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Inquérito que investiga suposta manipulação de resultados no futebol tocantinense segue em andamento

Inquérito que investiga suposta manipulação de resultados no futebol tocantinense segue em andamento

Brasiliense aplica 10 a 0 em cima do Interporto
Divulgação
As investigações sobre suposta manipulação de resultados envolvendo os clubes tocantinenses Capital e Interporto no Campeonato Brasileiro Série D seguem em andamento de forma independente na Polícia Civil.
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A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO) ao ge, que também procurou as diretorias das equipes para se manifestar. O Capital informou que não tem nada a declarar no momento, enquanto o Interporto não enviou resposta até a publicação desta reportagem.
O inquérito referente ao Interporto Futebol Clube é conduzido pela 70ª Delegacia de Polícia de Porto Nacional, enquanto a investigação sobre o Capital FC está a cargo da 71ª Delegacia de Polícia.
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Em nota ao ge, a SSP-TO destacou que as equipes de investigação concentram os trabalhos na análise detalhada de documentos, no cruzamento de dados e na checagem de elementos probatórios já colhidos, além de cumprirem outras diligências necessárias para a conclusão dos inquéritos. A pasta ressaltou que, para resguardar a eficácia das apurações e não comprometer os trabalhos policiais, maiores detalhes sobre as provas reunidas permanecem sob sigilo.
As suspeitas envolvendo o Interporto remontam à disputa da Série D de 2023. O primeiro alerta formal partiu da própria direção do clube, após a equipe sofrer uma goleada por 8 a 1 para o Iporá-GO, pela segunda rodada da competição, no mês de maio daquele ano.
Na ocasião, o então presidente do clube, Renato Godinho, registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil de Porto Nacional. No documento, o dirigente pontuou estranheza pelo fato de o time ter encerrado a primeira etapa perdendo por apenas 1 a 0 e, em menos de dez minutos no início do segundo tempo, ter sofrido três gols em sequência, apontando possível fraude esportiva.
A crise ganhou repercussão nacional em julho de 2023, quando o Tigre de Porto Nacional sofreu um histórico revés por 10 a 0 diante do Brasiliense-DF. O resultado tornou-se, na época, a maior goleada da história de todas as divisões do Campeonato Brasileiro, superando a marca de 1983 estabelecida no confronto entre Corinthians e Tiradentes-PI (10 a 1).
Após a partida no Distrito Federal, a diretoria do Interporto foi novamente à delegacia e registrou uma segunda ocorrência, relatando que o clube sofreu quatro gols nos primeiros dez minutos de jogo. O time encerrou a Série D de 2023 com a pior defesa do torneio nacional: 47 gols sofridos e apenas três marcados em 14 partidas.
Interporto x Brasiliense pela Série D
Horlan Tavares
Em abril de 2024, o caso ganhou novos desdobramentos com a divulgação do relatório da Sportradar, empresa internacional especializada no monitoramento de integridade esportiva. O documento apontou cinco jogos do Interporto na Série D de 2023 como suspeitos de manipulação de apostas.
Iporá-GO 8 x 1 Interporto (2ª rodada)
Anápolis-GO 7 x 0 Interporto (7ª rodada)
Operário-VG (MT) 6 x 0 Interporto (9ª rodada)
Brasiliense-DF 10 x 0 Interporto (12ª rodada)
União Rondonópolis-MT 3 x 0 Interporto (14ª rodada)
Diante dos relatórios, Renato Godinho foi intimado a prestar esclarecimentos ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Em seguida, o dirigente renunciou à presidência do clube, que hoje está sob o comando de Wilton Belém.
No caso do Capital FC, as investigações vieram a público em abril de 2024. A Polícia Civil esteve no alojamento da equipe, em ação conduzida pela 71ª Delegacia, após a própria diretoria do clube procurar as autoridades para relatar indícios de aliciamento e suposta tentativa de fraude entre atletas durante a Série D daquele ano.
Durante a ação, policiais ouviram seis jogadores e integrantes da comissão técnica, além de apreenderem um aparelho celular para perícia. De acordo com informações policiais da época, depoimentos apontaram que intermediários de esquemas de apostas teriam oferecido quantias na faixa de R$ 15 mil a atletas para interferir no andamento de jogos.
Anápolis vence o Capital pela 3ª rodada da Série D
Djavan Barbosa/ Jornal do Tocantins
Os crimes investigados no âmbito esportivo e criminal englobam fraude a resultados esportivos, associação criminosa e eventual lavagem de dinheiro. Naquela temporada de estreia na quarta divisão nacional, o Capital terminou na lanterna de seu grupo, somando dez derrotas, dois empates e duas vitórias em 14 partidas, sofrendo 29 gols.
O Capital FC divulgou nota oficial à época informando que tomou a iniciativa de denunciar os indícios às autoridades e reforçou estar à disposição da polícia, defendendo punições rigorosas e o banimento do esporte caso fossem comprovadas condutas ilícitas de atletas.
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