Mazola revela que foi convencido por jogadores do Ituano a não mudar o esquema de jogo
Técnico do Ituano afirma que classificação na Série C não será fácil
O técnico Mazola Júnior abriu o jogo sobre os problemas enfrentados pelo Ituano na disputa da Série C.
Em entrevista ao programa Bola na Mesa Ituano, de Arcílio Bragagnolo, o treinador reconheceu que a equipe tem criado oportunidades, mas não consegue transformar o volume ofensivo em gols. Para ele esse é o principal motivo para a sequência negativa do Galo de Itu na competição.
— O grande problema do Ituano é a falta de aproveitamento pela quantidade de situações criadas no último terço do campo ofensivo. Quando você não faz, quando não é efetivo, normalmente você vai pagar caro.
Mazola Júnior, técnico do Ituano, durante o treinamento da equipe
Flávio Torres/Ituano F.C
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Um dos principais exemplos citados por Mazola foi Bruno Mezenga. Aos 37 anos, o atacante chegou ao Galo de Itu no início da temporada como o principal reforço do clube, mas não conseguiu corresponder às expectativas. Com um marcado nos últimos 26 jogos, o jogador passou a ser alvo de cobranças e, segundo o treinador, sentiu bastante o momento.
Mazola lembrou que a contratação de Mezenga chegou a surpreender, justamente pelo currículo do atacante e pela capacidade financeira do Rubro-negro para viabilizar a chegada do jogador. O treinador também destacou que o desempenho abaixo do esperado afetou emocionalmente o atleta.
— Eu sei que vários jornalistas ficaram surpresos com a contratação do Mezenga pelo Ituano no começo do ano. Vários ficaram surpresos do Ituano ter capacidade financeira para contratar um jogador desse porte. É normal? Não, não é normal, que aconteça o que aconteceu com o Bruno.
– É anormal um atleta com o currículo que ele tem, a experiência que ele tem, com o ano passado muito interessante que ele teve, se abalar tanto, com a ausência de gols. Ele se abalou muito, muito.
Apesar das críticas ao desempenho dentro de campo, Mazola fez questão de defender o atacante e ressaltou as características profissionais de Mezenga. O treinador afirmou que o jogador nunca teve problemas graves de lesão na carreira e que precisa recuperar a confiança para ajudar o Ituano neste momento decisivo.
O treinador, evitou colocar toda a responsabilidade sobre Mezenga. Embora reconheça que o atacante é a principal contratação e tenha o maior salário do elenco, Mazola lembrou que outros jogadores do setor ofensivo também estão abaixo das expectativas.
— O Bruno é um excelente profissional, um dos melhores que eu já trabalhei, em relação a profissionalismo, seriedade, comprometimento com o trabalho, dedicado, um cara família. Até brinco com ele. Apesar que agora a fase não está para brincadeira, são mais cobranças que brincadeiras, que um cara daquele tamanho, com a força que ele tem, não teve nenhuma lesão grave, nenhuma cirurgia na carreira, não poderia se deixar abater, nas competições que estamos jogando.
— Estamos falando mais especificamente do Mezenga, mas não podemos jogar a responsabilidade toda em cima dele. Tá certo, Mezenga é a principal contratação, o maior salário do clube, só que temos mais seis atacantes, que também não estão bem, não estão fazendo um ano que correspondesse à altura das expectativas que foram criadas em cima deles.
Bruno Mezenga lamenta pênalti perdido pelo Ituano contra a Ferroviária
Flávio Torres/Ituano FC
Em meio à sequência de seis partidas sem vitória, Mazola revelou que chegou a pensar em mudar o esquema tático do Galo de Itu. A alteração, no entanto, não aconteceu depois de uma conversa com os próprios jogadores, que defenderam a manutenção da formação utilizada pela equipe.
— Com a sequência da falta de vitórias, eu quis mudar (o esquema) e os jogadores pediram pra não mudar. Quando o resultado não vem, cinco jogos, alguma coisa tem que mudar, e isso foi feito. Os jogadores falaram: ‘não, não muda nada, a bola vai começar a entrar’. Se a bola começar a entrar, ninguém vai falar nada que o esquema tá errado, que fulano tá jogando fora de posição, que tem que trocar o goleiro. Os caras chegaram e falaram: ‘Não muda, estamos jogando bem’. Se tivesse jogando mal igual ano passado, aí teria que mudar, peças e esquemas, não é o caso.
O treinador também contou que conversou com Juninho Paulista, gestor do Galo, em busca de uma participação maior do dirigente no dia a dia da equipe. Mazola destacou a experiência do ex-jogador, que foi pentacampeão com a seleção brasileira em 2002.
— O Juninho sabe alguma coisa de futebol, ele veio falar comigo: ‘Maza, o que eu posso fazer para ajudar mais?’. E eu falei: ‘Quem aqui tem experiência de Copa do Mundo nas costas, como tu tem? Quem aqui seria capaz de abrir mão dessa situação, ou ter a vaidade de abrir mão dessa situação, uma como diretor e uma como jogador campeão do mundo? Mais do que nunca, venha participar conosco, fazer as observações que você tem que fazer, vai ser muito bem-vindo, aqui ninguém tem vaidade nenhuma’.
– Ele acompanha os trabalhos durante a semana, todos os treinos são filmados, ele acompanha. Ele sabe o que foi treinado, sabe o que foi feito no jogo, sabe quem vamos enfrentar, ele sabe tudo, antes do jogo.
Mazola Júnior e Juninho Paulista durante a pré-temporada do Ituano
Flávio Torres/Ituano FC
Outro assunto abordado por Mazola foi a situação de Stefanello. O meia-atacante, que soma três gols pelo Ituano na temporada, deixou de ser titular e passou a ter menos espaço na equipe.
O treinador explicou que a decisão está relacionada principalmente à necessidade de melhorar a participação defensiva do jogador. Mazola também citou a presença de Neto Berola, que, segundo ele, também não consegue contribuir da mesma forma nas ações defensivas.
— Foram várias situações que culminaram com a saída do Stefanello da equipe. Vamos deixar bem claro que o aproveitamento que ele teve foi na A2 do Campeonato Paulista. Mesmo na A2, oscilou bastante. Nós estamos moldando para que ele tenha uma participação defensiva melhor. Ele tem muita dificuldade de composição, muita dificuldade de marcar e, como já temos o Neto, que não participa das ações defensivas porque não tem mais saúde pra isso. Se você tem mais um a não participar das ações defensivas, hoje em dia, talvez nem o Barcelona defenda com oito jogadores.
Além da questão tática, Mazola revelou que Stefanello também sentiu emocionalmente a perda de espaço. Em mais de três meses, ele não foi titular nenhuma vez e entrou em apenas três partidas, já na reta final.
De acordo com o treinador, o jovem é introvertido e sensível às adversidades. O técnico ainda afirmou que problemas administrativos enfrentados pelo jogador contribuíram para o momento delicado.
— O Stefanello sentiu muito essa situação de, por exemplo, vir a ser uma opção, no banco, entrando alguns jogos, outros nem entrando. Se abateu muito, é um menino muito introvertido, muito família, muito sensível às adversidades. Somado a isso, teve alguns problemas administrativos, que aí não é função minha, que também perturbaram muito a cabeça do rapaz.
– Agora, com tudo mais ou menos andando, chegamos no momento decisivo, de muita pressão, e talvez não seja esse o momento para exigirmos dele a responsabilidade de resolver os problemas que o Ituano tem.
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Flávio Torres/Ituano FC
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