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Arão na zaga, Bontempo perto da área e marcação avançada: entenda o esquema tático do Santos sem Neymar

Arão na zaga, Bontempo perto da área e marcação avançada: entenda o esquema tático do Santos sem Neymar

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O Santos vive o melhor momento no ano após vencer com autoridade o Atlético-MG por 2 a 0, na Vila Belmiro, com gols de Willian Arão e Oliva, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana. A volta será no dia 16, às 19h (de Brasília), na Arena MRV, em Belo Horizonte.
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A vitória foi um dos melhores jogos de Cuca no comando do Santos e mostrou um time dominante e calculista mesmo sem seu principal jogador: Neymar, que deverá ficar afastado até dois meses após problema muscular na coxa direita.
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Willian Arão comemora gol do Santos contra o Atlético-MG
Mauricio De Souza/AGIF
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A lesão de Neymar fez Cuca mexer e encontrar um time com Willian Arão na zaga e Bontempo com mais liberdade para jogar mais perto de Gabigol.
A nova formação deixou o Santos mais organizado com e sem a posse de bola e melhorou o desempenho de vários jogadores, com destaque para Bontempo, convocado por Carlo Ancelotti para a seleção brasileira.
Veja a coletiva de Cuca após vitória do Santos na Copa Sul-Americana
Entenda os detalhes do novo jeito de jogar abaixo:
O 4-2-3-1 e as mudanças no time
O Santos joga há tempos no esquema 4-2-3-1. Nos últimos jogos, algumas mudanças deram certo: com Oliva e Gustavo Henrique à frente da defesa como dupla de volantes, Bontempo passou a jogar mais adiantado. Rony perdeu espaço e Rollheiser pode jogar tanto pelo lado como por dentro, como contra o Atlético-MG.
Por mais que mostre sempre qualidade com a bola nos pés, a saída de Neymar fez o Santos ficar mais compacto sem a bola e deixar Gabigol à vontade para incomodar os zagueiros, dar mais piques e roubar bolas à frente. Não tem exemplo melhor que o primeiro gol contra o Inter: o Santos está postado no 4-2-3-1 e Gabigol sufoca até Félix Torres errar o passe.
Sem Neymar, o 4-2-3-1 do Santos ficou mais compacto e Gabigol fica mais à vontade
Reprodução
Encaixes de marcação no meio e defesa mais sólida
Com Gabigol incomodando lá na frente, Cuca planejou um novo jeito de marcar:
Os jogadores do meio acompanham até o fim e marcam quase que individualmente. São os chamados encaixes de marcação: cada um tem um alvo e acompanha até roubar a bola.
A linha de defesa fica mais fixa. Eles evitam correr atrás dos atacantes por todo o campo e se preocupam em proteger o espaço às costas da defesa. Isso combina melhor com as características dos dois.
A imagem abaixo mostra essa divisão na prática: o meio se desmonta para marcar a saída do Atlético-MG, com encaixes bem próximos. A linha de defesa não entra na roda e permanece fixa, pronta para proteger e sustentar a marcação.
Encaixes no meio e defesa mais protegida: o novo jeito do Santos se defender
Reprodução
CURIOSIDADE: essa mudança já era vista nos últimos trabalhos de Cuca. Seria um novo “Cucabol”?
Foi um achado colocar Willian Arão na zaga. Sem o mesmo pique de antes, ele não precisa correr longas distâncias e colabora com a saída de bola com sua visão de jogo. O primeiro treinador que percebeu a mudança foi Rogério Ceni, lá em 2021, no Flamengo.
Os números mostram que o Santos passou a escolher melhor os momentos de pressionar. Foram 49 tentativas nos cinco jogos anteriores e 42 nos cinco mais recentes. O aproveitamento aumentou de 42,8% para 54,9%.
Trocas de posição e saída de bola mais dinâmica
A volta de Gustavo Henrique trouxe mais movimento ao meio-campo. O volante de 21 anos recua para ajudar Oliva e também aparece perto de Bontempo. Os dois trocam de posição durante as jogadas, o que dificulta a marcação do adversário.
Abaixo, um momento do Santos saindo para jogar com essa dinâmica entre os dois. Os laterais também ajudam e podem circular pelo meio ou abrir mais o campo, como Rodinei fez contra o Atlético-MG.
Saída de bola mais dinâmica e com trocas entre Gustavo Henrique e Oliva
Reprodução
Bontempo mais perto do ataque
Com uma saída mais dinâmica, Gabriel Bontempo assumiu o protagonismo no meio. Ele joga aberto pela esquerda, numa função que Cuca já chamou de “falso 11”: recebe a bola pelo meio, toca curto com o ataque e busca entrar na área. Contra o Atlético-MG, esteve presente em quase todas as boas jogadas do Santos.
O posicionamento dos volantes é fundamental para ajudar Bontempo. Quando Bontempo volta para receber, Gustavo avança. Quando Gustavo fica mais atrás, Bontempo se aproxima de Gabigol. O time consegue mudar de posição sem perder a organização.
Ataque mais dinâmico
Reprodução
Essa dinâmica ajuda a suprir a função que Neymar tinha, de buscar a bola e achar um bom passe para o ataque. Também faz Gabigol não precisar recuar para buscar a bola. O camisa nove fica mais fixo e só espera aquele passe para finalizar de primeira.
Essa mudança também ajudou Rollheiser. O argentino pode sair do lado e entrar pelo meio, enquanto o lateral ocupa o espaço próximo à linha. O Santos coloca mais jogadores perto da área e cria novas opções de passe.
Os passes que geram chances ficaram mais precisos. Nos cinco jogos anteriores, o time acertou 19 de 29, um aproveitamento de 65,5%. Nos cinco mais recentes, acertou os 20 passes tentados.
Cuca em Inter x Santos
Roberto Vinicius/AGIF
Reforços aumentam o otimismo
O novo esquema parece ser pensado para acomodar as novas contratações após conseguir sair do transfer-ban:
Rodinei mostrou contra o Atlético-MG que pode fortalecer o lado direito. Ele apoia o ataque com frequência e permite que Rollheiser jogue mais por dentro.
Everton Cebolinha chega para dar velocidade pela esquerda, algo que Thaciano e Rony ainda não conseguiram oferecer com regularidade.
Arthur Melo vem para mudar de posição e atuar como meia, e não como volante. Contra o Internacional, entrou no lugar de Caballe
ro como meia, com Rollheiser aberto pela esquerda.
Cuca explicou a escolha:
O Arthur hoje entrou de 10. Entrou no lugar do Caballero. Nós fizemos o Rollheiser ser o falso 11. O Arthur entrou de 10 até porque não está na condição ideal para ser o 5 e tampouco o 8. Ele vai readquirindo. É natural. Eu e Cuquinha conversamos com ele sobre onde prefere jogar, ele se predispõe em jogar em qualquer uma das três do meio. É um jogador que vai nos servir muito bem nas três posições
Arthur no aquecimento antes de Santos x Atlético-MG
Jota Erre/AGIF
Quando estiver em melhores condições, Arthur poderá substituir Oliva ou Gustavo Henrique, jogar ao lado deles e também ocupar a posição de Bontempo.
O Santos está mais sólido na briga contra o rebaixamento no Brasileirão e vê na Copa Sul-Americana a chance de um grande título para finalmente voltar a ser vencedor.
Tudo com o dedo de Cuca e novos reforços que aumentam e muito o otimismo de um torcedor tão machucado nos anos recentes do clube.
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