Irã condena à morte manifestante que perdeu um olho nos protestos de 2022, segundo ONG
Manifestantes protestam durante funeral de três iranianos mortos baleados durante manifestação na província de Khuzenstão, no Irã, em 18 de novembro de 2022.
Alireza Mohammadi/ AFP
Um tribunal iraniano condenou à morte um jovem que perdeu um olho durante a repressão aos protestos de 2022, buscou refúgio na Alemanha e expressou publicamente apoio à monarquia derrubada em 1979, denunciaram organizações de defesa dos direitos humanos.
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Ali Zarei, 27 anos, foi considerado culpado no mês passado pelo crime de “corrupção na terra” e condenado a ser executado na forca, informaram a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA) e o Centro pelos Direitos Humanos no Irã (CHRI).
As circunstâncias de seu retorno ao Irã no início do ano continuam incertas. Poucos meses antes, ele havia participado de um protesto em fevereiro em Munique, organizado por Reza Pahlavi, filho do xá derrubado durante a Revolução Islâmica de 1979. Na ocasião, ele fez um discurso contra a República Islâmica.
Segundo organizações de direitos humanos, o Irã executou, nos últimos meses, dezenas de pessoas condenadas por acusações relacionadas aos protestos antigovernamentais, em um contexto marcado por tensões e pela guerra com Israel e Estados Unidos.
O CHRI acusou o governo iraniano de usar a pena de morte como ferramenta de retaliação e repressão contra seus opositores.
No Irã, manifestantes queimam casa de fundador da república Islâmica durante protestos de 2022.
Relembre os protestos
Em 2022, manifestantes iranianos foram às ruas protestar contra o regime islâmico no país. De acordo com organizações de direitos humanos, mais de 380 pessoas morreram, incluindo pelo menos 47 crianças, durante as manifestações.
O país viveu uma onda de protestos, que eclodiram em reação ao caso da jovem curda Mahsa Amini, de 22 anos, que apareceu morta após ser presa pela chamada polícia dos bons costumes do país por “uso inadequado” do véu islâmico, obrigatório no Irã.
Em janeiro deste ano, novos protestos tomaram as ruas do país por conta do aumento do custo de vida e de uma crise econômica que o governo iraniano atravessava. O alcance da nova onda de manifestações foi maior que a de quatro anos atrás.
A crise no país só aumentou depois dos bombardeios americanos e israelenses, que começaram em janeiro, levando o mundo a uma crise de abastecimento e aumento do valor do barril de petróleo, por conta do fechamento do Estreito de Ormuz.g1 > Mundo Read More


