RÁDIO BPA

TV BPA

Há 13 anos, torcedor do Uberlândia mantém cadeira vazia no estádio para pai falecido: “Sinto a presença dele”

Há 13 anos, torcedor do Uberlândia mantém cadeira vazia no estádio para pai falecido: “Sinto a presença dele”

Há 13 anos, João Gabriel Naves conta com uma companhia especial em dias de jogos do Uberlândia: um assento vazio ao lado dele na arquibancada do Parque do Sabiá. O espaço, que parece desocupado para todos os outros torcedores, é preenchido pela saudade que o jovem sente do pai, falecido em 2013 e responsável por alimentar a paixão dele pelo Verdão.
+ Torcedor mantém coleção com mais de 130 camisas históricas do Uberlândia; veja modelos raros
O ritual será colocado à prova neste domingo, às 17h, quando o Uberlândia enfrenta o ASA pelo jogo de volta da final da Série D. Mais de 36 mil torcedores são esperados no estádio e devem lotar as arquibancadas. O ge acompanha a partida em tempo real.
Gabiru torcedor Uberlândia
Luís Fellipe Borges/ge
Gabiru, como João Gabriel é conhecido entre os amigos, é natural de Cuiabá, mas se mudou ainda na infância para Uberlândia. O amor do pai, João Naves, pelo futebol influenciou também os gostos do filho, que começou a frequentar o Parque do Sabiá aos seis anos.
— Ele me levava sempre aos jogos do Uberlândia, e isso foi criando uma paixão. Primeiro, por ter momentos com meu pai, e segundo, porque eu também gosto muito do esporte, gosto muito do futebol, e aos poucos eu fui me apaixonando ainda mais pelo Uberlândia. Já vi de tudo, vi o time voando em campo, e já vi o time sem conseguir trocar um passe sequer — relembrou o jovem em entrevista ao ge.
A vida de Gabiru se transformou em 2013, quando o pai faleceu em um acidente de trânsito. Além da dolorosa ausência do companheiro no dia a dia, a saudade também mudou a experiência do filho na arquibancada.
Gabiru torcedor Uberlândia ao lado do pai, João Naves
Arquivo da família
— Foi difícil me acostumar. Eu demorei um pouco para conseguir, mas só fato de estar aqui dentro, eu já sinto a presença dele. Quando eu decidi ir ao estádio sem ele pela primeira vez, foi uma sensação que, se eu for tentar explicar, ninguém vai entender, foi muito surreal — contou.
“Ver o Uberlândia jogar, sabendo que é uma coisa que ele gostava, foi muito importante. É uma sensação que é indescritível”.
Hoje, Gabiru trabalha como treinador de futsal por conta da paixão que desenvolveu pelo esporte. As lembranças com o pai também fizeram com que Gabiru criasse um costume no estádio: o de assistir ao jogo com um espaço vazio ao lado dele na arquibancada.
— Quando eu chego no estádio, eu sempre quero ter uma cadeira do meu lado sobrando para ter ele do meu lado, porque eu sei que é muito importante para mim, e eu sei também que é muito importante para ele. Onde quer que ele esteja, eu sei que ele vai estar sempre me acompanhando, e acompanhando o Uberlândia também — contou.
+ Uberlândia pode ser campeão da Série D até com derrota no Parque do Sabiá; entenda os cenários
O curioso é que João Gabriel não costuma reservar ou comprar um assento ao lado dele para representar o pai. Segundo o torcedor, o destino trata de encontrar um local livre próximo a ele para simbolizar a presença do parceiro eterno de arquibancada.
— Eu não escolho um lugar que eu sei que vai ter uma cadeira livre. Eu acho incrível, porque sempre aparece uma cadeira do meu lado, ou na minha frente. Quando eu percebi isso, comecei a colocar para mim que é meu pai que está ali.
Esporte: veja os lances de ASA 0 x 2 Uberlândia pela Série B do Campeonato Brasileiro
O lugar de João Naves no estádio, no entanto, estará disputado no próximo compromisso do Uberlândia. Após vencer o ASA por 2 a 0 no jogo de ida, o Uberlândia vai decidir a Série D dentro de casa.
O time alviverde pode ser campeão até com uma derrota por um gol de diferença. A proximidade com a taça fez com que a torcida esgotasse os ingressos da partida: mais de 36 mil entradas foram vendidas.
“Se não tiver um lugar do meu lado, eu sei que meu pai vai estar acompanhando, e ele vai estar de camarote, ainda melhor. Eu sei que ele vai estar assistindo, vibrando, comemorando o tempo todo junto comigo”. geRead More