Análise: Remo estaciona ônibus contra Flamengo e vê limitação técnica manter time parado
Remo x Flamengo – Melhores Momentos
Como esperado, a postura do Remo contra o Flamengo foi bem diferente daquela apresentada no jogo contra o Coritiba. No último domingo, dia 6, novamente no Mangueirão, o time de Léo Condé “estacionou o ônibus”, fechou o meio-campo e viu o adversário ficar com a bola.
Dá até para dizer que a estratégia funcionou no primeiro tempo. O Leão não concedeu chances claras a um rival de evidente superioridade técnica. Para tentar conter o Rubro-Negro, o Remo formava uma linha de defesa com cinco e, em alguns momentos, até seis jogadores.
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Não é a primeira vez que o Flamengo encara um time tão fechado. Mesmo diante do ferrolho adversário e em uma tarde pouco inspirada, a equipe carioca encontrava algumas soluções e conseguia explorar os espaços entre os laterais e os zagueiros azulinos.
Gabriel Taliari, atacante do Remo
Samara Miranda/Remo
Em meio aos 701 passes trocados pelo Flamengo, o Remo conseguia, em alguns poucos momentos, engatar um contra-ataque e chegar ao ataque. Aos 26 minutos, Taliari recebeu dentro da área, teve a oportunidade de finalizar, mas hesitou. Aos 40, o mesmo atacante recebeu, sozinho, um excelente cruzamento de Marcelinho, hoje o principal jogador de linha da equipe, e cabeceou nas mãos de Rossi. Até aquele momento, nem mesmo o Flamengo havia criado uma oportunidade tão clara.
Aos 44 min do 1º tempo – cabeceio defendido de Gabriel Taliari do Remo contra o Flamengo
Não precisa ser um grande conhecedor de futebol para saber que desperdiçar chances contra um adversário tão duro poderia custar caro. Certamente, os torcedores azulinos lembraram das oportunidades perdidas contra o Coxa.
No segundo tempo, após Lino acertar a trave, Marcelinho, a única peça ofensiva do Remo que funcionava de maneira consistente, cruzou a bola com muita qualidade novamente. Desta vez, foi Picco quem subiu livre e cabeceou para fora.
Dois minutos depois, veio um lance que “valeu o ingresso” e que certamente aparecerá em qualquer vídeo sobre Marcelo Rangel. Pedro recebeu um bom cruzamento na pequena área, praticamente embaixo da trave, para marcar o gol do Flamengo. O goleiro azulino, porém, fez um verdadeiro milagre para evitar o gol.
Aos 10 min do 2º tempo – defesa difícil de Marcelo Rangel do Remo contra o Flamengo
Se o Remo tivesse pelo menos mais dois jogadores do nível de Marcelo Rangel, certamente estaria em uma situação mais confortável no Brasileirão. O arqueiro do Leão fez o que pôde. Nove minutos depois daquele “milagre”, porém, uma jogada escancarou a diferença de investimento, de posição na tabela e, principalmente, de qualidade entre as duas equipes.
Mesmo fechado, o Remo viu Arrascaeta passar por Picco com facilidade e servir Lino, que vive fase espetacular. A defesa do Leão foi furada com poucos toques. Praticamente dois jogadores desmontaram todo o sistema defensivo azulino.
Do outro lado, Alef Manga não aproveitou uma bobeada da defesa do Flamengo e tomou mais uma decisão errada: tocou mal em um lance em que claramente deveria ter chutado, irritando os torcedores no Mangueirão.
No fim das contas, são lances assim que ajudam a explicar por que um time está na primeira colocação e o outro, em 19º.
É claro que torcedores e jogadores do Remo não devem simplesmente aceitar a derrota para o Flamengo. Mas é um resultado que pode ser considerado natural quando se leva em conta a realidade dos dois clubes.
O que realmente incomoda e pesa são as 29 chances desperdiçadas contra o Coritiba e os pontos perdidos contra o Atlético-MG, em duas partidas disputadas em casa. Com a vitória do Mirassol, nem mesmo um resultado positivo na próxima rodada será suficiente para tirar o Remo da zona de rebaixamento. Até a lanterna Chapecoense fez mais pontos nas últimas cinco rodadas.
O Remo parece ter chegado ao seu teto. A equipe consegue competir em determinados momentos, pode dificultar a vida de adversários superiores e tem em Marcelo Rangel um goleiro capaz de salvar pontos. Mas, ao longo do campeonato, as limitações técnicas aparecem justamente nos momentos que definem os jogos.
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