Ex-PMs vão a julgamento nesta quinta (30) por assassinato de advogado em Fortaleza
Advogado Francisco Di Angellis Duarte Morais é assassinado na porta de casa em Fortaleza
Arquivo pessoal
Os ex-policiais militares Glauco Sérgio Soares do Bonfim e José Luciano Souza de Queiroz vão a julgamento nesta quinta-feira (30) pelo assassinato do advogado Francisco Di Angellis Duarte de Morais, ocorrido em 6 de maio de 2023, em Fortaleza. Um empresário chegou a ser denunciado como mandante do crime, mas a Justiça decidiu não levá-lo a julgamento.
A dupla de ex-PMs foi pronunciada (isto é, encaminhada para o júri popular) por decisão da Justiça Estadual, em maio de 2025. A defesa dos dois réus recorreu da decisão, mas desistiu do recurso. Com isso, a 1ª Vara do Júri de Fortaleza agendou a data do julgamento para 30 de julho, às 8h30.
➡️ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp
Os acusados vão ser julgados pelo júri popular pelos crimes de homicídio qualificado e associação criminosa. Glauco Bonfim possui antecedentes criminais por posse irregular de arma de fogo; enquanto José Luciano já responde por homicídio, porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal.
Advogado executado: extorsão milionária e carro rastreado
O empresário da área da saúde Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso, denunciado pelo Ministério Público do Ceará por “encomendar” a morte do advogado, não vai a júri popular pois a Justiça considerou que não havia provas suficientes contra ele.
Como aconteceu o crime
O crime ocorreu na noite de 6 de maio de 2023, quando o advogado chegava em sua casa, no Bairro Parquelândia. Ele foi baleado por dois homens em uma motocicleta, que seriam José Luciano e Glauco Bonfim, segundo o Ministério Público do Ceará (MPCE). A investigação apontou que, dias antes, a dupla chegou a instalar um rastreador no carro da vítima e monitorou seus movimentos.
Di Angellis trabalhava para um portal de notícias sediado em Fortaleza. De acordo com depoimento de Ernesto, o portal publicou uma série de matérias que “questionavam a honestidade” de como ele obteve patrimônio. Mesmo assim, o empresário não foi levado a julgamento.
Segundo a denúncia do MP, o empresário teve uma reunião com o advogado e dois mediadores, na qual Di Angellis teria apresentado, inicialmente, o pedido de R$ 1,5 milhão para retirar o material do ar. Ernesto, por sua vez, teria aceitado pagar R$ 800 mil à vítima.
Depoimentos de várias testemunhas colhidos durante o processo, inclusive da esposa de Ernesto, reforçaram que o empresário teria fechado um acordo com Di Angellis.
Na denúncia, o Ministério Público do Ceará afirmou que o ex-PM Glauco Sérgio foi o responsável por organizar a execução de Di Angellis a pedido de Ernesto, e para isso se associou ao também ex-policial militar José Luciano.
Na decisão de impronúncia a favor de Ernesto, a 1ª Vara da Comarca do Júri afirmou que “a instrução processual não logrou demonstrar a presença de elementos indiciários robustos aptos a autorizar o encaminhamento do acusado Ernesto Wladimir Oliveira Barroso a julgamento pelo Tribunal do Júri”.
Rastreador no escapamento do carro
De acordo com a denúncia do MP, o empresário conseguiu os dados do veículo do advogado para José Luciano e Glauco Bonfim monitorarem e prepararem uma emboscada contra a vítima.
No dia 28 de abril de 2023, Ernesto e Di Angellis se encontraram em uma padaria no município do Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza, ocasião em que o empresário teria efetuado a entrega da quantia de R$ 800 mil para o advogado.
O ex-PMs teriam aproveitado o momento para instalar o rastreador no escapamento do carro da vítima. Para o MP, o encontro foi promovido justamente para facilitar a instalação do equipamento, “ferramenta fundamental na execução do crime”.
Em outro depoimento, uma testemunha que trabalhava em uma padaria afirmou que chegou a ver Ernesto e Glauco Sérgio se reunindo no local. Segundo a testemunha, Ernesto era cliente regular do estabelecimento,.
A Justiça, contudo, considerou que a investigação não conseguiu demonstrar nenhuma “conexão entre Ernesto Wladimir e os demais acusados [José Luciano e Glauco], seja por telefone, seja por mensagem ou qualquer outro meio de contato, não podendo a pronúncia [do júri] ser ancorada em presunções”.
Na decisão de pronúncia dos réus, a Justiça afirmou, por exemplo, que o encontro no Eusébio entre Ernesto e o advogado no qual os ex-policiais teriam colocado o rastreador no carro, não caracterizava “um elemento concreto que evidencie os indícios de autoria delitiva em relação a Ernesto”, uma vez que já tinham ocorrido outras tentativas de Glauco e José Luciano de tentar instalar o rastreador.
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: g1 Read More


