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“Grande Futuro”, tupiniquim que viralizou por jogar com grafismo no corpo, conquista primeiro título oficial

“Grande Futuro”, tupiniquim que viralizou por jogar com grafismo no corpo, conquista primeiro título oficial

Porto Vitória 1 x 1 Doze | Gols | Final | Campeonato Capixaba Sub-11 2026
Nos pênaltis, o Porto Vitória conquistou o pentacampeonato do Campeonato Capixaba Sub-11. Mas, para que a decisão chegasse às penalidades, um jovem descendente do povo tupiniquim, chamado Bryan Pereira, precisou entrar em campo e mudar a história da partida. Não coincidentemente, em tupiniquim, seu nome é Irãguasu, que significa “grande futuro”. Mas, na decisão do Estadual, Bryan mostrou que, enquanto esse futuro não chega, ele já é um grande presente.
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Disputada em dois tempos de 25 minutos, a final teve o Doze abrindo o placar aos 20 minutos da primeira etapa. No segundo tempo, Bryan entrou em campo e mudou o rumo da decisão. O jovem tupiniquim sofreu a falta, foi para a cobrança e colocou a bola na área. O goleiro adversário não conseguiu segurar e, no rebote, o zagueiro Artur Rosa deixou tudo igual para o Porto Vitória. Nos pênaltis, Bryan também converteu sua cobrança e ajudou a equipe a conquistar mais um título estadual.
– Nem tenho palavras como dizer, naquela hora eu falei agora é a hora. Deus me deu a oportunidade, eu fiquei muito alegre, primeira vez que sou campeão estadual de futebol – disse Bryan, em entrevista para o ge.globo.
Bryan Pereira, descendente de Tupiniquim e jogador de futebol do Porto Vitória Sub-11
Henrique Montovanelli/FES
Natural da Aldeia Pau Brasil, em Aracruz, Bryan viralizou nas redes sociais em 2025 após aparecer jogando futsal e futebol com o corpo pintado com os grafismos de seu povo, algo inédito no futebol do Espírito Santo até então. A repercussão chamou a atenção do Porto Vitória, que o viu em ação e fez o convite para que o jovem participasse de uma peneira no clube.
– Me viram jogando e foram atrás de mim, me chamaram pra fazer a peneira e passei, depois de cinco semanas treinando fui aprovado e fiquei muito feliz – afirmou Bryan, em entrevista ao ge.globo.
Bryan Pereira, descendente de Tupiniquim e jogador de futebol do Porto Vitória Sub-11
Andrea Soares
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Representatividade
Acostumado a chamar atenção e gerar curiosidade pelos grafismos pintados pelo corpo, Bryan faz questão de levar sua cultura para dentro do campo. Para ele, as pinturas não são apenas um detalhe visual. Elas carregam sua história, sua espiritualidade e a presença de seus ancestrais.
– Representa vários sentimentos, mas, para mim, representa espiritualidade, ancestralidade e proteção. Eu me sinto feliz quando jogo. Não importa se é uma pintura mais detalhada ou não, o que importa é estar representando – relatou Bryan, em entrevista ao ge.globo.
Bryan Pereira, descendente de Tupiniquim e jogador de futebol do Porto Vitória Sub-11
Carlos Alberto / A Gazeta
Mas, antes de vestir a camisa do Porto Vitória e chamar a atenção pelo futebol e pela representatividade, Bryan já acompanhava de perto outro jogador: o próprio pai, Maik. Desde pequeno, ele ia aos jogos da comunidade para assistir ao pai atuar e, quando não podia acompanhá-lo, ficava em casa, inconformado, batendo bola e sonhando com o momento em que também poderia entrar em campo.
– Eu jogava lá na comunidade. Nossa aldeia sempre teve competição entre os povos. Aí ele ia lá no alambrado assistir o pai dele jogar e fazer os gols. Quando ele começou a jogar, a gente viu que ele queria levar também o grafismo para o campo. No início, a gente ficava meio balançado, porque existe muito preconceito. Mas percebemos que muitas pessoas olhavam para ele com curiosidade e perguntavam o que significava, de onde aquilo vinha. Então, deixamos que ele mesmo pudesse contar a sua história – contou Maik, em entrevista ao ge.globo.
Bryan Pereira, descendente de Tupiniquim e jogador de futebol do Porto Vitória Sub-11com seu pai, Maik Pereira, e sua mãe, Ketelly Lopes
Andrea Soares
Em uma final em que Bryan foi decisivo para o pentacampeonato, o significado de “grande futuro” ganhou ainda mais força. Talvez o futuro de Irãguasu esteja, de fato, adiante. Mas, a cada partida, o jovem já começa a construir um legado que vai muito além do menino que entra em campo com seus grafismos no corpo. Um legado que carrega a história de seu povo, a força de suas raízes e que, quem sabe, ainda seja muito maior do que ele próprio é capaz de imaginar.
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