GP da Espanha terá sexta pista diferente como sede e volta a Madri após 45 anos
Veja imagens de teste da Fórmula 3 no novo circuito de Madring
O GP da Espanha deste domingo (13) vai ser uma atração especial por si só. Depois de quatro décadas recebendo a etapa espanhola da Fórmula 1, o circuito de Barcelona dá lugar ao novo Madring, construído em Madri, capital do país. A pista semipermanente de 5.416km será o palco do retorno da F1 à província de Madri após 45 anos.
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Vista do Circuito Madring, do lado de fora, em junho de 2026
Eduardo Parra/Europa Press via Getty Images
A última corrida da Fórmula 1 realizada na província aconteceu em 1981 no circuito de Jarama, situado na cidade de San Sebastián de los Reyes, 20 quilômetros ao norte da capital. Depois de um hiato de quatro anos sem GP da Espanha, a prova voltou em 1986, mas no circuito de Jerez. Desde 1991, o grande prêmio era realizado em Barcelona.
Neste domingo, o Madring vai se tornar o sétimo circuito espanhol a receber uma corrida de Fórmula 1 desde 1951, e o sexto a sediar o GP da Espanha – Valencia recebeu cinco provas entre 2008 e 2012, mas com o nome de GP da Europa.
Conheça abaixo todas as sedes do GP da Espanha de F1 ao longo dos anos, partindo da mais recente para a mais antiga:
Madring (2026)
O novo circuito da Fórmula 1 foi construído ao redor do Centro de Exibições IFEMA, em Madri. O Madring foi projetado para ser de fácil acesso aos fãs, com integração à rede de transportes da cidade e a cinco minutos do Aeroporto de Madri-Barajas. Parte da pista conta com traçado pelas ruas da capital, e parte foi construída apenas para as corridas.
A expectativa é de que os tempos de volta dos carros de F1 no circuito girem em torno de 1m34s. A pista tem 22 curvas e, de acordo com os pilotos da Fórmula 3 – que já testaram no local – trata-se de um traçado com características que remetem a pistas como Mônaco, Baku e Jedá: pontos travados mesclados a trechos desafiadores, de altíssima velocidade.
Pilotos da F3 contornam curva inclinada La Monumental no circuito de Madring
Divulgação
O grande destaque da pista é a curva La Monumental, em formato semicircular. O trecho possui 550m de extensão, inclinação extrema de 24% e está em frente a uma arquibancada com capacidade para 45 mil pessoas.
Barcelona (1991-2025)
O tradicional Circuito de Barcelona-Catalunha foi construído em 1991 e passou a sediar o GP da Espanha no mesmo ano. A construção coincidiu com as Olimpíadas de 1992, realizadas na cidade, e a pista também foi utilizada nas disputas do ciclismo.
O traçado ganhou importância na Fórmula 1 ao longo dos anos, e a pista de Barcelona é frequentemente usada para testes de pré-temporada – o que aconteceu em 2026, por exemplo. Essa escolha se dá pela característica do autódromo, considerado como completo por reunir retas e curvas de alta, média e baixa velocidade.
Sede do GP da Espanha entre 1991 e 2025, Barcelona sediou o GP de Barcelona-Catalunha neste ano
Mark Sutton/Formula 1 via Getty Images
Barcelona costuma coroar os carros mais fortes do ano, e 25 dos 36 ganhadores na pista saíram da pole position. Com a chegada do Madring à Fórmula 1, a pista perdeu o status de casa do GP da Espanha. No entanto, como ainda tinha contrato com a categoria, sediou uma prova neste ano sob o nome GP de Barcelona-Catalunha.
Nos próximos anos, o GP de Barcelona-Catalunha vai ser realizado de forma bianual; logo, está fora do calendário de 2027 e retorna em 2028. Com sete triunfos (considerando as duas nomenclaturas), Lewis Hamilton é o recordista de vitórias na pista.
Jerez de la Frontera (1986-1990)
O circuito de Jerez-Ángel Nieto, que está localizado próximo à cidade de Jerez de la Frontera, entrou na Fórmula 1 em 1986. A pista foi construída em 1985 e era considerada bastante técnica na época, com pouquíssimas oportunidades de ultrapassagem – o que se dava pela ausência de longas retas.
Além disso, o circuito localizado no sul da Espanha não atraía tantos espectadores, o que também ajudou na escolha posterior por mudar a corrida para Barcelona. Ainda assim, Jerez foi palco de momentos marcantes na Fórmula 1, especialmente para o Brasil.
Senna bate Mansell por 0s014 no GP da Espanha de 1986, em Jerez de la Frontera
Divulgação/Williams
Por lá, Senna venceu as corridas de 1986 e 1990 – a primeira delas, ainda pela Lotus, teve uma das chegadas mais apertadas da história da Fórmula 1, com apenas 14 milésimos de diferença separando o brasileiro de Nigel Mansell.
Embora tenha deixado de sediar o GP da Espanha em 1990, a pista ainda foi palco de dois GPs da Europa, em 1994 e 1997. A prova de 1997 ficou marcada pela disputa pela pole mais equilibrada da história da Fórmula 1, com Jacques Villeneuve, Michael Schumacher e Heinz-Harald Frentzen marcando o mesmo tempo: 1m21s072.
Jacques Villeneuve foi campeão da Fórmula 1 em 1997 pela Williams
Getty Images
Villeneuve largou na pole por ter feito a marca primeiro, terminou a prova em terceiro e se sagrou campeão da F1 naquela corrida, a última da temporada de 1997. A cidade não voltaria mais a receber corridas – também pela tentativa de políticos locais de tentar aparecer além do combinado na cerimônia do pódio. Embora não esteja mais na F1, Jerez ainda recebe a MotoGP e categorias menores de monopostos.
Jarama (1968-1981)
Desenhada por John Hugenholtz, o mesmo criador dos circuitos de Suzuka, no Japão, e Zandvoort, na Holanda, a pista de Madrid-Jarama foi a última da província de Madri a sediar provas da Fórmula 1 antes do Madring. O GP da Espanha aconteceu nove vezes neste autódromo: a F1 foi ao circuito em 1968, 1970, 1972, 1974, entre 1976 e 1979 e em 1981.
Embora fosse uma pista moderna em termos de infraestrutura para a época, Jarama tinha – assim como Jerez – pouco espaço para ultrapassagens e era considerada estreita demais com a evolução do esporte; por isso, foi removida do calendário ao fim de 1981.
Começo do GP da Espanha de 1980, em Jarama
Reprodução
Tanto é que Gilles Villeneuve fez uma das grandes exibições da história da F1 na última corrida na pista: depois de largar em sétimo, pulou para segundo na primeira volta, aproveitou um erro do líder Alan Jones e assumiu a ponta. A partir daí, o canadense fez uma pilotagem defensiva brilhante e se segurou até o fim – a distância do quinto colocado Elio de Angelis para o líder foi de apenas 1s2.
O único piloto a ganhar mais de uma vez no local foi o americano Mario Andretti, em 1977 e 1978 (ano em que foi campeão). O circuito ainda existe e tem como principal atração anual o ePrix de Madri da Fórmula E, categoria de monopostos 100% elétrica. Jarama também recebe competições menores e até corridas de caminhão.
Montjuich Park (1969-1975)
No fim dos anos 60 e início dos anos 70, Barcelona se revezava com Madri como sede do GP da Espanha. Enquanto Jarama representava Madri, a cidade catalã contava com o bonito e desafiador circuito de Montjuich Park, localizado em um parque arborizado em uma colina, acima do porto da cidade.
Acertar o carro em Montjuich era um desafio, visto que a pista em sentido anti-horário possuía um setor inicial lento sucedido por um término bastante rápido. Apenas quatro provas da Fórmula 1 foram realizadas no local: 1969, 1971, 1973 e 1975. A edição de 1973 teve o brasileiro Emerson Fittipaldi como ganhador.
Largada do GP da Espanha de 1975, no parque Montjuich
Divulgação
Em 1975, a pista já era considerada bastante insegura pelos pilotos – tanto é que Emerson Fittipaldi desistiu de correr em forma de protesto. Infelizmente, a edição derradeira da F1 em Montjuich foi marcada por uma tragédia: o carro de Rolf Stommelen, da Hill, saiu da pista e matou cinco pessoas.
Esta prova também marcou a única vez em que uma mulher pontuou na história da F1, com o 0,5 ponto obtido pela italiana Lella Lombardi, sexta colocada. Depois das mortes na corrida, o circuito nunca mais voltou à categoria – hoje, a pista não existe mais e a região faz parte do parque olímpico de Barcelona.
Pedralbes (1951 e 1954)
Também localizado na cidade de Barcelona, o Circuito de Pedralbes recebeu apenas duas etapas da Fórmula 1, em 1951 e 1954. A pista de rua tinha 6,333 km de extensão e caiu nas graças dos fãs e dos pilotos pela natureza extremamente veloz, com retas longuíssimas – incluindo uma de quase 2 km – e míseras seis curvas.
Hans Hermann, da Mercedes, no GP da Espanha de 1954 em Pedralbes
Getty Images
Juan Manuel Fangio (1951) e Mike Hawthorn (1954) foram os vencedores das provas no local. Esperava-se a realização do GP da Espanha no circuito em 1955, mas o traçado nunca mais foi utilizado devido à crescente preocupação com a segurança nas pistas, resultado da tragédia que vitimou 84 pessoas nas 24 Horas de Le Mans daquele ano.
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