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Análise: Ponte completa 15 jogos sem vencer e caminha para entrar na história da Série B

Análise: Ponte completa 15 jogos sem vencer e caminha para entrar na história da Série B

Com 20 minutos de jogo, depois da expulsão de Júlio, a Ponte Preta praticamente jogou a toalha. O placar ainda estava 0 a 0 contra o Ceará, mas a Macaca já dava sinais de que faria todos os esforços para simplesmente não sofrer gols. Não adiantou.
A Ponte perdeu por 2 a 0 para um adversário que também lutava para se afastar da zona de rebaixamento e que, ao contrário da Macaca, conseguiu reagir na competição.
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A sequência chegou a 15 jogos sem vitória na Série B. É a segunda maior marca da história da competição, atrás apenas dos 19 jogos do ABC em 2015.
Nico Ferreira em Ceará x Ponte Preta
Kid Junior/SVM
A cada rodada, o vexame aumenta. E a Ponte se aproxima de uma marca que nenhum torcedor gostaria de ver o clube alcançar: entrar para a história da Série B pelo lado negativo.
O cenário precisa ser dividido em duas partes: dentro e fora de campo. Mas, neste momento, é impossível separar uma coisa da outra.
Mais uma semana passou com promessas de solução que não se concretizaram por parte da diretoria. A Ponte continua sem conseguir registrar os reforços contratados por causa dos três transfer bans – um na CNRD e dois na Fifa – e Márcio Zanardi segue trabalhando com um elenco extremamente limitado.
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André Lima e Lucca em Ceará x Ponte Preta
Kid Junior/SVM
A situação ainda piora quando aparecem lesões e suspensões.
Danilo Barcelos já havia virado desfalque durante a semana. Kevyson deixou o campo machucado. E, aos 20 minutos, Júlio recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Zanardi olhou para o banco e praticamente não encontrou alternativas. A Ponte sequer tinha outro lateral-direito de origem entre os reservas para fazer a substituição.
Esse é o retrato de uma crise administrativa que inevitavelmente chega ao campo. A falta de pagamento dos salários, a ausência de recursos para resolver os transfer bans e a saída de jogadores reduziram progressivamente as opções do treinador.
E, quando a bola rola, o problema aparece.
Giulio em Ceará x Ponte Preta
Kid Junior/SVM
A expulsão de Júlio pode até ser discutida pelo segundo cartão amarelo. Mas o lateral também mostrou falta de controle ao receber duas advertências em apenas 20 minutos. O primeiro cartão nasceu de um erro de passe no meio-campo. No segundo lance, assumiu um risco desnecessário e deixou a equipe com um jogador a menos.
A partir daí, a Ponte precisou sobreviver. Mas ainda teve chances de sair do Castelão com outro resultado.
Léo Gomes recebeu uma bola precisa de Elvis e isolou. Brandão teve pelo menos duas oportunidades claras que não podem ser desperdiçadas por um centroavante, especialmente por uma equipe que tem tão poucas oportunidades para vencer uma partida.
É aí que os problemas extracampo encontram os problemas técnicos.
Vina tem gol anulado em Ceará x Ponte Preta
Kid Junior/SVM
A Ponte não tem elenco para absorver tantos desfalques. Não tem opções suficientes no banco. Não tem confiança. E, quando precisa reagir a uma adversidade, também não demonstra capacidade para mudar o roteiro de uma partida. O resultado é uma equipe que acumula derrotas e parece cada vez mais sem respostas.
A Ponte coleciona marcas negativas em 2026. Foi rebaixada no Campeonato Paulista, atravessa uma sequência histórica na Série B, tem problemas financeiros, salários atrasados, transfer bans, jogadores deixando o clube e um elenco cada vez mais reduzido.
O torcedor está saturado.
E talvez o mais preocupante seja justamente a sensação de que a próxima notícia será sempre pior do que a anterior.
O futebol é apenas o reflexo mais visível de uma crise administrativa que se arrasta há meses. Enquanto os problemas fora de campo não forem resolvidos, Zanardi continuará tentando fazer o impossível: montar um time competitivo sem jogadores suficientes e buscar uma reação em uma competição na qual a Ponte já está muito distante dos adversários.
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A Macaca tem nove pontos em 21 rodadas. O aproveitamento é de apenas 14%. A sequência sem vencer já é a segunda maior da história da Série B. Não é mais apenas uma campanha ruim.
É uma temporada que ameaça se transformar em uma das mais traumáticas dos 126 anos de história da Ponte Preta.
E quem paga a conta é o torcedor.
O mesmo torcedor que continua indo ao Majestoso, acompanhando o time e tentando encontrar algum motivo para acreditar, enquanto vê o clube se aproximar de mais um rebaixamento e de um cenário ainda mais complicado para os próximos anos.
A Ponte precisa reagir. Dentro e, principalmente, fora de campo. Porque, a cada rodada, o buraco fica mais profundo.
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