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Análise: jogadores atuando no sacrifício expõem o tamanho do abandono na Ponte

Análise: jogadores atuando no sacrifício expõem o tamanho do abandono na Ponte

Ponte Preta 0 X 2 Avaí | Melhores momentos | 24ª rodada | Série B
A Ponte Preta perdeu mais uma vez. Derrota por 2 a 0 para o Avaí, no último domingo, no Majestoso. O resultado amplia para 18 jogos a sequência sem vitórias na Série B, com 15 derrotas no período, e aproxima ainda mais o clube de um segundo rebaixamento na mesma temporada.
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Mas, assim como tem ocorrido ao longo dos últimos meses, o futebol é apenas parte da história. A declaração de Márcio Zanardi após a partida escancarou mais uma camada da dura realidade que a Ponte vive em 2026.
Segundo o treinador, o volante André Lima precisou tomar injeção para entrar em campo e “não tinha a mínima condição de jogar” por causa de uma lesão. Outros jogadores também têm atuado no sacrifício por falta de opções. Em um elenco reduzido pelos desfalques por lesões e suspensos, pelos problemas financeiros e pelos transfer bans, Zanardi tinha apenas 19 jogadores disponíveis contra o Avaí.
A frase que talvez mais chame atenção seja outra: em um cenário normal, esses atletas não jogariam. Mas a Ponte deixou de ser um lugar normal há muito tempo.
O clube que não consegue pagar salários em dia, que acumula atrasos superiores a um ano em alguns casos, que enfrenta problemas estruturais cotidianos e que frequentemente não oferece condições básicas de trabalho agora também depende do sacrifício físico dos seus profissionais para simplesmente continuar competindo.
Ponte Preta x Avaí, Série B
Igor Henrique / PontePress
Não deveria ser assim. Nenhum jogador deveria precisar entrar em campo nessas condições para defender um clube. Nenhum funcionário deveria conviver com incertezas permanentes para continuar exercendo sua profissão. Nenhum integrante de comissão técnica deveria precisar justificar semana após semana por que tenta encontrar soluções onde quase não existem ferramentas para trabalhar.
E é justamente aí que mora uma das maiores injustiças da atual crise pontepretana. Os que mais têm demonstrado respeito à camisa da Ponte Preta são os que mais sofrem com a situação da Ponte Preta.
Jogadores seguem entrando em campo mesmo diante de meses de atrasos. Funcionários seguem trabalhando apesar das dificuldades financeiras acumuladas. A comissão técnica continua tentando manter algum nível de competitividade em um contexto que há tempos deixou de ser sustentável.
Enquanto isso, os resultados se acumulam em forma de derrotas, recordes negativos e rebaixamentos. O que se vê hoje não é apenas um time em queda livre. É um grupo de profissionais tentando sobreviver dentro de uma crise produzida por outros.
Se a Ponte caminha para repetir na Série B o destino que já sofreu no Campeonato Paulista, os responsáveis não são aqueles que entram em campo machucados, improvisados ou no limite físico. Tampouco os que permanecem trabalhando mesmo sem receber aquilo que lhes é devido.
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André Lima em ação no duelo da Ponte contra o Avaí
Igor Henrique / PontePress
Os responsáveis são aqueles que conduziram o clube até esse estado de degradação institucional e financeira. A história da Ponte Preta está sendo ferida há tempos. A diferença é que, agora, as marcas aparecem também nos corpos de quem tenta carregá-la.
E talvez não exista retrato mais triste da atual Ponte do que esse. Os que mais lutam por ela são justamente os que mais estão pagando a conta, abandonados à própria sorte por quem deveria oferecer pelo menos o básico.
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