‘Propaganda imperialista’ x ‘Lutar contra quem se opõe’: vídeo dos EUA sobre hegemonia nas Américas divide americanos
EUA publicam vídeo sobre doutrina e falam em domínio sobre as Américas
O vídeo publicado pelo governo de Donald Trump sob o lema “A dominância das Américas nunca será questionada de novo”, na terça-feira (11) provocou reações opostas nos Estados Unidos. Democratas criticaram a mensagem, enquanto republicanos da base do presidente a defenderam, chegando a falar em “lutar contra aqueles que se opõem”.
Apresentado pelo embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera, o vídeo de cinco minutos e meio discorre sobre eventos que aconteceram do século 19 até os dias atuais.
Cabrera cita ainda a captura de Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, e inclui uma frase de Trump durante um discurso: “A dominância norte-americana no hemisfério ocidental nunca será questionada de novo”.
Em junho, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, já havia colocado o tema novamente em pauta quando disse que “a doutrina Monroe está de volta em efeito total e mais forte que nunca” e voltou a citar um novo termo: doutrina Donroe, em referência ao primeiro nome do presidente, Donald.
Em resposta à RFI, o senador democrata pelo distrito de Columbia Paul Strauss criticou o vídeo. “A Doutrina Monroe foi uma expressão anticolonial de princípios estabelecidos para proteger nações recém-independentes que exerciam seu direito à autodeterminação há mais de dois séculos”, afirmou.
“Equipará-la às recentes tentativas do governo Trump de exercer ‘domínio’ constitui uma afronta direta a esses princípios.”
‘Propaganda imperialista’
Bandeira dos EUA pendurada em uma casa para o feriado do Dia da Independência
Bryan Snyder
A deputada democrata pelo estado de Illinois Delia Ramirez fez um comentário público sobre o vídeo institucional que chamou de “propaganda imperialista”.
A legisladora afirmou que “o legado da doutrina Monroe é a instabilidade política, pobreza, imigração extrema e colonialismo através da América Latina e o Caribe”. Ramirez nasceu nos Estados Unidos e é filha de imigrantes da Guatemala.
Do lado do partido do presidente norte-americano, as mensagens públicas foram de apoio. Nascido em Cuba, o deputado pela Flórida Carlos Gimenez publicou nas redes sociais uma frase que remete à descrição do movimento MAGA: “Faça as Américas Grandes de Novo”.
Ed Martin, aliado do presidente Trump e que já coordenou um grupo no Departamento de Justiça que investigou supostas perseguições políticas dentro da máquina governamental dos Estados Unidos, disse que “é importante conhecer essa doutrina histórica e lutar contra aqueles que se opõem a ela”.
Integrantes do alto escalão do governo falam há tempos sobre a mensagem da dominância norte-americana no continente. “Este é o nosso Hemisfério” foi uma publicação passada também na conta oficial do governo norte-americano.
Em 5 de janeiro, dois dias depois da captura do ex-ditador Nicolás Maduro pelo exército dos Estados Unidos em Caracas, a presidente do México, Claudia Sheibaum, comentou sobre a doutrina Monroe. Na época, Sheibaum disse que “as Américas não pertencem a qualquer poder”.
O que é a Doutrina Monroe
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 6 de agosto de 2026
REUTERS/Evelyn Hockstein
Anunciada por James Monroe em 1823, a doutrina fala essencialmente que as potências europeias não deveriam tentar estabelecer novas colônias ou interferir politicamente nas Américas.
Em contrapartida, os Estados Unidos se comprometiam naquele momento a não interferir nas guerras e disputas internacionais. James Monroe foi o quinto presidente dos Estados Unidos, de 1817 a 1825.g1 > Mundo Read More


