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De escola pública inédita a lixo e abandono: o legado da Rio 2016 dez anos depois

De escola pública inédita a lixo e abandono: o legado da Rio 2016 dez anos depois

Rio 2016 uma década depois: legado olímpico tem parque abandonado e escola em arena
Lixo, mato alto e moradores de rua, em uma área particular abandonada de 150 mil metros quadrados no Rio de Janeiro. Esse é o retrato do Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, um dos pontos negativos do legado olímpico da Rio 2016 para a cidade. Ali perto, porém, no Parque Olímpico, está o Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, considerado um projeto exemplar no setor da educação. Há também o moderno Centro de Treinamento Time Brasil, no Maria Lenk, e o Parque Radical de Deodoro, com o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom e o Centro Olímpico de Ciclismo BMX, ambos utilizados pelo alto rendimento.
Nesta primeira semana de agosto, na marca de 10 anos da primeira Olimpíada realizada na América Latina, o ge.globo mostra como estão todas as instalações construídas e utilizadas naqueles Jogos.
Legado olímpico Rio 2016 Parque dos Atletas
André Durão
Um Rio de contrastes
Se o Parque dos Atletas se destaca como um dos legados que não funcionaram, a poucos quilômetros dali, na Arena Carioca 3 está o Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, considerado um projeto exemplar no setor da educação. Inaugurado em fevereiro de 2024, o GEO abriga 875 alunos, que estudam em horário integral e aliam as aulas convencionais à prática de modalidades olímpicas. A Arena Carioca 3, inclusive, é a única instalação olímpica do mundo que foi transformada em escola pública.
As vizinhas Arenas Cariocas 1 e 2 estão cumprindo funções diferentes. Enquanto a primeira, é gerida pelo Ministério do Esporte e recebe eventos esportivos regularmente, a segunda está sob administração do Ministério da Educação, que está reformando o local para inaugurar uma unidade do Instituto Federal de Educação.
O Parque Olímpico da Barra visto de cima: Velódromo, Arenas Cariocas e Parque Rita Lee
André Durão
Perto dali está o moderno Centro de Treinamento Time Brasil. Gerido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), o CT está abrigado dentro do Parque Aquático Maria Lenk. No complexo também há o Centro de Treinamento da Ginástica Brasileira, além da parte de esportes aquáticos. Os três equipamentos são tido como referências para o esporte de alto rendimento.
Há também as estruturas da Rio 2016 que foram desmontadas e usadas como legado em outros locais. São elas o Estádio Aquático Olímpico e a Arena do Futuro, ambos construídos no Parque Olímpico. A Arena do Futuro deu origem a quatro Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), beneficiando cerca de 1,7 mil alunos da rede pública municipal. Já as estruturas da arquibancada e cobertura foram doadas ao Estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador, de propriedade da Portuguesa-RJ.
Já o Estádio Aquático Olímpico teve a sua piscina transferida para o Parque Oeste, em Inhoaíba, em dezembro de 2025. Parte das instalações do antigo estádio também foram cedidas ao Bangu Atlético Clube, que as aproveitou na cobertura da sua sede social.
A piscina olímpica da Rio 2016 instalada no Parque Oeste
Beth Santos/Prefeitura do Rio
O ge.globo também esteve em Deodoro, na Zona Oeste, na área hoje chamada de Parque Radical. É lá onde estão o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom e o Centro Olímpico de Ciclismo BMX, que seguem funcionando a pleno vapor.
A vizinha Arena da Juventude, porém, está fechada desde março de 2025. Situação semelhante vivem o Centro Nacional de Hipismo, o Centro Olímpico de Tiro e o Centro Olímpico de Hóquei. O Exército, proprietário de todos esses espaços, alega que Ministério do Esporte parou de realizar o repasse anual de 20,5 milhões necessário para a manutenção dos equipamentos. O Governo Federal, por sua vez, considera o valor alto. O impasse entre os dois órgãos já dura um ano e meio.
Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio foram realizados sob um investimento total de R$ 43,75 bilhões, sendo R$ 21,52 bilhões oriundos dos cofres públicos. Somente o Parque Olímpico da Barra da Tijuca custou R$ 2,34 bilhões. O complexo ocupa uma área de 1,2 milhão de metros quadrados na chamada região da Barra Olímpica.
Alunos do GEO Isabel Salgado numa aula de esgrima
André Durão
Confira como estão as principais instalações olímpicas da Rio 2016:
Região da Barra da Tijuca
Considerada o “Coração dos Jogos Olímpicos do Rio”, a Barra da Tijuca foi a região da cidade que mais se transformou. É nela que está localizado o Parque Olímpico, com 118 hectares de área (1.180. 000 metros quadrados). Dentro dele estão o Parque Aquático Maria Lenk (CT Time Brasil), a Arena Olímpica da Barra (Farmasi Arena), as Arenas Cariocas 1, 2 e 3, o Velódromo, o Parque Rita Lee, o Centro Olímpico de Tênis e a área do Rock in Rio, onde estão os antigos centros de imprensa (IBC e MPC).
Fora do Parque Olímpico, há o Parque dos Atletas, que servia como área de convivência da Vila Olímpica. Também há a antiga Vila Olímpica da Rio 2016, que foi transformada em empreendimento imobiliário logo após os Jogos. Chamado de Ilha Pura, o bairro planejado conta com 31 prédios, distribuídos em sete condomínios independentes.
Veja como está a situação de cada um:
Parte do Parque dos Atletas visto de cima. Ao lado está a Avenida Salvador Allende
André Durão
PARQUE DOS ATLETAS
É o equipamento mais problemático do legado olímpico. Usado como extensão da Vila Olímpica da Rio 2016, o Parque dos Atletas compreende uma área de 150 mil metros quadrados na Avenida Salvador Allende e custou R$ 44 milhões. Na Rio 2016, o local foi utilizado como área de lazer e circulação dos atletas nos momentos de folga.
Chamado antes de Cidade do Rock, o Parque dos Atletas também foi a primeira instalação olímpica a ficar pronta. Concluído em agosto de 2011, o local abrigou três edições do Rock In Rio (2011, 2013 e 2015), recebendo shows icônicos como os de Beyoncé, Rihanna, Elton Jhon e Red Hot Chili Peppers.
Só que os dias de glamour ficaram para trás. Desde o fim da Rio 2016, o local foi abandonado e as suas grades de proteção destruídas. Na visita ao parque, o ge.globo constatou muito lixo, entulhos, mato alto e a presença de moradores de rua no espaço interno. Segundo vizinhos, a área é perigosa e quase não recebe visitantes.
Apesar de aberto ao público, o Parque dos Atletas é uma área particular. Procurada pelo ge.globo, a Prefeitura do Rio informou que não pode informar quem é o proprietário devido a uma cláusula de sigilo.
Carro destruído e abandonado no Parque dos Atletas
André Durão
Morador de rua construiu moradia dentro do parque
André Durão
Carro tenta passar em meio ao lixo o Parque dos Atletas
André Durão
É muito raro ver pessoas circulando dentro do parque
André Durão
PARQUE MARIA LENK (CT TIME BRASIL)
Apesar de inaugurado em 2007 para o Pan-Americano do Rio, o Parque Aquático Maria Lenk foi impulsionado pelas Olimpíadas de 2016. Nove anos antes, o complexo recebeu as competições de natação, nado artístico e saltos ornamentais dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Já na Rio 2016, o complexo abrigou as provas do nado artístico, saltos ornamentais, além do polo aquático.
Administrado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Maria Lenk ganhou um centro de treinamento de ginástica a partir de 2015. Pouco depois, o complexo virou o centro de treinamento oficial do Time Brasil ao ganhar também uma sala de força e condicionamento, sala de treino funcional, sala de esportes de combate, área de descanso e laboratório olímpico.
Apesar de receber o nome de “Parque Aquático” e contar com piscina, plataforma de salto e toda a estrutura para a prática de esportes aquáticos, o complexo abriga atletas de diversas modalidades. O COB possui concessão da Prefeitura do Rio para administrar o Maria Lenk até 2048.
O CT Time Brasil visto de fora
André Durão
Sala de musculação do CT Time Brasil
Divulgação/COB
Painéis dos medalhistas da ginástica artística no CT de ginástica
Rafael Bello / COB
Piscina do Parque Aquático Maria Lenk
Satiro Sodré
ARENA CARIOCA 1
Era usada, principalmente, pelo basquete nas Olimpíadas do Rio. Atualmente pertence ao Governo Federal, administrada pelo Ministério do Esporte. O local é utilizado atualmente para eventos esportivos e atividades abertas ao público. Em 2025, a arena recebeu o Mundial de Ginástica Rítmica. Já este ano, a Arena Carioca 1 foi o palco do Campeonato Pan-Americano de Taekwondo e do Campeonato Pan-Americano de Ginástica Artística, que marcou o retorno de Rebeca Andrade às grandes competições.
As Arenas Cariocas 1, 2 e 3 e o vizinho Parque Rita Lee
André Durão
Bárbara Domingos em apresentação no Mundial de ginástica rítmica
André Durão
Rebeca Andrade na final individual do salto no Pan do Rio
Divulgação/CBG
ARENA CARIOCA 2
Foi palco do judô e do wrestling nas Olimpíadas do Rio. Atualmente está sob administração do Ministério da Educação, que vai inaugurar o novo campus do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). A ideia é garantir o acesso ao ensino técnico e profissional para 1.400 estudantes das comunidades da região de Jacarepaguá. Ainda não há uma previsão de inauguração.
Antes de ir para as mãos do Ministério da Educação, a Arena Carioca 2 pertencia à Prefeitura do Rio, representada pela Secretaria Municipal de Esportes. Lá eram oferecidas aulas gratuitas de diferentes esportes para a comunidade, com cerca de 3.500 alunos inscritos.
A Arena Carioca 2 encontra-se fechada, recebendo obras do futuro Instituto Federal do Rio de Janeiro
André Durão
ARENA CARIOCA 3
Foi usada pelo taekwondo e esgrima nas Olimpíadas. Pertence à Prefeitura do Rio e está sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação. Em fevereiro de 2024, foi inaugurado no local o Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Isabel Salgado. Trata-se de uma escola pública municipal com ensino aliado à pratica de oito modalidades olímpicas.
Atualmente há 875 alunos matriculados em 24 turmas do 1º ao 9º ano. As aulas acontecem em horário integral (manhã e tarde), e os alunos têm direito a três refeições. A Arena Carioca 3 conta com 24 salas de aulas, sala multiuso, sala de avaliação pedagógica, além de instalações esportivas com duas quadras e locais para a prática das modalidades.
Alunos praticam tênis de mesa no GEO Isabel Salgado numa mesa utilizada nas Olimpíadas de Londres
André Durão
Alunos têm acesso a três refeições por dia
André Durão
GEO Isabel Salgado tem várias modalidades olímpicas no currículo
André Durão
Salas de aula funcionam dentro do própria Arena Carioca 3
André Durão
VELÓDROMO
Palco das provas de ciclismo de pista na Rio 2016, o Velódromo do Rio recebeu diversas competições da modalidade após as Olimpíadas. Antes administrado pelo Governo Federal, o local foi repassado à Prefeitura do Rio em 2022.
Em 8 de abril de 2026, o Velódromo sofreu um incêndio. O fogo, que surgiu por causa de um curto-circuito numa das salas, pegou no teto, o que fez com que os Bombeiros fossem acionados. O teto ficou parcialmente destruído e, desde então, o local passa por uma restauração.
Cobertura do velódromo olímpico do Rio pega fogo pela terceira vez
Antes do incêndio, o Velódromo recebia treinamento e prática esportiva de diversas modalidades. Competições de ciclismo eram realizadas regularmente. Além disso, em agosto de 2025, foi inaugurado o Museu Olímpico, que conta a história da conquista, da preparação e da realização da Rio 2016.
O Museu Olímpico encontra-se fechado desde o incêndio, assim como todas as modalidades que eram praticadas na arena principal. Apenas alguns esportes praticados em salas – como o levantamento de peso – não tiveram suas atividades interrompidas.
Até o fechamento, o Velódromo recebia uma média de 4 mil pessoas por mês, em 34 modalidades esportivas ou de lazer.
O Velódromo do Rio em maio, com boa parte do seu teto ainda destruída
André Durão
Corpo de Bombeiros monta operação para combater incêndio no Velódromo do Rio, em abril
André Durão
Bombeiros tentam controlar incêndio no Velódromo
André Durão
A inauguração do Museu Olímpico, em agosto de 2025
Beth Santos/Prefeitura do Rio
Teto do Velódromo pega fogo em abril de 2026
Reprodução
O Velódromo Olímpico do Rio logo após a inauguração, em junho de 2016
André Durão
ARENA OLÍMPICA DO RIO (FARMASI ARENA)
Assim como o Parque Aquático do Rio, a Arena Olímpica do Rio (hoje chamada de Farmasi Arena) também foi construída para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e usada nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016. Quando foi erguida, a Farmasi Arena fazia parte do Autódromo Internacional Nelson Piquet, que não existe mais.
Nas Olimpíadas, o local recebeu as competições de ginástica (artística, rítmica e de trampolim). Já nas Paralimpíadas, a Arena Olímpica do Rio foi o palco do basquete em cadeira de rodas. O basquete, aliás, é um dos esportes que mais foi disputado na Farmasi Arena, já que, por alguns anos, o Flamengo mandou os seus jogos no local. A arena também recebeu algumas edições do UFC.
Construída sob um custo de R$ 120 milhões, a Arena Olímpica do Rio pertence oficialmente à Prefeitura do Rio, mas a sua gestão e administração estão concedidas à GL Events, uma multinacional francesa do setor de eventos. Atualmente, o local com capacidade para cerca de 15 mil espectadores tem recebido muitos shows musicais.
A Arena Olímpica da Barra, hoje Farmasi Arena
André Durão
O UFC 134 em agosto de 2011, na Arena Olímpica do Rio
Buda Mendes/LatinContent via Getty Images
Flamengo concuistou o Intercontinental de basquete na Farmasi Arena em 2014
André Durão
PARQUE RITA LEE
Compreendido nas áreas de circulação do Parque Olímpico, o Parque Rita Lee tem uma área de 136 mil metros quadrados e fica aberto à população de terça a domingo das 6h às 22h. Além da área para caminhada e corrida, o local abriga quadras poliesportivas, skate park, muro de escalada, academia da terceira idade e parquinho para crianças. Administrado pela Prefeitura do Rio, o parque custou R$ 36 milhões e foi inaugurado em maio de 2024.
Área de circulação do Parque Rita Lee
André Durão
Parque conta com deque na beira da Lagoa de Jacarepaguá
André Durão
A chamada “área molhada” do Parque Rita Lee
André Durão
Cestas de basquete do Parque Rita Lee
André Durão
CENTRO OLÍMPICO DE TÊNIS
Construído sob o custo de R$ 162,8 milhões, o Centro Olímpico de Tênis foi inaugurado em 2015 para receber as partidas de tênis das Olimpíadas e Paralimpíadas (tênis em cadeira de rodas) do Rio. Também recebeu o futebol de 5 (para cegos) das Paralimpíadas. O local pertence ao Governo Federal, que o administra através do Ministério do Esporte.
O Centro Olímpico de Tênis conta com a quadra principal Maria Esther Bueno, com capacidade para 10 mil pessoas, além de oito quadras auxiliares, sendo uma delas preparada para receber arquibancadas temporárias com capacidade para 3 mil espectadores. A superfície é de quadra dura, fornecida pela GreenSet Worldwide.
Após a Rio 2016, o Centro Olímpico de Tênis recebeu poucos eventos esportivos, dentre eles uma etapa do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, além de jogos de futebol de areia. Para que essa “mágica” acontecesse, em 2017, a quadra Maria Esther Bueno recebeu 280 toneladas de areia. O primeiro evento nessa nova configuração foi o Gigantes da Praia, desafio de vôlei de praia realizado naquele mesmo ano.
Em 2021, foi anunciado que o centro seria leiloado para a iniciativa privada. Até o momento, porém, o equipamento segue sob administração do Ministério do Esporte.
Segundo o próprio ME, houve uma tentativa de oferecer o Centro Olímpico de Tênis para a organização do Rio Open, que atualmente é disputado no Jockey Club Brasileiro, na Gávea. Contudo, assim como foi um problema para outras competições, a quadra da arena não corresponde às especificidades do campeonato.
O Centro Olímpico de Tênis visto do alto
André Durão
Equipamento conta com oito quadra adicionais fora da arena principal
André Durão
Vista frontal do Centro Olímpico de Tênis
André Durão
IBC E MPC
Dentro do Parque Olímpico da Barra, existe também a área do Rock in Rio, que fica ao lado do Parque Rita Lee e vizinha ao Centro Olímpico de Tênis. O espaço, administrado pela empresa Rock World, possui cerca de 385 mil metros quadrados e capacidade para receber até 100 mil pessoas por dia.
Além da grande área para shows, é neste terreno que estão abrigados os antigos prédios dos centros de imprensa da Rio 2016. O prédio que abrigava o IBC – International Broadcasting Centre (Centro Internacional de Transmissão) – hoje é operado pelo Rock in Rio, assim como o prédio do MPC (Main Press Centre). Os dois locais estão sendo usados como depósitos de materiais.
A próxima edição do Rock in Rio acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro deste ano. A ideia da Rock World é transformar a área em um centro permanente de entretenimento até 2028. Além do Rock in Rio, a área receberia festividades como Carnaval, Páscoa, Oktoberfest, Halloween, Natal e Ano Novo.
Prédios do IBC e MPC hoje usados pelo Rock in Rio
André Durão
Àrea do Rock in Rio é vizinha ao Centro Olímpico de Tênis
André Durão
VILA OLÍMPICA (ILHA PURA)
Erguida sob um custo de R$ 2.9 bilhões bancados por um consórcio formado pela Carvalho Hosken e Odebrecht, a Vila Olímpica da Rio 2016 foi projetada para receber aproximadamente 18 mil pessoas em 3.604 apartamentos distribuídos em 31 edifícios. Ela é separada do Parque dos Atletas pela Avenida Salvador Allende. A vila também é vizinha do RioCentro, que recebeu diversas modalidades das Olimpíadas e Paralimpíadas.
Após os Jogos, a Vila Olímpica virou empreendimento imobiliário. Com o nome de Ilha Pura, o local ganhou infraestrutura de bairro, com apartamentos que variam de 72 a 230 metros quadrados, área de lazer, piscinas e quadras poliesportivas.
A Vila Olímpica da Rio 2016 durante os Jogos
REUTERS/Ricardo Moraes
Local foi transformado em área residencial
Divulgação Ilha Pura
Região de Deodoro
A cerca de 26km da Barra da Tijuca está o bairro de Deodoro, na Zona Oeste, o segundo maior complexo de locais de competição dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio. É lá onde estão o Centro Olímpico de Tiro, a Arena da Juventude, o Centro Olímpico de Hóquei, o Centro Nacional de Hipismo, o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom e o Centro Olímpico de Ciclismo BMX.
O Estádio Olímpico de Canoagem Slalom e o Centro Olímpico de Ciclismo BMX estão abrigados dentro do Parque Radical, que pertence à Prefeitura do Rio. Já as demais arenas são do Exército e estão dentro de uma área militar.
O Estádio Olímpico de Canoagem de Deodoro
André Durão
ARENA DA JUVENTUDE
Casa do basquete feminino e da esgrima do pentatlo moderno nas Olimpíadas e da esgrima em cadeira de rodas das Paralimpíadas, a Arena da Juventude está fechada desde março de 2025. Inaugurada no primeiro trimestre de 2016, o local vinha recebendo diversos eventos esportivos nos últimos anos, principalmente de jiu-jitsu.
O motivo do fechamento é um imbróglio entre o Ministério do Esporte e o Exército. No início do ano passado, o Ministério do Esporte informou ao Exército que não renovaria o acordo de cooperação entre os dois órgãos.
Sem os recursos oriundos do Governo, o CCFEx enviou um ofício às respectivas confederações dos esportes envolvidos informando que a permissão de uso para treinamentos e competições seria descontinuada.
O CCFEx afirma que o custo anual de manutenção das quatro instalações militares de Deodoro é de R$ 20,5 milhões. O Ministério do Esporte alega que o valor é alto. Não há previsão para reabertura.
Arena da Juventude está fechada desde março de 2025
André Durão
Local vinha recebendo eventos de diversas modalidades, principalmente o jiu-jitsu
Edu Bernardes
CENTRO OLÍMPICO DE TIRO
Inaugurado em 2007 antes dos Jogos Pan-Americanos, o Centro Olímpico de Tiro recebeu as competições de tiro esportivo das Olimpíadas e Paralimpíadas do Rio. A instalação fica dentro de uma área militar com acesso restrito.
Até o fechamento em março de 2025, a Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) tinha acesso normal ao local. Desde então, apenas militares passaram a usar a estrutura. Não há mais competições envolvendo civis no local.
O Centro Nacional de Tiro em Deodoro
Gabriel Heusi/Divulgação
Competição de tiro esportivo da Paralimpíada do Rio
Carlos Garcia/Reuters
CENTRO OLÍMPICO DE HÓQUEI
O Centro Olímpico de Hóquei vive situação semelhante ao Centro Nacional de Tiro. Fechado desde março de 2025, o local conta com dois campos de grama sintética (um principal e um secundário de aquecimento) nas cores azul e verde, além de edifício de apoio com vestiários e centro médico.
Assim como o Centro Nacional de Tiro, o Centro Olímpico de Hóquei de Deodoro é administrado pelo Centro de Capacitação Física do Exército (CCFEx).
Hóquei sobre a grama no evento-teste da Rio 2016
André Durão
CENTRO NACIONAL DE HIPISMO
Também conhecido como Centro Olímpico de Hipismo, o Centro Nacional de Hipismo foi reformado para a Rio 2016 e conta com uma área de 1 milhão de metros quadrados. O local tem a capacidade para receber até 35.200 pessoas, sendo 14.200 lugares (13 mil temporários) na arena de salto e adestramento e 21 mil lugares (20 mil em pé) na pista do cross country. Pertence ao Exército e está fechado para atletas não-militares e demais civis desde março de 2025.
Centro olímpico de hipismo está fechado para o alto rendimento
André Durão
ESTÁDIO OLÍMPICO DE CANOAGEM
Localizado dentro do Parque Radical de Deodoro, o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom é tido como um dos maiores legados da Rio 2016. O complexo de lagos artificiais conta com 25 milhões de litros de água com vários trechos em corredeira. O canal principal de competição tem 250m e o de aquecimento 90m.
Após a Rio 2016, o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom passou a receber diversas competições nacionais e internacionais. Atletas olímpicos de elite como Ana Sátlia e Pepê Gonçalves passaram a treinar no local.
Nos finais de semana sem competição, o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom se transforma em piscina pública gratuita. Além disso, o complexo oferece diversas aulas e atividades físicas diárias à população frequentadora do Parque Radical.
Em junho, atletas como Ana Sátila revelaram que tiveram parte do seu material de treinos e competições roubados. Em nota, a Secretaria Municipal de Esportes e a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) lamentaram o ato de vandalismo e prometeram providências.
Atletas treinam no Estádio Olímpico de Canoagem
André Durão
Ana Sátila é uma das atletas que treina no local
Fabio Canhete / Canoagem Brasileira
CENTRO OLÍMPICO DE CICLISMO BMX
Ocupando uma área de 4.000 m² no Parque Radical de Deodoro, o Centro Olímpico de Ciclismo BMX conta com um percurso de nível internacional e está aberto ao público e a atletas. Após passar por um processo de deterioração, o equipamento ficou fechado para obras por um ano e meio, antes de ser reinaugurado em janeiro de 2025. O Centro Olímpico de Ciclismo BMX pertence à Prefeitura do Rio e recebe diariamente atletas de alto rendimento e praticantes da modalidade. Um dos frequentadores é o atleta olímpico Renato Rezende, hoje treinador de uma equipe de ciclismo.
A pista de ciclismo BMX do Parque Radical
André Durão
Pista olímpica foi reformada e reaberta em janeiro de 2025
André Durão
Atletas de alto rendimento treinam diariamente no local
André Durão geRead More