Palmeiras apresenta falta de controle na intensidade do jogo
No retorno ao Campeonato Brasileiro 2026, após a pausa para a realização da Copa do Mundo da FIFA™, o Palmeiras manteve a liderança do campeonato, com seis pontos a mais que o vice-líder Flamengo. Mas, a derrota frente ao Atlético-MG acende alerta para certa dificuldade do time em controlar o jogo e de concretizar as chances criadas em gols.
O primeiro jogo após a Copa foi contra o Coritiba, fora de casa, com o Verdão tendo desempenho satisfatório, marcando dois gols no intervalo de apenas dez minutos. Com performance coletivamente linear, o time não teve dificuldades para ampliar o placar.
A vitória por 3 a 1 mostrou que o Palmeiras está em boa fase, uma vez que o Coritiba vem fazendo boa campanha, levando em consideração que retornou este ano da série B. Como a performance coletiva do Coritiba vem sendo linear, antes do jogo havia o sentimento de que seria um confronto difícil, com possibilidades reais do time paulista não conseguir atingir o protagonismo tático.
Já, na segunda rodada após a Copa, o confronto foi contra o Atlético-MG. O Palmeiras foi amplamente dominante, mas não conseguiu traduzir o alto índice de posse de bola em chances reais de gol, sendo derrotado por 2 a 1.
Apesar do alto volume de jogo no segundo tempo da partida, a contribuição do goleiro palmeirense Carlos Miguel foi decisiva para o resultado final. Foram dois lances com falhas do goleiro, um por ter feito gesto técnico equivocado, pois parecia um chute despretensioso e de fácil defesa e o outro no qual Carlos Miguel foi pego de surpresa em um contra-ataque em momento que o time todo do Verdão estava montado de forma ofensiva.
Esse fato me chamou a atenção para a formação do Palmeiras, que está se apresentando essencialmente vertical. Talvez devido à característica de vários jogadores, como Jhon Arias, Vitor Roque, Flaco López, Paulinho e Ramón Sosa, que são muito velozes, o técnico Abel Ferreira tenha optado por utilizar a verticalidade como principal ponto do esquema tático.
Por exemplo, o atacante Vitor Roque é um centroavante muito móvel, que ataca o espaço do adversário com extrema velocidade, tornando o time veloz e intenso, com menor índice de trocas de passes e mais lançamentos longos. A forma que o Palmeiras tem de envolver o adversário é utilizando a verticalidade e a intensidade.
Mas, esse esquema também, pode estar relacionado à falta de um meio-campista mais clássico na equipe, que poderia controlar a velocidade do time. Quando Raphael Veiga estava no elenco haviam períodos maiores de controle de jogo com a posse da bola.
A desorganização ocasionada no lance do segundo gol do Atlético-MG, dificilmente aconteceria, se o Palmeiras não utilizasse a velocidade como principal característica. Acredito que a formação titular do Palmeiras está carente de um camisa 10, pois o jogador que mais se aproxima dessas características é Maurício, que originalmente é um volante e não atende totalmente os requisitos da função.
A possível repatriação de Danilo Santos, cria da academia do Palmeiras, poderia qualificar o setor de meio-campo. Mas, a transferência não se concretizou.
Outro fator que pode estar impactando o desempenho pouco linear do time palmeirense é a implantação do sistema com três zagueiros. A recém contratação de Barboza, vindo do Botafogo, visa proporcionar variações táticas que ainda não estão totalmente absorvidas pela equipe.
Contra o Atlético-MG Barbosa estava ausente e Abel adaptou o volante Emiliano Martínez para desempenhar essa função. Porém, sua substituição proporcionou desencaixe de marcação, uma vez que o meio-campista Felipe Anderson é mais criativo e não está completamente adaptado a fazer funções defensivas.
Esses apontamentos não são críticas ao trabalho do técnico Abel Ferreira, são apenas visões diferenciadas, que talvez possam justificar a falta de linearidade que o Palmeiras apresentou contra o Atlético-MG. E, tratam-se de falhas que, com ajustes finos poderão ser sanadas. Concordo com o parecer do técnico, que o principal ponto a ser corrigido é a eficiência da equipe. geRead More


