Rodrigo Koxa concorre ao ‘Oscar’ das ondas gigantes e pode recuperar recorde mundial
Rodrigo Koxa surfa onda gigante em Nazaré
O surfista Rodrigo Koxa pode, mais uma vez, cravar seu nome na história do esporte. Ex-detentor do Guinness World Records pela maior onda já surfada, o brasileiro está entre os três finalistas do Red Bull Big Wave Challenge 2026, considerado o principal prêmio do surfe de ondas gigantes.
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Koxa concorre na categoria “Maior Onda Masculina” ao lado do compatriota Lucas Chumbo e do francês Clement Roseyro. A indicação veio após a onda surfada pelo brasileiro na praia de Nazaré, em Portugal, no fim do ano passado, que recebeu medição preliminar de 29,15 metros.
Rodrigo Koxa surfa onda gigante em Nazaré
Rennan Chaves
A medição oficial será divulgada durante a cerimônia de premiação, marcada para 19 de setembro, na Califórnia, nos Estados Unidos.
Caso a altura seja homologada, Koxa poderá recuperar o recorde mundial, atualmente pertencente ao alemão Sebastian Steudtner, que surfou uma onda de 26,21 metros, em outubro de 2020.
– A expectativa é gigantesca porque, além de poder ser bicampeão mundial, estou com uma grande chance de recuperar o recorde mundial, de voltar a ser o detentor do recorde que mantive por quase cinco anos – afirmou Koxa ao ge.
“Paredão” de água
Naquele dia, Koxa buscava uma formação específica em Nazaré, conhecida como Pico 1, próxima ao farol e à área mais rasa da bancada.
— Quando peguei a onda, só queria corrê-la de forma inteligente, respeitando o mar para não tomar caldo em uma condição tão extrema — contou.
Rodrigo Koxa em Nazaré
Reprodução/Redes Sociais
A estratégia, porém, precisou ser adaptada conforme a massa de água ganhou velocidade e se transformou durante a descida.
A principal dificuldade, segundo o surfista, foi justamente a velocidade. Ao chegar à base, Koxa percebeu que seguir pela linha tradicional faria a onda atingir seu corpo e precisou direcionar a prancha para cima, entrando parcialmente no tubo para escapar da chamada “guilhotinada”.
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— A minha linha foi no limite, dentro do pocket (a área de maior força e curvatura), na parte mais sinistra. Consegui descer reto, porque a formação era muito boa, lisa. Deu para colocar o bico para baixo mesmo e descer do lip à base — explicou.
A execução também pode ser decisiva para a análise. Diferentemente de situações em que se cruza a parede na diagonal, Koxa conseguiu percorrer o trajeto de cima para baixo, aproveitando toda a extensão. Segundo o surfista, isso torna o registro mais consistente para a medição.
Rodrigo Koxa comemora paredão surfado em Nazaré
Rennan Chaves
Disputa pelo recorde
Em 2017, o paulista surfou um “paredão” de 24,38 metros na mesma praia. A marca foi homologada pelo Guinness em 2018 e permaneceu intacta até 2022, quando foi superada por Steudtner.
A possibilidade de retomar a coroa ganhou um significado diferente para o brasileiro. Aos 46 anos, ele continua competindo e treinando com a equipe Go Big, criada para a preparação em Portugal.
— Recordes são raríssimos na história do surfe. Acaba sendo o prêmio máximo na carreira, o grande sonho: entrar para o Guinness com a maior onda já surfada — destacou.
Se a nova altura for validada, além de voltar ao topo do livro dos recordes, Koxa conquistará o título máximo da atual temporada.
Rodrigo Koxa exibe a placa do Guinness Book, o Livro dos Recordes
Luca Castro/@lucaxiz/@wavesbr
Amor pelas ondas gigantes
O atleta completa 47 anos em setembro, três dias depois da cerimônia na Califórnia. A chance de reviver a glória faz parte de uma trajetória que ele decidiu prolongar mesmo depois de seu primeiro recorde.
Após o marco de 2017, Koxa lembra que ouviu de pessoas próximas que poderia encerrar ali a carreira nas ondas gigantes. Em vez disso, fundou o time Go Big, passou a treinar com um novo propósito e continuou buscando formações diferentes.
— É um prazer muito grande mostrar para a galera do “40+” que o sonho não acaba quando os outros dizem que acabou. A gente pode usar a nossa experiência e o nosso conhecimento a favor da nossa história e fazer a diferença — pontuou.
Rodrigo Koxa
AFP PHOTO/ FRANCISCO LEONG
Para ele, a permanência na modalidade está ligada à relação que construiu com o mar. O surfista diz que a bagagem adquirida ao longo dos anos é parte fundamental da preparação para enfrentar as condições extremas de Nazaré.
— Costumo dizer que pegar uma onda gigante é como dançar com Deus, porque é sentir o presente pulsando na veia. É estar totalmente focado no agora — completou.
Em agosto, o surfista também deve lançar um curta-metragem sobre a trajetória em busca da marca. O projeto tem como título provisório “Déjà Vu – 8 anos depois do recorde”. geRead More


