Leonardo Jardim elogia Bruno Henrique e vitória do Flamengo: “Se houvesse justiça, seria 10 a 1”
Flamengo 2 x 1 Corinthians | Melhores momentos | 27ª rodada | Brasileirão 2026
O Flamengo reassumiu a liderança do Brasileirão neste domingo após vencer o Corinthians por 2 a 1, no Maracanã, pela 27ª rodada. Dentre os tópicos da entrevista coletiva, o técnico Leonardo Jardim aproveitou para exaltar Bruno Henrique – que, aos 35 anos, chegou ao nono gol em jogos oficiais na temporada e garantiu a vitória rubro-negra neste domingo.
— Com certeza, como vocês sabem, desde 2019 eu vejo alguma coisa do Flamengo. Conheço o Bruno a partir daí, não antes. Sei o que ele fez nesses sete anos, a importância que ele tem como profissional, como artilheiro, mas principalmente o que é dentro do grupo. Um moço muito humilde, trabalhador. Se é para jogar, ele joga. Se é para entrar, ele entra. Se não é para jogar, ele não joga. Está sempre defendendo o Flamengo como seu objetivo principal — disse Jardim, acrescentando:
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Leonardo Jardim, Flamengo x Corinthians
André Durão / ge
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— O objetivo principal dele não é a individualidade, é o Flamengo. É um flamenguista não a 100%, mas a 200%. Fico satisfeito pela importância que ele tem tido este ano. Não em todos os jogos, como você disse, pois também temos o Pedro, hoje entrou um jovem que contratamos e teve influência direta no gol (Joaquín Freitas). Mas (Bruno) é sempre extremamente válido, e é aquele jogador que sabe vencer.
O treinador destacou a reação da equipe rubro-negra após o empate do Corinthians, mas deixou claro que achou o placar do triunfo magro. No total, o Flamengo fez 33 finalizações, forçando sete defesas do goleiro Hugo Souza.
— Na primeira parte, tivemos vários arremates, o adversário não finalizou na nossa baliza. Normalmente o que acontece? Faz um gol ou dois e está resolvido. Mas quando o jogo está 1 a 0, o adversário tem muitos jogadores no banco que estão habituados a jogar, o jogo melhora. Eles melhoraram e tiveram a felicidade e a qualidade de fazer o gol. Mas nós também reagimos e acabamos conseguindo a vitória. Por isso que eu disse que era uma injustiça muito grande. 33 finalizações contra 3, 10 arremates contra 1. Se houvesse justiça, seria 10 a 1 (risos). Acabou por ser justo, acho que o adversário não mereceu outro resultado sem ser a derrota, sinceramente. Apesar de eu achar o Corinthians uma grande equipe.
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Ao falar sobre Bruno Henrique, Leonardo Jardim aproveitou para estender os elogios a outros veteranos do Flamengo, como Danilo (35 anos) e Jorginho (34 anos). O treinador destacou o espírito de equipe dos atletas, mesmo quando não começam como titulares.
— Já houve vários craques no futebol mundial, e acho que há alguns que não sabem vencer porque querem ter o foco que tinham quando estavam no máximo de suas qualidade. E há outros que sabem vencer, jogar, mesmo sabendo que às vezes não têm mais a energia que tinham uns anos antes, mas se importam sempre em melhorar a equipe. Casos do BH e do Danilo, que é um jogador de currículo invejável e eu nunca vi de cara triste. “Você toma as decisões, mas quando for para jogar, eu vou estar pronto.” É esse tipo de jogador, de seriedade… Jorgnho não jogou (de titular), mas entrou de cara positiva. Esse tipo de jogadores que temos no grupo e são importantes para termos sucesso.
Outros tópicos da entrevista de Jardim:
Qual o tamanho do papel da preparação física na predominância do Flamengo nos jogos?
— Com certeza que tudo aquilo que os jogadores desenvolvem dentro de campo têm a ver com aquilo que eles trabalham, eles trabalham para fazer esse tipo de jogo. Nós, da nossa área, tentamos dar as melhores condições para que eles desenvolvam seu trabalho. E tem a ambição de querer ser dominante, de pressionar, essa é a nossa forma. Foram 33 arremates contra três do adversário, 10 arremates no gol contra um. O empate seria uma injustiça tão grande para o futebol. Não é o resultado, mas pelo futebol. Claro que eu defendo o Flamengo, mas às vezes gosto de ver futebol. E era uma injustiça tão grande se o resultado fosse um empate hoje
Atuação e importância do Joaquín Freitas:
— Hoje, os que não queriam que ele entrasse falharam, eu acertei (risos). Também posso acertar uma de vez em quando, acertar uma é espetacular. Nós queríamos mais criação ofensiva, tínhamos um jogador de área com o BH, tínhamos um avançado móvel que foi o Freitas. Acabamos tendo mais predominância ofensiva, isso resultou na criação do segundo gol. Satisfeitíssimo porque a equipe fez o 2 a 1, satisfeitíssimo porque os jogadores que entraram, um fez a assistência e o outro fez a finalização. Isso mostra a nossa capacidade, aquilo que eu defendo desde o primeiro dia, que não somos só 11. O elenco do Flamengo é muito grande, vai desde os 11 aos que estão no estádio, na comunidade, os que estão no estrangeiro. Nós somos muitos
Como enxerga o uso de Paquetá no Flamengo:
— É um jogador de grande qualidade. Consegue fazer mais do que uma posição, e isso para nós é extremamente importante. Toda a gente sabe que, com essa loucura de jogos, não se consegue ter todos os jogadores disponíveis. Hoje, Jorginho estava no limite. Da última vez, fez cinco jogos seguidos, no sexto teve um problema muscular. Léo (Pereira) também estava no limite e não arrisquei, também estava no limite de lesão. Temos que fazer essa gestão, então temos que ter mais do que 11 (jogadores titulares). O Paquetá é um jogador que joga normalmente, também entra na rotação como os outros. Hoje, descansou o Jorginho; na Libertadores, descansou o Paquetá; no jogo contra o Remo, descansou o Erick (Pulgar); no jogo anterior, o Arrascaeta. Vou gerindo. No próximo jogo, contra o Bragantino, tenho dois volantes fora (Pulgar e Paquetá). Os outros que têm jogado menos precisam entender que é o momento de mostrar presença. É por isso que temos um elenco.
Retorno de Alex Sandro foi um risco calculado?
— O Ayrton pediu para sair, não sei se vocês viram. Até sinalizou mais eu cedo, mas eu pedi para aguentar mais um pouco. O Alex com certeza não está em suas melhores condições por causa da pausa (período sem jogar, desde 29/07), isso é normal. Acreditamos que agora, com os treinos e a evolução, ele vai conseguir melhorar. Neste momento, o Ayrton está em grande forma e também é um jogador com quem contamos bastante. Mas é bom ter soluções.
O que pensa sobre De la Cruz?
— Em primeiro lugar, o Nico na primeira fase foi uma aposta muito grande. Tivemos jogadores, como o Erick, que ficou parado muito tempo, dois meses. O Saúl, com os problemas do tendão, ele agora tem melhorado. Nesses jogos que a gente tem seis volantes disponíveis, como disse, não posso ter três hoje, depois sai três e entra três porque vai descaracterizar nossas ideias. Mas, com certeza, no próximo domingo, vamos precisar do Nico, do Saúl. Ele hoje não foi relacionado porque vocês sabem que só podem jogar nove estrangeiros no campeonato, e temos 10 neste momento com a volta do Plata. Tenho no banco Jorginho, Saúl, ter um terceiro volante no banco achei que não haveria necessidade. Era melhor ele trabalhar e treinar. É uma gestão do elenco que tem que ser feita
Alex Sandro voltará a ser titular, ou Ayrton Lucas vai manter o posto?
— Eu sou um treinador, e vocês sabem, que respeita muito o desempenho. Neste momento, o Ayrton tá sendo mais titular que o Alex. Não quer dizer que existam mudanças no futuro. Mas neste momento, o desempenho é uma coisa que para mim é muito importante. Digo com muita frequência: é importante termos alternativas. Tenho confiança grande no Alex, como também uma confiança muito grande no Ayrton. Toda a gente já percebeu que o Flamengo não são nomes, o Flamengo é aqueles que entram e tentam dar o melhor. Nos treinos, sou eu quem vejo, que estou lá, sei quem luta para defender as cores do Flamengo. Esses dois estão no grupo dos que lutam diariamente. Às vezes as coisas não correm bem, mas é preciso apoiá-los. Eles têm mostrado que são jogadores capazes.
Até que ponto o Flamengo pode chegar com essa boa fase?
— Treinar o Flamengo é muito bonito, jogar bem, fazer muito gols. Mas o Flamengo espera títulos, não é? E nós trabalhamos para conseguir dar esse títulos. O que falta é a gente conseguir dar continuidade às coisas, continuar sempre com os mesmos comportamentos, procurando sempre as vitórias para, no fim do ano, conseguir os títulos. Essa é a nossa forma de pensar e a ambição de toda gente. Todos nós sabemos que é difícil fazer dois ciclos fortes num clube de futebol, como foi o ciclo do ano passado. Mas temos essa ambição. E também temos vários adversários fortes que querem chegar lá em cima. Por isso, temos que mostrar dentro do campo, em todos os jogos. Quinta-feira temos mais um jogo para demonstrar.
Ausência dos jogadores convocados na Data Fifa:
— Nós gostaríamos que todos estivessem com a gente nessa pausa, mas também não podemos comparar os dois meses que eles estiveram fora (na Copa do Mundo) com 10 dias no máximo que vão ficar agora. 15% do que perderam daquela vez. Agora teremos um impacto mais reduzido em relação ao que são nossas ideias. Esperamos continuar trabalhando, recuperar o grupo de jogadores, vocês sabem que a fadiga é grande. E prepararmos para a reta final, que são os dois meses das duas competições que participamos.
— Antes da Copa, foi um ciclo extremamente positivo Depois tivemos uma queda. A crítica não entende, mas nós dentro soubemos o porquê, ficamos dois meses sem metade da equipe, sem treinar junto. Foi difícil da gente voltar dentro daquilo que é a nossa dinâmica. Quando é um jogo mais simples, é mais fácil de introduzir as coisas. Quando é um jogo mais complexo, como é o nosso, a estratégia de pressão, os timings têm que ser coordenados. Isso temos que treinar, temos que nos preparar antes. Espero que a gente consiga fazer melhor do que fizemos anteriormente
O que falta para o Flamengo conseguir furar melhor times mais defensivos?
— Vou ser repetitivo, mas acho que a importância de fazer um ou dois gols é fundamental, às vezes para os adversários alterarem um pouco o estilo de jogo. Não acho que o Del Valle venha assim tão defensivo, porque vão ter que dar a cartada final. É uma equipe que joga bem a bola, que me surpreendeu quando comecei a analisar o adversário (antes do jogo de ida da Libertadores). Joga bem, algumas dinâmicas muito bem consolidadas. Temos que respeitá-los.
— Queremos nos impor em casa, ganhar o jogo e passar, mas não podemos desvalorizar o Del Valle. Não acredito que eles venham todos atrás da linha da bola. Acredito que tenham que atacar para procurar o resultado, ao contrário de hoje, em que talvez o empate já fosse um resultado extremamente positivo para o Corinthians. Quando os blocos estão mais baixos, conseguimos que os adversários saiam um pouco. Se não, temos que manter os jogadores mais agressivos em cima da área. Hoje foi um pouco essa a estratégia. Com a saída do Pedro, com a entrada do BH, tivemos mais presença na área. Não por acaso, em dois cruzamentos, o BH mandou por cima da trave e fez o gol.
Como avalia momento físico e técnico do Arrascaeta?
— Ele não está tendo uma minutagem reduzida, está tendo uma minutagem igual aos outros. Ele tem descansado menos e, às vezes, jogado mais. O Arrasca é um jogador espetacular, com grande qualidade, nós sabemos disso. Sabemos que precisamos dele fresco, porque é um jogador de refino técnico, de decisão. Eu às vezes brinco com ele “rapaz, já me deve dois ou três gols, contra mim fazia sempre os gols agora não está fazendo (risos)”. Mas é um jogador de importância muito grande. Acreditamos que está faltando a finalização, no ano passado ele foi um dos artilheiros do campeonato, este ano temos os gols mais repartidos. Mas tenho certeza que os gols vão aparecer mais cedo ou mais tarde.
Avaliação do gol sofrido:
— Quando fizemos a primeira substituição e tiramos o Ayrton, o adversário fez substituições e reforçou um pouco mais aquele lado direito (do ataque do Corinthians). Ficamos ali com algumas dificuldades. Se vocês virem, botei Arrascaeta e Jorginho para equilibrar o nosso lado esquerdo, fazendo um triângulo com Lino ou Alex. Entretanto, eles fizeram o gol, e tive que ter outra opção em termos estratégicos. O adversário forçou naquele lado, perdemos duas ou três situações que aproveitaram. Mas penso que é uma coisa pontual, porque não estamos habituados a cometer os erros ali no corredor.
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