Bastidores: Conmebol consulta afiliados e adia definição sobre proposta da Fifa
Uefa anuncia boicote às competições da Fifa. Mas como chegou a esse ponto?
Um polêmico projeto do presidente da Fifa, Gianni Infantino, é o principal tema do futebol mundial nesta semana. A proposta de criação da empresa Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da entidade e teria ações vendidas a investidores, sofreu pronta rejeição da Uefa (Europa), da Concacaf (Caribe e Américas do Norte e Central) e da AFC (Ásia). A Uefa deu um passo a mais e prometeu boicotar os torneios da Fifa.
Europeus anunciam boicote a torneios da Fifa até que proposta de venda de ações seja cancelada
As confederações da África e da Oceania não emitiram opinião a favor ou contra a proposta, mas publicaram notas em que prometem analisar cuidadosamente o projeto, que deve ser votado até 19 de setembro. Três dias após o vazamento da iniciativa de Infantino, a Conmebol publicou nota em que comunica consulta a seus afiliados.
“Entendemos que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao futebol e nunca se sobrepor à sua essência”, diz um trecho.
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Fifa x Uefa: europeus ameaçam Copa de 2030
O projeto divide as 10 federações nacionais que integram a Conmebol. A cúpula da entidade sul-americana ainda não marcou data da reunião para debater o caso. Veja a nota completa mais abaixo.
O ge apurou que a CBF resiste a apoiar a investida de Infantino, com tendência de oposição à proposta. Não é a única. Pelo menos outras duas federações sul-americanas se opuseram preliminarmente à proposta da Fifa.
Procurada pela reportagem, a CBF não se manifestou.
Alejandro Domínguez, da Conmebol, e Samir Xaud, da CBF, não se manifestaram sobre o caso
Divulgação Conmebol
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O presidente da Conmebol, o paraguaio Alejandro Domínguez, tem acompanhado a agenda do presidente Infantino. Recentemente, fez campanha aberta com mensagem nas redes sociais pela ampliação da Copa do Mundo de 2030, sugerindo a participação de 64 seleções.
Samir Xaud e Gianni Infantino em encontro nos EUA: CBF ainda reluta em apoiar proposta da Fifa
Divulgação CBF
O próximo Mundial masculino será sediado em Espanha, Portugal e Marrocos. Mas, para comemorar o centenário da primeira edição da Copa, a Fifa decidiu realizar três jogos de abertura na América do Sul: um na Argentina, um no Paraguai e um no Uruguai (sede da Copa de 1930).
Com a proposta de ampliação para 64 seleções, a Conmebol pretende aumentar a quantidade de jogos na América do Sul. A entidade defende que um grupo da primeira fase seja todo disputado na Argentina, um no Paraguai e um no Uruguai. Assim, seriam seis partidas em cada país, em vez de uma.
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Esse pleito torna delicada a manifestação pública de Alejandro Domínguez, que vinha sendo um aliado próximo de Infantino.
Em outra disputa, desta vez interna na América do Sul, a Conmebol tomou no ano passado uma medida que incomodou a CBF. Uma das cadeiras da entidade no Conselho da Fifa, principal órgão da entidade internacional, era ocupada por Ednaldo Rodrigues. Quando o dirigente foi destituído da presidência da CBF, a Conmebol decidiu tirar o cargo do Brasil e entregá-lo para Claudio Tapia, presidente da AFA (Associação de Futebol da Argentina).
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa: entidade prometeu boicotar competições da Fifa
Toya Sarno Jordan – FIFA/FIFA via Getty Images
Nota da Conmebol:
“A CONMEBOL reafirma que sua prioridade será sempre o futebol: seus valores, seu povo e a paixão que o torna o esporte mais popular do mundo.
Entendemos que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao futebol e nunca se sobrepor à sua essência.
O futebol sempre vem em primeiro lugar.
Desde que a CONMEBOL tomou conhecimento da proposta apresentada pela FIFA referente ao projeto FFE, e em conformidade com seus procedimentos institucionais, iniciou um processo de consulta com suas Associações Membro e convocou uma reunião de seu Conselho com o único propósito de analisar e avaliar a referida proposta com a responsabilidade e o rigor que o assunto exige.
Para tanto, a CONMEBOL solicitou à FIFA informações e esclarecimentos adicionais sobre diversos aspectos relacionados ao escopo, estrutura, governança e potenciais efeitos do projeto FFE.
A CONMEBOL continuará a agir com prudência, responsabilidade e espírito de colaboração, contribuindo para o fortalecimento do futebol mundial exclusivamente por meio de canais institucionais e dos princípios da boa governança.
A CONMEBOL apela à união em toda a família do futebol e insta a todos a colocarem sempre o futebol acima de qualquer outro interesse.”
O que diz a Fifa
A entidade, em nota, afirmou que a FIFA Forward Enterprise seria uma subsidiária totalmente controlada pela própria Fifa. Caso seja aprovada, a nova empresa assumiria as atividades comerciais e operacionais relacionadas à realização dos eventos organizados pela entidade, enquanto o controle permaneceria com a Fifa.
A polêmica diz respeito à venda de ações da nova empresa para investidores privados. Com a venda destas participações, a Fifa espera arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões).
Segundo a entidade, os recursos gerados seriam compartilhados entre as 211 associações nacionais, permitindo maiores investimentos no desenvolvimento do futebol em cada país.
A Fifa informou ainda que, pela proposta atual, cada federação receberia US$ 20 milhões em recursos do programa FIFA Forward entre 2027 e 2030, independentemente do posicionamento adotado durante o processo de discussão.
Além disso, a entidade apresentou o chamado programa FIFA Fast Forward, que prevê um aporte extraordinário adicional de US$ 20 milhões por associação. A participação seria voluntária e o financiamento viria de investidores externos, sem transferência de controle da Fifa ou mudanças em sua governança, segundo a entidade. geRead More


