Sport não avança com retrofit, e projeto pode perder validade na Prefeitura do Recife
Então presidente do Sport, Yuri Romão falou sobre projeto de retrofit da Ilha do Retiro em outubro de 2024
O projeto de retrofit da Ilha do Retiro corre o risco de voltar à estaca zero. Aprovada pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) em dezembro de 2024, a Viabilidade de Empreendimento de Impacto (VEI) tem validade de dois anos. Caso o clube não apresente o projeto de reforma nem solicite uma renovação do prazo até dezembro deste ano, todo o processo perderá validade.
O custo estimado da obra era de R$ 620 milhões. A reforma do estádio necessitaria de R$ 170 milhões, enquanto R$ 450 milhões seriam destinados para o complexo esportivo.
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Projeto de reforma da Ilha do Retiro, estádio do Sport
Divulgação
Perguntado sobre o projeto de modernização do estádio, o presidente Matheus Souto Maior indicou ao ge que o retrofit não está entre as prioridades da atual gestão. Segundo o dirigente, o foco no Sport está voltado para a reorganização interna e para a temporada esportiva.
“Existe uma discussão interna sobre o retrofit. A gente participou de algumas reuniões. Mas eu diria que para este ano a gente não vai ter nada. Este é um ano de ajustar a casa. A não ser que o cenário mude muito drasticamente”, afirmou.
Matheus Souto Maior, presidente do Sport, ao lado de Kadico Pereira, vice-presidente
Paulo Paiva/ Sport Recife
Matheus Souto Maior reforçou que a administração tem concentrado esforços em demandas consideradas mais urgentes para a estrutura do clube. Entre elas está a reconstrução da quadra de hóquei, orçada entre R$ 350 mil e R$ 450 mil – dinheiro que pode vir da venda de Zé Lucas ao Cruzeiro.
– A gente começou a reta de final de ano agora. Então, o foco da gente vai ser a Série B e devolver a estrutura bem feita de tudo o que temos aqui. Se você perguntar a mim, a prioridade é discutir o retrofit ou a quadra de hóquei? A quadra de hóquei – disse o presidente.
Quadra de hóquei do Sport
Divulgação
Em nota, a Prefeitura do Recife esclareceu que o aval do CDU se referiu apenas à Viabilidade de Empreendimento de Impacto, etapa que reconhece a possibilidade de implantação do projeto a partir do Estudo de Impacto de Vizinhança apresentado pelo clube.
Segundo a administração municipal, a aprovação da VEI funciona como uma fase prévia. Somente após a apresentação do projeto de reforma seriam analisados os parâmetros urbanísticos e ambientais necessários para a execução da obra. O prazo atual pode ser prorrogado por mais dois anos, desde que haja solicitação do interessado.
Procurado por meio da assessoria de comunicação, o Sport não informou se buscará a prorrogação do prazo.
Projeto de retrofit da Ilha do Retiro
Reprodução/Twitter
Estádio inaugurado em 1937, a Ilha do Retiro já atravessou uma série de obras ao longo das últimas décadas. A última, em 2024, com reforma de vestiário, gramado, iluminação, entre outros pontos, custou aproximadamente R$ 10 milhões.
O retrofit era um plano de Yuri Romão, ex-presidente do Sport. O projeto prevê a modernização do estádio rubro-negro, mantendo seus traços históricos, com uma pequena ampliação da capacidade – para 35.225 espectadores -, além de lojas e salas comerciais numa torre comercial com 35 pavimentos que seria erguida.
O clube planejava a construção de um anel que cobriria quase toda a parte superior do estádio, com cadeiras, além de 220 camarotes. Estava nos planos também um novo ginásio com capacidade de 4 mil pessoas.
Estádio Ilha do Retiro
Paulo Paiva / Sport Recife.
Em março do ano passado, o Sport e a Prefeitura do Recife firmaram um acordo de compensação ambiental relacionado ao projeto de reforma da Ilha do Retiro, que previa um investimento de cerca de R$ 2,7 milhões em melhorias urbanas e ambientais após análise do Estudo de Impacto de Vizinhança.
Entre as contrapartidas assumidas pelo clube estavam a requalificação de áreas verdes, ampliação e arborização de calçadas, melhorias de acessibilidade e mobilidade, criação de uma nova ligação viária na região, implantação de áreas de convivência pública e medidas de gestão ambiental.
A estimativa inicial era de que as obras fossem iniciadas no início deste ano. A antiga gestão não contava, porém, com uma crise esportiva, financeira – a última gestão deixou o Sport com um déficit de R$ 112,4 milhões em 2025 – e política, que terminou com a renúncia de Yuri Romão no fim do ano passado.
Histórico sapotizeiro que é símbolo do clube será preservado, diz projeto
Divulgação
Caso o Sport mantenha a posição apresentada por Matheus Souto Maior, o processo perderá eficácia ao fim do prazo estabelecido pela Prefeitura e o projeto de retrofit da Ilha do Retiro terá de reiniciar sua tramitação do início.
Em 2011, quando chegou a fazer um projeto para a construção de uma arena multiuso, o Sport estimava um gasto de R$ 400 milhões somente no estádio, que teria capacidade para 45 mil torcedores. O projeto, que tinha a construtora Engevix como parceiro, não avançou.
Vista área do projeto de reforma da Ilha do Retiro, estádio do Sport
Divulgação
Veja a nota na íntegra da Prefeitura do Recife
A Prefeitura do Recife informa que a aprovação realizada pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU), em dezembro de 2024, refere-se à Viabilidade de Empreendimento de Impacto (VEI) para a reforma da Ilha do Retiro, e não à aprovação do projeto de reforma.
A aprovação da VEI reconhece a viabilidade de implantação do empreendimento, considerando o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) apresentado, e estabelece as respectivas medidas mitigadoras e condicionantes, sendo uma etapa prévia à análise e aprovação do projeto de reforma.
A VEI tem validade de dois anos para que o interessado apresente o projeto de reforma, quando serão analisados os parâmetros urbanísticos e ambientais do empreendimento, conforme a legislação municipal. Esse prazo pode ser renovado por mais dois anos, mediante requerimento do interessado.
A Prefeitura esclarece ainda que o instrumento ambiental aplicável é o Projeto de Revitalização de Área Verde (PRAV), uma compensação prevista para empreendimentos localizados no Setor de Sustentabilidade Ambiental (SSA). O PRAV consiste na execução de projetos de enriquecimento florestal, requalificação e recuperação de áreas verdes, podendo também contemplar ações de arborização urbana, implantação ou requalificação de canteiros, calçadas, praças e espaços públicos, além de obras voltadas à preservação, conservação e proteção ambiental. As demais obrigações previstas no processo referem-se às medidas mitigadoras e condicionantes urbanísticas.
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