Do impeachment à votação pela expulsão: a crise que levou Casares a novo julgamento no São Paulo
O Conselho Deliberativo do São Paulo decide nesta quinta-feira se Julio Casares será expulso do quadro associativo do clube. A votação ocorre de forma online e termina às 17h.
Julio Casares em Flamengo x São Paulo
Jorge Rodrigues/AGIF
O colegiado analisa uma recomendação da Comissão de Ética do clube, que sugeriu a exclusão. O documento, elaborado no último dia 24, aponta gestão temerária de Julio Casares, que dirigiu o clube de 2021 a 2026, até sofrer impeachment e renunciar ao cargo antes da decisão final em Assembleia Geral.
O dirigente foi enquadrado no artigo 34 do estatuto social.
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— Estará sujeito à pena de eliminação do quadro associativo do SPFC o associado que for condenado em processo judicial, definitivamente, ou venha a ser responsabilizado disciplinarmente, pela prática de ato de gestão irregular ou temerária, na forma da legislação vigente, em especial o disposto no art. 25 da Lei nº 13.155, de 04 de agosto de 2015, ou naquele que vier a substituí-lo — diz o documento.
Ao todo, o Conselho é formado por 255 integrantes. Para ser expulso, Casares precisa receber ao menos 171 votos favoráveis à aplicação da pena, o equivalente a dois terços do colegiado.
Impeachment
A derrocada de Casares começou em dezembro do ano passado, depois de o ge revela esquema ilegal de camarote pertencente à diretoria em dias de shows no Morumbis, com participação de Douglas Schwartzmann, braço-direito de Casares e ex-diretor adjunto de futebol de base, e Mara Casares, ex-esposa do dirigente que também tinha um cargo diretivo.
Em áudio obtido pela reportagem, os dois admitiram que ganharam dinheiro com a comercialização de ingressos para o camarote 3A, no setor leste do estádio. Em documentos internos do clube, esse espaço consta como “sala presidência”. O local fica em frente ao escritório que era de Julio Casares e servia também para reuniões e entrevistas.
Com a repercussão, a Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso, e conselheiros protocolaram, no dia 23 de dezembro, um pedido de impeachment de Casares.
Depois da aprovação do Conselho Deliberativo, o ex-presidente renunciou ao cargo no dia 21 de janeiro, antes da assembleia dos sócios.
ge São Paulo traça linha do tempo do impeachment de Casares
Saques suspeitos e contas reprovadas
Em março, o Conselho Deliberativo reprovou o balanço financeiro de 2025, mesmo com superávit de R$ 56 milhões. O motivo foi a detecção de saques suspeitos feitos por Julio Casares que totalizavam R$ 7 milhões, sem documentação ou justificativa.
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Relatório apontou que o ex-presidente sacou R$ 11 milhões ao longo da temporada, mas apenas R$ 4 milhões têm justificativa. Os R$ 6.953.000 restantes, classificados no documento como despesas promocionais, não têm explicação nem comprovação dos gastos.
A auditoria alertou para a ausência dessa documentação.
Cartão corporativo
Em julho, uma reportagem do ge mostrou que Julio Casares gastou R$ 1 milhão no cartão corporativo do São Paulo durante seu mandato. Entre os gastos mostrados em faturas obtidas estão 71 idas ao Esch Café, uma casa de charutos; 53 pagamentos ao Gero, um dos restaurantes mais badalados da capital paulista; e diversas despesas em lojas de luxo.
Casares devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo em novembro do ano passado, quando já era investigado pela Polícia Civil por possíveis irregularidades em sua gestão.
Julio Casares e amigos no restaurante da namorada
Reprodução / Instagram
Comissão recomenda expulsão
Os cinco membros da Comissão de Ética (Luiz Braga, Mario Celso Braga, Milton Jose Neves Junior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja) votaram, de forma unânime, pela expulsão de Julio Casares.
O relatório da Comissão de Ética, de autoria do relator Luiz Braga, cita a constatação de aproximadamente R$ 7 milhões em saques das contas do clube “cuja documentação não permitia comprovar adequadamente origem, finalidade e destino”.
Outro argumento apresentado pela Comissão de Ética são os gastos realizados com o cartão corporativo do São Paulo.
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Além da expulsão por gestão temerária, o colegiado recomenda o ressarcimento aos cofres do clube de valores que tenham sido usados para fins particulares.
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