Europa anuncia boicote a torneios da Fifa até que proposta de venda de ações seja cancelada
Infantino explica proposta de empresa para gerenciar operações da Fifa
A Uefa reforçou nesta quinta-feira o posicionamento contra a proposta da Fifa de criar uma empresa para administrar seus torneios e vender ações a investidores privados. A entidade europeia destacou que as 55 associações-membro rejeitam de forma unânime a ideia e vão ficar fora das competições enquanto ela for considerada. O pronunciamento aconteceu após a reunião de emergência convocada pela Uefa na quarta.
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Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a proposta seja totalmente abandonada e haja garantias vinculativas
A proposta da Fifa foi divulgada na terça-feira passada. A ideia é criar uma empresa privada, que opere a comercialização e organização de todas as competições de propriedade da entidade.
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A Uefa foi uma das primeiras organizações a se posicionar contra e recebeu apoio da Concacaf – confederação da América do Norte, Central e Caribe – e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Essas três entidades representam 143 dos 211 membros da Fifa, ampla maioria.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, discursa em encontro com Donald Trump
Evan Vucci TPX IMAGES OF THE DAY/REUTERS
A Fifa divulgou um vídeo na quarta-feira com Infantino esclarecendo a proposta de venda das ações. O presidente explicou que a ideia passará por uma votação com todas as associações-membro e pelo conselho da entidade.
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Infantino também garantiu que a venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada à Fifa, de 8 milhões para 20 milhões de dólares. A Fifa espera arrecadar 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) com o projeto.
Confira parte do pronunciamento:
“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Fifa pretende criar empresa para fazer a operação de suas principais competições
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.
No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo”
Entenda o caso
A empresa a ser criada na proposta é a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da entidade. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações comerciais e as principais competições.
A Fifa acredita que a FFE valeria no total US$ 20 bilhões (R$ 102,3 bilhões). Por isso, diz que a venda do equivalente a US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) em ações significaria que os investidores privados seriam minoritários na nova empresa.
Com o dinheiro arrecadado, a Fifa promete aumentar a quantia distribuída para a federação de cada país membro da entidade. Atualmente, ela paga R$ 41 milhões para cada país. Se o plano for aprovado, a quantia poderia chegar a R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e 123 milhões até 2038.
Na nota publicada em seu site oficial, a Fifa diz que a injeção de dinheiro privado pode ser decisiva para “alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base”. geRead More


