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20 anos da 1ª Libertadores do Inter: as emoções de Tinga e Abel Braga na conquista histórica

20 anos da 1ª Libertadores do Inter: as emoções de Tinga e Abel Braga na conquista histórica

Primeira Libertadores do Inter completa 20 anos amanhã
Há 20 anos a ser completos exatamente neste domingo, uma fria noite de quarta-feira entrou para a história do Internacional. Com o empate em 2 a 2 diante do São Paulo no Beira-Rio, o Colorado conquistava pela primeira vez a Conmebol Libertadores e mudava de patamar no futebol sul-americano. Da tarde deste sábado até o domingo, o ge remonta os bastidores daquela noite inesquecível com ajuda dos ídolos Abel Braga,Tinga e Bolívar.
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Mesmo passado tanto tempo, as memórias ainda estão frescas na cabeça e no coração de torcedores, dirigentes, comissão técnica e jogadores. Ao vencer por 2 a 1 no Morumbi, o Inter precisava apenas de um empate para conquistar o título em Porto Alegre.
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A empolgação tomava conta dos colorados. Desde a manhã, os torcedores já se aglomeravam nas imediações do Beira-Rio. Pouco importava a insistente garoa que teimava em cair.
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Churrascos surgiam aos borbotões para os torcedores passarem o tempo e renovarem as energias. O hotel da concentração colorada, nas cercanias do estádio, também recebia a multidão, ávida por um contato com os jogadores e por dar força ao grupo.
O nascimento das Ruas de Fogo
Aquilo aumentava a motivação. Quando a delegação deixou o hotel para cumprir a curta distância até o Beira-Rio, um enorme corredor vermelho se formou.
– Foi a primeira vez na final. Tivemos a sensação de passar por aquele mar vermelho. O torcedor, se pudesse pegar o ônibus no colo e levar até o vestiário para descermos, faria. Essa conexão nos levou aos títulos – valoriza Bolívar.
Inter é campeão da Libertadores de 2006; relembre
Aquele ato emocionou o grupo de Abel Braga. Por mais concentrados que estivessem, foi impossível não se sensibilizar com aquela demonstração de carinho.
– As pessoas choravam, gritavam e diziam para nós “preciso disso hoje. Se vocês ganharem, posso morrer amanhã”. Você ouvia de tudo. Era uma confusão com todos nos apoiando. Sabíamos que era algo único – se emociona Tinga.
O fantasma de 89
Apesar da motivação e vantagem, existia preocupação. O Inter não poderia deixar escapar. Afinal, o Grêmio já era bicampeão, e o fantasma de 1989 ainda assombrava.
Na ocasião, o Colorado enfrentou o Olimpia na semifinal do torneio. Ganhou por 1 a 0 em Assunção e trouxe do Paraguai a vantagem do empate. O Beira-Rio recebeu quase 70 mil pessoas em uma das noites mais traumáticas do estádio.
Sóbis marca dois gols contra o São Paulo na final da Libertadores de 2006
O time perdeu por 3 a 2 no tempo normal e Nilson errou o pênalti que garantiria a vaga. Nos pênaltis, os paraguaios venceram por 5 a 3 e eliminaram o Inter.
O treinador? Abel Braga! Sim, Abelão tinha a chance de redenção. E este cenário mexeu com o ídolo.
Juro que estava mais preocupado do que no primeiro jogo, quando fomos simplesmente brilhantes. A única coisa que não correu bem foi o gol sofrido. Pela atuação que tivemos, poderíamos ter decidido lá.
Relembre a semifinal da Libertadores entre Inter e Olímpia pela Libertadores de 1989
Para evitar uma nova frustração, o Inter se cercou de todos os cuidados. Nos bastidores, o clube agiu para que Ricardo Oliveira, centroavante do São Paulo, não pudesse participar.
A mudança
Em campo, Abel alterou o esquema. Como Fabinho estava suspenso pela expulsão no Morumbi, o treinador promoveu a entrada de Índio com Bolívar e Fabiano Eller em um esquema com três zagueiros. O objetivo era segurar Aloísio Chulapa.
– Sabíamos que jogaria o Chulapa e botei os três zagueiros. Tem um pouquinho do jogo do Olímpia, que está atravessado até hoje. Lembro das coisas boas, mas das ruins também – admite Abel.
Abel comandou o Inter na conquista da primeira Libertadores
Tomás Hammes
A alteração surpreendeu os jogadores. O Inter estava consolidado com dois zagueiros e não costumava atuar daquela forma.
O movimento causou questionamentos dos principais líderes, mas Abel foi fiel ao que pensava, até por sempre seguir o lema de “não ganhar ou perder com a cabeça de ninguém”.
– Os caras me questionaram na boa, Fabinho, Clemer, Fernandão. Falei para ficarem tranquilos, que treinaríamos e expliquei. Deu muito certo, né – vibra o ídolo.
Com certeza, Abelão!
Gol do título e cagaço
A estratégia deu certo. Fernandão abriu o caminho e Tinga marcou aquele que seria o gol do título. Ao completar de cabeça o cruzamento do capitão, o camisa 7 viveu dois sentimentos antagônicos: alegria e temor.
Eram 22 minutos do segundo tempo quando Tinga se abaixou para completar de cabeça para o fundo das redes e extravasou ao levantar a camisa. A comemoração gerou o cartão amarelo. Como já tinha um, acabou expulso.
Tinga se emociona ao relembrar a final da Libertadores de 2006
Tinga saiu de campo e ficou sozinho no vestiário por longos 28 minutos. Além de isolado, não tinha uma televisão para acompanhar o fim da partida e evitou ficar próximo ao rádio. Tentava adivinhar o que ocorria pelos saltos dos torcedores nas arquibancadas do antigo estádio.
– O rádio é muito mais emocionante ainda, né? Tanto para o bem quanto para o mal. Fui para o fundo da academia e fiquei ali. Só que os barulhos me confundiram. Não sabia se estava ganhando ou perdendo – revela o ex-volante.
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A tensão o corroía. Tinga já estava vendido ao Borussia Dortmund. Caso o título escapasse, ficaria marcado por deixar o time na mão. Tinha mais. O passado no Grêmio voltaria à tona.
– O Tinga sempre foi muito solidário conosco. Falávamos que um não carregava 10, mas 10 carregavam um. Foi o nosso momento de troca para carregá-lo – explica Bolívar.
O São Paulo até empatou, mas o Inter segurou a pressão e ficou com o título. Seu Gentil, o roupeiro da época, saiu em disparada aos berros para avisá-lo e abraçá-lo em lágrimas.
Tinga com a taça da Libertadores
Tomás Hammes
Tinga ouviu a gritaria da arquibancada antes de voltar ao gramado. Estava libertado ao mesmo tempo que foi um dos libertadores de milhões de colorados.
Foi o dia mais libertador da minha vida. Eu estava cagado no vestiário sozinho pensando o que seria. Foi maravilhoso e tenho certeza de que todos vibraram.
A festa no campo se perpetua até hoje. O domingo será dia de lembrar aquele “dia sem fim”, como ficou conhecido entre os colorados. O primeiro passo do time que ganharia o mundo meses depois e empilharia taças.
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