Gabriel Batista destaca amadurecimento e mira legado: “Quero construir história no Botafogo”
Gabriel Batista: “Esses quatro anos fora do Brasil me fizeram crescer bastante”
Gabriel Batista voltou ao Brasil com uma bagagem diferente. Depois de quatro temporadas fora do país, com passagem pelo Santa Clara, de Portugal, o goleiro afirma que o período longe ajudou em sua evolução dentro e fora de campo antes de assumir o gol do Botafogo.
Ele encontrou um cenário de grande cobrança em um setor que carrega um legado na história do clube. Desde a saída de John, que foi campeão da Libertadores e Brasileirão em 2024, nenhum goleiro conseguiu se firmar, e a posição viveu um período de crise que parecia não ter fim.
Gabriel Batista, do Botafogo, em entrevista
Letícia Marques
A chegada de Gabriel Batista faz parte da reformulação promovida pelo Botafogo depois das saídas de Neto, Raul e Léo Linck. Contratado no mesmo pacote, Warleson assumiu a titularidade inicialmente. No entanto, um corte no queixo sofrido por Warleson contra o Cienciano abriu espaço para Gabriel ganhar sequência.
Ao ge, Gabriel Batista deu a primeira entrevista exclusiva desde que chegou ao Botafogo. Ele reconheceu que a pressão faz parte do processo de defender um grande clube, projetou os sonhos a serem realizados com histórica camisa de goleiros alvinegros e analisou a carreira, que começou no rival Flamengo.
“Esses quatro anos fora me fizeram crescer bastante”
A principal mudança, segundo Gabriel, aconteceu na maturidade. O jogador destaca que a experiência fora e a passagem pelo Sampaio Corrêa ajudaram a enxergar o futebol de uma forma diferente.
— Sem dúvida (volto diferente). Bem mais maduro. Tanto dentro quanto fora de campo. E não só como atleta, mas também como pai, marido e filho. Esses quatro anos fora do país me fizeram crescer bastante, me fizeram dar valor a algumas coisas que talvez, quando eu era mais novo, eu não desse tanta importância. Isso me ajudou muito, não só a passagem pelo Santa Clara, mas também a passagem pelo Sampaio Corrêa, que foi onde eu vivenciei algumas coisas que eu ainda não tinha vivenciado na minha vida e na minha formação. Acho que isso me ajudou bastante a dar valor e entender também que o futebol não é todo só aquele glamour, que tem muita vivência e muita coisa que temos que batalhar e lutar para poder conquistar – e completou:
— Acho que esse tempo todo fora me deu uma experiência boa, uma maturidade boa e voltar ao país, pelas portas do clube grande, que é o Botafogo, com a sua torcida, que vem fazendo nos últimos anos, com a estrutura e tudo mais. Eu acho que com a equipe e o grupo que tem, que são atletas vencedores, sem dúvida nenhuma, me motiva muito. Estou muito feliz de estar aqui. Estou muito feliz de estar fazendo parte disso tudo. Quero construir a minha história aqui dentro do clube, mas, como disse, estou muito feliz e motivado para poder fazer dar certo – finalizou.
Gabriel Batista, goleiro do Botafogo, em entrevista
Leticia Marques
“Estar em um clube grande sempre vai existir pressão”
Gabriel tem sido o retrato do período de reformulação do gol do Botafogo. O goleiro foi titular em quatro jogos desde que chegou e foi o destaque do empate sem gols contra o Palmeiras na última rodada do Brasileirão. Foram cinco defesas difíceis no jogo e, para ele, a preferida foi a cabeçada de Maurício.
— Para ser bem sincero, eu encaro com muita tranquilidade (a pressão). Em um clube grande, sempre vai existir pressão, independentemente do que aconteceu no passado ou do que vem acontecendo. Acho que todos os goleiros que passaram aqui são grandes goleiros, conheço e tive o prazer também de trabalhar junto. Encaro muito bem, com muita tranquilidade. Tem a pressão externa, tem também a pressão do trabalho, do convívio. Acho que, quanto mais atletas de alto nível trabalham juntos, mais o nível do grupo e do trabalho sobe. Eu levo essa situação com muita tranquilidade e sabedoria — afirmou.
— Nessa última partida (contra o Palmeiras), eu pude passar a confiança para a torcida e, principalmente, para o time. A gente sabe que o resultado talvez não foi o que nós queríamos. A gente queria vencer, a gente queria poder somar os três pontos. Mas eu acho que também foi importante não sofrer gols, foi importante, num jogo tão difícil como foi, contra o líder do campeonato, eu acho que também o pontuar pode dar uma confiança maior para essa sequência. A da testada (é a defesa favorita). Mas todas as defesas têm o seu grau de dificuldade, até nas bolas mais simples. Eu acho que a gente tem que estar com a atenção lá em cima. Eu costumo falar que a gente erra talvez nas mais fáceis, nas mais difíceis, como a gente está mais atento para fazer. Talvez as mais fáceis acabam complicando um pouco a gente – analisou.
Gabriel Batista fala de pressão no Botafogo: “Sempre vai existir em clube grande”
“Espero poder chegar perto do que esses caras foram”
A história do Botafogo tem uma relação especial com goleiros. Nomes como Manga, Wagner, Jefferson e Gatito fazem parte da memória da torcida e foram citados por Gabriel Batista. O goleiro abre o coração, cita o desejo de escrever o nome na história do clube e sonha em chegar perto dos ídolos da posição.
— Eu acompanhei o Jefferson, tive a oportunidade de enfrentar o John. Não só eles, mas também tem outros goleiros. São goleiros que eu sempre acompanhei, por estar aqui, por ser do Rio. O meu pensamento é trabalhar e ajudar a equipe. E a gente deixa isso para a torcida. Acho que a torcida não é só se apegar aos goleiros. Dentro do grupo de jogadores sempre vai ter um ou outro que a torcida vai gostar mais, vai amar. O Botafogo tem a sua história de goleiro no futebol. Tem o Manga, o Wagner campeão brasileiro. O Jefferson, que também dispensa comentários. Eu o acompanhei durante toda a minha adolescência. Eu tiro eles como referência. Trabalho para que um dia eu possa chegar perto deles. Acho que o projeto do trabalho é esse. Trabalhar dia após dia, jogo após jogo, e deixar essas coisas para o torcedor – e completou:
— Quando eu era garoto, assistia ao Jefferson. Em 2010, eu tinha 12 anos. Desde muito novo eu acompanhei não só o Jefferson, mas também teve o Gatito. Eu tive a oportunidade de ir em um jogo que estavam os dois. Acabei trocando uma camisa com o Jefferson. Acabou que não tem nenhum nome dele na camisa (risos), mas é uma camisa que eu guardo com tanto carinho. Espero que eu possa chegar um pouco perto do que esses caras foram para esse clube – revelou.
Outros tópicos
Ter sido revelado pelo Flamengo
– Acompanho um pouco as redes sociais, lógico que me mandam, que me enviam as coisas, mas, assim, eu lido da melhor forma possível. O meu passado, como você disse, a gente não pode apagar. Eu vivi coisas boas. Acho que muito do que eu tenho no futebol foi por conta da minha formação, foi por conta de tudo que eu vivi lá. Mas hoje estou aqui defendendo as cores do Botafogo e estou honrado de estar aqui. Eu estou feliz de estar aqui, estou motivado para fazer a minha história aqui e criar a minha história dentro do clube.
Hall de goleiros do Botafogo
– Eu espero poder ajudar o clube da melhor maneira possível, dia após dia. Eu acho que isso é muito do trabalho que nós vamos fazendo diariamente. Não vou falar para você que eu penso já em estar entre os grandes, eu trabalho dia após dia, porque através do trabalho eu vou acabar conquistando as coisas, vou acabar chegando em algum status. Eu acho que é continuar trabalhando, fazendo as coisas como devem ser feitas, respeitando muito essa camisa, respeitando muito a torcida e fazer da melhor forma é poder ajudar, poder ajudar de alguma forma, seja dentro de campo, seja fora de campo. Eu acho que o importante é a gente estar sempre pronto, preparado e poder ajudar.
Estreia pelo Botafogo
– Eu acho que isso também foi um crescimento que eu tive também dessa vivência fora, de poder entender que é melhor que eu esteja preparado para as oportunidades do que elas cheguem e eu não esteja pronto. Foi uma infelicidade que aconteceu com o Warleson e a gente nunca torce para que um companheiro da gente se machuque. Eu já estava preparado, eu estava trabalhando muito forte. Eu tinha ficado 40 dias de férias e tinha trabalhado um pouco também lá em Portugal e voltei. Então, me preparei para essa oportunidade e espero poder dar continuidade no trabalho.
Pegador de pênalti
– Eu acho que vai muito do que a gente faz no trabalho do dia a dia com os preparadores de goleiro. Eu tive a oportunidade de trabalhar com preparadores de goleiros, em que a gente estudava muito. E também aqui nós estudamos muitos pênaltis, até no dia do jogo. Vai muito da hora, do momento, do entender um pouco o jogo, talvez até, às vezes, seguir a intuição. E vai muito disso. Falar que é uma situação que a gente gosta, um pênalti contra, talvez sim, talvez não (risos). Mas eu espero que não tenha pênaltis contra, porque quer dizer que nosso time está defendendo muito bem. Se tiver, que eu possa ajudar a equipe.
Reta final do Brasileirão
– A gente espera retornar logo às vitórias, acho que o principal é esse. O grupo é muito bom, muito unido. Se a gente for ver, pelo nome, a gente não merecia estar nessa situação de pontuação, mas a gente sabe como é o futebol. A gente sabe que o jogo é jogado dentro do campo, e o pensamento primeiro é esse, de poder retornar às vitórias, poder somar três pontos e começar a almejar outras coisas no campeonato.
Chegada do Hakim Ziyech
– Um jogador de nível mundial, de classe mundial, e a gente vai fazer de tudo para que ele possa se adaptar o mais rápido possível ao ambiente do clube. O grupo é muito bom, recebe todo mundo muito bem. Qualidade, acho que não precisa falar. Eu tenho certeza que ele vai nos ajudar.
Quem é o Gabriel fora de campo?
– O Gabriel é um cara muito família. Gosto muito de estar com a minha família, com os meus pais, com os meus filhos, com os meus amigos. Acho que o Gabriel desse retorno é o Gabriel família. Eu posso definir nessa palavra. Muito feliz. Por exemplo, minha filha fez aniversário agora no dia 30. Meu filho faz agora no domingo. Então, estar por perto nessas datas também para mim é muito importante. Estou muito feliz de estar aqui, só agradecer mesmo ao clube e agradecer a todos.
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