Até 2kg a menos por dia e foto com Ivete: atriz revela bastidores de trabalho como mascote da Rio 2016
Até 2kg a menos em um dia e foto com Ivete: os bastidores da vida de mascote na Rio 2016
Em grandes eventos esportivos, o foco do público tende a se voltar aos atletas. Mas outras pessoas também desempenham funções essenciais para o bom andamento da competição. Aylla Lacerda já foi uma dessas protagonistas quase “invisíveis”. Ela deu vida a Tom, mascote das Paralimpíadas de 2016, que completam 10 anos nesta segunda-feira (7). Por meses, bem mais tempo do que os 12 dias do calendário oficial dos Jogos, a atriz vestiu uma fantasia pesada, participou de festividades e conviveu com atletas e torcedores. Tudo em completo anonimato.
+ De escola pública inédita a lixo e abandono: o legado da Rio 2016 dez anos depois
+ Árbitro sensação na Rio 2016 registra marca “Rosário do Brasil” e vira estrela em torneios de boxe
+ Golfe, dominó, drama e retomada: as vidas de Phelps, Bolt, Biles e Riner 10 anos após a Rio 2016
Aylla Lacerda e o marido, Eric Malvão, seguram bonecos de Tom e Vinícius, mascotes da Rio 2016
Lucas Espogeiro
O contrato de confidencialidade feito pela organização da Rio 2016 impediu Aylla de falar sobre o trabalho como mascote por alguns anos. Hoje liberada do vínculo, a atriz conversou com o ge e contou detalhes da experiência nas Paralimpíadas. Disse, por exemplo, que a exigência física era alta. Em determinado momento, a fantasia de Tom chegou a ter 13kg, mas passou por mudanças para pesar menos.
– Todo mundo costuma falar: “tem que comer bastante”. Se eu comesse e entrasse na fantasia do Tom, passava mal, porque a roupa apertava o meu abdômen. Era uma coisa que exigia muito do físico. Acho que eu já perdi dois quilos em um único dia, de tanto suor. E olha que nem suo muito – contou Aylla, no Maracanã, palco das cerimônias de abertura e encerramento das Paralimpíadas de 2016.
Aylla detalha exigências ao trabalhar como mascote da Rio 2016: “Já perdi 2kg em um dia”
Nos Jogos do Rio, a atriz trabalhou com Eric Malvão, seu então namorado e agora marido. Também ator, ele atuou como diretor artístico nas Olimpíadas e Paralimpíadas, definindo movimentações das mascotes, criando coreografias e guiando as pessoas que vestiam as fantasias, como Aylla.
Eric ainda participou do processo seletivo que escolheu os responsáveis por dar vida a Tom e Vinícius, mascote das Olimpíadas. Aylla acabou ajudada por uma característica não tão valorizada: a baixa estatura.
– Para vestir a mascote paralímpica, precisava ser baixinho. Tenho 1,60m. Nunca achei que a minha altura fosse me conceder algum trabalho. Porque eu sempre quis ser alta, né? No fim das contas, foi maravilhoso. Era muito difícil vestir o Tom, porque ele era claustrofóbico, pesado demais. Mas, quando eu estava dentro da fantasia, não adiantava, não queria sair – recordou Aylla.
Aylla Lacerda diz que ter 1,60m de altura a ajudou a assumir papel de mascote paralímpico
Durante as Paralimpíadas, a atriz foi levada para diferentes locais de competição. Passava horas debaixo da roupa de Tom e tinha a missão de divertir os torcedores. Depois de 10 anos, guarda lembranças das interações com quem ia assistir às disputas e com quem participava ativamente delas.
– No início, eu ainda ficava sorrindo para foto dentro da cabeça. Mas, depois, esse processo se tornou mais automático. Era muito legal quando tinha interação com criança, que te vê ali como um desenho, só que ao lado dela. Eu gostava, ficava horas tirando fotos. Também adorava a relação com atletas. Eles eram muito legais e falavam bastante com as mascotes – relatou Aylla.
+ Bruno Fratus reforça equipe da Globo e será referência olímpica até Jogos de Los Angeles 2028
+ Entenda como o Brasil deixou de ser coadjuvante e virou potência na canoagem velocidade
+ Veja notícias relacionadas a esportes paralímpicos
Aylla Lacerda, vestida de Tom, posa com torcedores nas Paralimpíadas de 2016
Arquivo pessoal
Como se nota pelas palavras da atriz, a experiência na Rio 2016 deixou memórias positivas. Mas um dia foi especialmente marcante – e, por isso, o papo com o ge ocorreu no Maracanã. O estádio recebeu a cerimônia de encerramento das Paralimpíadas, em 18 de setembro, com show de Ivete Sangalo. Aylla, sob a fantasia de Tom, e Eric chegaram a subir ao palco.
Filho de Ivete Sangalo pediu para tirar foto com mascote no encerramento das Paralimpíadas
A participação do casal na apresentação da cantora não estava no planejamento inicial, mas foi possível graças a um episódio inusitado nos bastidores.
– Estávamos no túnel do Maracanã, e o carro da Ivete entrou. Só não sabíamos que era ela. De repente, abriram a porta, e uma criança saiu correndo para abraçar o Tom. Virei e comecei a brincar com o garoto. Daqui a pouco, vem a Ivete, de roupão, com a toalha na cabeça e óculos escuros. Parou do meu lado e falou assim: “Bata uma foto dele aí, rapaz. Bata uma foto”. A criança era o filho dela. Olhei, meio sem acreditar que estávamos todos ali. Depois, fui conversar com o pessoal da Rio 2016 e tentar encontrar uma forma de entrar no show – explicou Eric.
A partir daí, se desenrolou uma negociação para que Aylla, com a fantasia de Tom, participasse da apresentação de Ivete. No fim, tudo deu certo, e o encerramento das Paralimpíadas se tornou um dos momentos mais especiais para a atriz, que ainda teve acesso ao camarim e tirou foto com a cantora.
Aylla Lacerda posa com Ivete Sangalo nos bastidores do encerramento das Paralimpíadas do Rio
Arquivo pessoal
Muitos artistas que participaram do desenvolvimento das mascotes, inclusive, mantiveram contato na última década. Aylla e Eric continuaram trabalhando no ramo e prestaram serviços a clubes de futebol, como Flamengo e Fluminense. Hoje, no entanto, se dedicam ao teatro, paixão do casal. Garantem que tiveram ganhos profissionais com a experiência adquirida na Rio 2016, mas também celebram as vitórias pessoais. Depois dos Jogos, os dois se casaram. Ainda viraram pais da pequena Lavínia, de quatro anos.
– O trabalho com as mascotes ajudou bastante gente. Para mim, foi muito bom ter a sensação de que pude proporcionar isso. Quando as Olimpíadas acabaram, o Fantástico fez uma matéria com o Vinícius. Meu celular começou a tocar, cheio de agradecimentos, mensagens emocionadas de pessoas que cresceram com o projeto que tocamos. Chorei muito, porque estamos falando da transformação de vidas – afirmou Eric.
Aylla e Eric com a filha do casal, Lavínia
Lucas Espogeiro
Agora, uma década depois dos Jogos do Rio, uma frase do ator resume o pensamento de quem contribuiu para o evento:
– Foi muito cansativo, mas valeu a pena, e eu faria tudo de novo. geRead More


