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Muito além da arbitragem, São Paulo expôs seu limite

Muito além da arbitragem, São Paulo expôs seu limite

Grande festa da torcida do São Paulo, na chegada do ônibus da equipe ao Morumbis
Não é segredo para ninguém que a torcida são-paulina mantém uma relação especial com as noites de Libertadores. E, mesmo quando não é Libertadores, o são-paulino às vezes finge que é. Por isso, o Morumbi recebeu 55 mil almas dispostas a oferecerem um espetáculo digno dos maiores embates continentais, ontem, pelas quartas de final da Sul-Americana, contra o Boca Juniors.
No entanto, depois que a bola rolou, demorou muito pouco para cair a pesada ficha da realidade — tanto São Paulo quanto Boca Juniors logo deixaram evidente que estão distantes da época em que, cada qual a seu tempo, dominaram o futebol da América do Sul. E, bem, por algum motivo estavam em campo disputando a segunda competição do continente, em termos de importância.
Gustavo Santana em São Paulo x Boca Juniors
Marcos Ribolli
A impaciência da torcida são-paulina sublinhava a fraca atuação da equipe de Dorival Júnior. O time sentiu o jogo, em vários aspectos. Novamente escalado com três agueiros, o São Paulo perdia o domínio do meio de campo, e assim praticamente não criou nada no primeiro tempo, exceto por uma cabeçada de Gustavo Santana, defendida pelo arqueiro xeneize.
Dorival conseguiu traduzir a atuação na pausa hidratação, quando foi possível ouvir o técnico brasileiro pedindo calma ao time: “Tudo que a gente podia errar, nós já erramos”. Assim como na primeira partida, “El Vasco” Arruabarrena vencia o duelo tático ao anular os laterais tricolores, e o São Paulo era tão incisivo quanto uma faca sem fio — e nem manteiga no pão conseguia passar. Ainda que conte com um jogador do nível de Paredes, também o Boca Juniors é um time precário, mas que soube se defender com maestria.
Para infelicidade da torcida, o vaticínio de Dorival estava incorreto: o São Paulo ainda não havia errado o suficiente. Ainda que o jogo tenha aumentado de temperatura, com a equipe melhorando e mostrando alguma imposição, o time continuou cometendo equívocos, e um deles se mostrou crucial. No caso, quando os zagueiros avançaram de forma desnorteada e deixaram o campo aberto para Leandro Lozano abrir o placar.
Leandro Lozano, do Boca Juniors, comemora gol contra o São Paulo, pela Copa Sul-Americana
NELSON ALMEIDA / AFP
O desfecho do jogo poderia ter sido diferente se o gol de Ryan não fosse anulado por milímetros — é um lance que não permite uma conclusão inequívoca, portanto deixa margem para reclamação, já que na Sul-Americana o impedimento ainda não é semiautomático. A desclassificação, no entanto, não pode ser colocada na comanda da arbitragem.
O São Paulo continuou martelando, mas de maneira confusa, com Artur e Ferreira jogando em lados invertidos e um meio-campo mais apressado do que criativo. Ao fim do jogo, eram nada menos que seis atacantes e muito pouca capacidade de criação. E o gol que saiu tarde demais, em cabeçada de Domingos Duarte, serviu para impedir uma derrota e conquistar um empate que, na prática, nada significa.
O duelo contra o Boca Juniors deixou claro o limite do São Paulo. Quando o jogo que poderia salvar a temporada se apresentou, a equipe mostrou-se insuficiente. Dorival Júnior tem sua parcela de responsabilidade, é evidente, mas não se pode cair na armadilha de superestimar o elenco que ele tem em mãos. A campanha no Brasileiro, com o time sempre às voltas com o Z4, mostra isso. Eliminado das copas, o São Paulo entra na reta final da temporada diante da incômoda possibilidade de que as únicas emoções disponíveis sejam aquelas que sua torcida não gostaria de viver.
Veja a entrevista coletiva de Dorival Júnior depois do empate do São Paulo com o Boca Juniors geRead More