Opinião: Série C ainda não é uma realidade matemática, mas deixou de ser hipótese absurda no Ceará
Chamada do Ceará com Giovanna Borges
O torcedor do Ceará que, a essa altura, ainda não pensa na Série C do Campeonato Brasileiro está tentando não sofrer por antecipação. Afinal, se os próximos passos desse percurso continuarem a ser dados da forma como estão agora, o futuro na terceira divisão será inevitável. Não estão errados os que preferem não antecipar esse sofrimento. O problema é o clube parecer não traçar uma nova rota para mudar o próprio percurso.
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Com Mozart no comando do Alvinegro, muito se falou sobre o “botão de sobrevivência”. O treinador foi demitido ainda no dia 31 de maio. Três meses atrás. E o botão ainda não foi acionado. Não há discurso que prove o contrário.
Basta olhar para a tabela da Série B. O Ceará segue na 17ª posição, com sete vitórias em 25 jogos disputados e aproveitamento de 37% na competição. Baixo para quem ainda tenta escapar de um cenário que, rodada após rodada, deixa de ser ameaça para se aproximar da realidade.
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A catastrófica temporada começou ainda na montagem do elenco – sem considerar os 30 minutos que fizeram o Ceará estar onde está hoje. Sete dos 11 jogadores contratados deixaram o clube. Não foi sem motivo. Renderam pouco, e o Ceará precisava se desfazer deles para tentar, minimamente, aliviar o sufoco. Em troca, fez o quê? Buscou jogadores que estavam há algum tempo longe dos gramados, sem clube ou sem espaço nas equipes. Tudo isso para correr atrás de um prejuízo construído pelo próprio clube.
A corrida está sendo feita quando quase não há mais tempo. Jogadores ainda sem a condição física ideal entram em campo para tentar resolver – ou, pelo menos, amenizar – os danos sofridos pelo Ceará. Há seis dias, Lenny Lobato dizia, em entrevista coletiva, que não atuava havia três meses e que chegava ao Alvinegro com “pouco ritmo de jogo”. Neste domingo (30), entrou em campo quando o Vila Nova já vencia por 1 a 0.
Lenny Lobato em campo no Ceará
Felipe Santos/Ceará SC
O técnico usa o que tem à disposição. Ao jogador, cabe assumir a responsabilidade e tentar responder dentro de campo. Mas o Ceará não deveria ter chegado ao ponto de precisar buscar respostas emergenciais em jogadores que ainda tentam recuperar o próprio ritmo.
Lenny Lobato surge como uma opção para Daniel Paulista quando os atacantes que estão em campo não respondem. Wendel Silva nem é mais opção, mesmo estando no elenco. Então cabe ao treinador buscar respostas também em quem ainda tenta recuperar ritmo de jogo.
Enzo Lodovico em Vila Nova x Ceará
Felipe Santos/Ceará SC
Resta algo?
A essa altura, não sei o que ainda falta ao Ceará para consolidar uma das piores temporadas de sua história recente. Salários atrasados, uniforme da temporada que não existe, um time que não responde em campo, contratações difíceis de justificar, problemas envolvendo as lojas do clube, déficit milionário. Os problemas deixaram de ser episódios isolados. Viraram um cenário comum.
E talvez esse seja o maior problema do Ceará hoje. A Série C ainda não é uma realidade matemática, mas já deixou de ser uma hipótese absurda. Enquanto o clube tenta apagar incêndios provocados ao longo da própria temporada, o campeonato continua. A cada rodada, sobra menos tempo para corrigir decisões que deveriam ter sido tomadas meses atrás.
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A sequência do Ceará na Série B não é fácil. A missão é vencer. E, quando isso não acontecer, ao menos é preciso enxergar dentro de campo uma postura diferente da que tem sido vista. Sofreu o gol? Reaja. Está perdendo por dois? Tente diminuir. A mudança de postura também é o primeiro passo para mudar o rumo de uma temporada. Vencer equipes que estão no topo da tabela será um desafio e tanto. Mas não é impossível.
O botão de sobrevivência existe. E, de alguma forma, pode ter começado a ser apertado. O problema é que isso acontece tarde demais para quem já teve tempo de sobra para perceber a gravidade da situação.
O Alvinegro não está reagindo tarde às consequências dos próprios erros. E agora precisa correr para que o caminho construído até aqui ainda possa levar a outro destino. geRead More


