De onde eu saí, do interior do Paraná, um menino sonhador. Vejo uma história com muita gratidão.
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A divisão de tarefas dentro da comissão técnica do Guarani é clara.
Enquanto Elio Sizenando dedica maior atenção ao sistema defensivo, Henrique coordena os treinamentos ofensivos e os trabalhos de bola parada. O reconhecimento pelo trabalho veio publicamente após a goleada por 5 a 0 sobre o Amazonas, quando o treinador fez questão de dividir os méritos da atuação da equipe.
Henrique ao lado de Elio Sizenando
Raphael Silvestre/Guarani FC
— Enaltecer o trabalho do Henrique, que faz a parte ofensiva e de bola parada. Eu fico mais com a parte defensiva e ele está cuidando da parte ofensiva.
Henrique explica que o processo é construído em conjunto.
— Ele passa as tarefas para nós, para a gente montar os trabalhos. Ele fala dos objetivos de acordo com o adversário, do que quer construir. Aí eu elaboro, crio algumas coisas. Claro que a última palavra sempre é a dele.
A função é diferente daquela exercida durante toda a carreira como jogador, mas mantém a mesma essência: pensar o jogo.
Ídolo em Minas Gerais
Poucos clubes marcaram tanto Henrique quanto o Cruzeiro.
Foram 11 temporadas vestindo a camisa celeste, dez títulos conquistados e uma identificação que permanece até hoje. Entre eles, dois Campeonatos Brasileiros, duas Copas do Brasil e diversos títulos estaduais.
Henrique marca para o Cruzeiro diante do Estudiantes pela Libertadores de 2009
Reprodução / Globo Minas
— Foram 11 anos vestindo a mesma camisa, a do Cruzeiro. Criei raízes, uma história muito rica de títulos e conquistas.
O título mais marcante veio na Copa do Brasil de 2017.
— Pegamos a competição desde o início. Fomos crescendo, enfrentamos muitos clubes grandes e, na final, vencemos o Flamengo nos pênaltis. Foi uma conquista que marcou muito pela trajetória.
Henrique comemorou o sétimo título em nove anos de Cruzeiro
Agência I7
Mas entre tantas lembranças, existe uma que mistura orgulho e frustração.
Na decisão da Libertadores de 2009, contra o Estudiantes, Henrique abriu o placar para o Cruzeiro diante de um Mineirão lotado. O roteiro parecia perfeito.
Mas os argentinos viraram a partida e impediram aquela que seria a maior conquista da carreira do volante.
Em 2009, Cruzeiro perde por 2 a 1 para o Estudiantes e a Libertadores, no Mineirão
— A gente era muito novo. Marcar um gol numa final, com o Mineirão lotado… você cria uma expectativa enorme. Acho que foi a primeira vez que realmente me decepcionei com uma derrota. Estava tão perto da gente. Foi uma derrota que me ensinou muito.
Depois da passagem histórica pelo Cruzeiro, Henrique ainda realizou um desejo antigo.
Filho de santistas, vestiu a camisa do Santos e teve a oportunidade de atuar ao lado de Neymar, Paulo Henrique Ganso e Elano.
— Quando eu era criança, eu torcia para o Santos. Meu pai era santista, meus tios eram santistas. Realizei meu sonho e o sonho do meu pai.
Henrique, do Santos, e Ronaldinho, do Atlético-MG
Carlos Roberto / Ag. Estado
Em 2012, conquistou o Campeonato Paulista justamente diante do Guarani, adversário que, anos depois, passaria a defender fora das quatro linhas.
Henrique encerrou a carreira com uma trajetória vencedora. Agora, busca construir uma nova história.
Sem as chuteiras, mas com a prancheta nas mãos, o ex-volante sonha em conquistar o primeiro grande objetivo como integrante de uma comissão técnica: levar o Guarani de volta à Série B.
— Eu tento controlar a ansiedade. Mas o desejo é muito grande. Conquistar esse primeiro objetivo na carreira vai ser muito valioso para mim e para o clube.
Henrique, auxiliar do Guarani
Raphael Silvestre/Guarani FC
Depois de mais de duas décadas vivendo o futebol dentro das quatro linhas, Henrique descobriu que ainda há espaço para escrever novos capítulos.
Só que, desta vez, eles começam no banco de reservas.
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