Análise: entenda por que a Ferrari pode ser considerada favorita em Monza
Jornalista Rodrigo França explica por que a Ferrari pode ser favorita no GP da Itália
Jogar em casa é uma vantagem considerável no futebol, e na F1 a analogia mais próxima disso acontece com a Ferrari no GP da Itália, que será disputado neste final de semana em Monza. Não importa como a equipe italiana vem desempenhando no ano: a prova na tradicional pista da região de Milão é sempre encarada como a etapa mais importante do ano.
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Antonelli ou Ferrari? Ascensão do piloto cria dilema na torcida italiana
Lewis Hamilton e Charles Leclerc no GP da Áustria da F1 em 2026
Guenther Iby/SEPA.Media /Getty Images
Não por acaso, é sempre em Monza onde a Ferrari traz melhorias para seu carro, e em 2026 ela virá diretamente na parte mais importante para um bom rendimento no circuito italiano: o motor.
A unidade de potência da escuderia de Maranello foi avaliada no ADUO (mecanismo de oportunidades de desenvolvimento a motores deficitários) da FIA abaixo de 4% da referência da melhor (o motor Red Bull-Ford) e, portanto, permitiu que houvesse um trabalho para um ganho de performance na unidade de potência que estreia neste GP.
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Nesta quinta-feira, nas entrevistas oficiais do “dia de imprensa” do GP da Itália, tanto Lewis Hamilton quanto Charles Leclerc se mostraram confiantes em lutar pela vitória, mas evitaram criar euforia na torcida por conta do motor. Afinal, o gerenciamento de energia com os novos carros da F1 também é fundamental para um bom desempenho, e Monza será uma pista onde este fator será extremamente importante, já que os longos trechos de reta consomem muita energia.
Motivação não falta para a dupla de pilotos: Hamilton busca se tornar o maior vencedor da história do GP da Itália, hoje estando empatado com Michael Schumacher – que por sinal está sendo homenageado no final de semana com uma bela pintura da Ferrari, toda em vermelho para o final de semana em Monza.
Visão aérea do carro da Ferrari para o GP da Itália de F1 2026
Divulgação
Como vice-líder do campeonato, o britânico tem que aproveitar o final de semana correndo em casa para diminuir a desvantagem de 58 pontos para Kimi Antonelli, que largará no final do grid por conta da punição por troca de motor. É uma oportunidade para, voltando na comparação com o futebol, usar o fator casa para ampliar bem o placar, já que o piloto da Mercedes virá forte nas etapas seguintes.
Para Leclerc, a corrida em Monza pode significar sua entrada de vez na disputa pelo título. Atualmente 2 pontos atrás de Hamilton, ele precisa mostrar para a Ferrari que também segue forte na luta contra Mercedes e McLaren – e diminuir também as polêmicas após não ter ajudado a estratégia de Hamilton na Holanda, por exemplo (algo que as Mercedes fazem com melhor administração).
Um problema para o monegasco, que já venceu em Monza duas vezes (2019 e 2024) é que na classificação deste ano, a prioridade de escolha de estratégia é de Hamilton – e o vácuo pode fazer grande diferença na classificação (embora Leclerc também tenha explicado que isso não significa que ele sacrificará a sua volta, apenas o britânico tem a vantagem de escolher o melhor momento de saída, que deve ser logo depois do companheiro de equipe).
Charles Leclerc em entrevista coletiva antes do GP da Itália
Guglielmo Mangiapane/Reuters
Mas nem tudo em Monza é sobre a classificação. Com a pista de maior velocidade do ano e repleta de oportunidades de ultrapassagens, o pole só venceu em três ocasiões nos últimos dez anos. Outra boa notícia da Ferrari é que as duas equipes que chegam com maior favoritismo nesta temporada na Itália estão há muito tempo sem vencer no circuito italiano.
A McLaren, que vem de duas vitórias seguidas com Lando Norris na Holanda e na Hungria, não vence em Monza desde 2021, com a então “zebra” Daniel Ricciardo. E a Mercedes não vence desde 2018 – não por acaso nesta quinta-feira George Russell fez questão de dizer que a luta pela vitória será bem aberta entre as quatro grandes: Mercedes, McLaren, Ferrari e Red Bull.
No caso desta última, o retrospecto em Monza tem sido excelente: Max Verstappen venceu no ano passado e também em 2023 e 2022. O problema é que, no novo regulamento, a Red Bull ainda não triunfou nesta temporada.
Verstappen e Hamilton brigam por posição no GP da Áustria
Guido De Bortoli/LAT Images
Com o maior vencedor dos últimos cinco anos sofrendo com o carro de 2026 (Verstappen) e as duas maiores equipes do momento atual da F1 sofrendo jejum recente de vitórias em Monza (McLaren sem vitórias desde 2021 e Mercedes desde 2018), mais do que nunca a Ferrari usará o fator casa para embalar de vez como uma das favoritas ao título de 2026.
Nesta sexta-feira, nos treinos livres, será a primeira demonstração de força do potencial de vitória do time italiano. E vale lembrar: em Mônaco e na Hungria, a equipe chegou como favorita e terminou sem o troféu de primeiro lugar. Mas em Barcelona e Silverstone, a expectativa era baixa e Hamilton e Leclerc venceram, respectivamente. Em Monza, a lição é sempre a mesma: não duvidar da Ferrari, não importa a fase em que ela esteja vivendo no campeonato.
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