Líder da Série B, Novorizontino tem a terceira pior média de público da competição
Novorizontino empata com o Cuiabá e lidera a Série B
Mesmo na liderança da Série B e brigando ponto a ponto pelo acesso inédito à elite nacional, o Novorizontino tem a terceira pior média de público da competição.
Com 1.406 pessoas, em média, nos jogos em casa, o Tigre do Vale fica à frente apenas de São Bernardo e América-MG no quesito. O Cuiabá completa o “Z-4” dos piores públicos desta edição da Segundona, segundo levantamento de Guilherme Maniaudet e Leandro Silva, do Gato Mestre.
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Torcida do Novorizontino no Jorge Ismael de Biasi, o Jorjão
Divulgação/Novorizontino
Vale lembrar que este é o quarto ano consecutivo que o Aurinegro figura entre os postulantes a uma vaga na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.
A melhor marca atingida pelo clube foi na 25ª rodada, na vitória por 2 a 1 sobre o Sport: 2.237 pessoas presentes no Jorjão na noite de uma sexta-feira.
Por outro lado, a menor adesão de público aconteceu na oitava rodada: apenas 353 pessoas estiveram presentes na vitória do Tigre sobre o Botafogo-SP, em uma fria e chuvosa noite de domingo.
Tigre registrou seu pior público na vitória sobre o Botafogo-SP, na 8ª rodada
Juan Rodrigues/Novorizontino
Embora seja um clube relativamente novo (fundado em 2010), o Novorizontino herda praticamente todas as características do antigo Grêmio Esportivo Novorizontino, que existiu entre as décadas de 1970 e 1990, chegando a disputar uma final de Paulistão e conquistar um título da Série C.
A cidade de Novo Horizonte está localizada a 400 quilômetros de São Paulo e tem uma população de pouco mais de 38 mil habitantes.
Paulistão: campanha e jogos grandes pesaram a favor
O Novorizontino viveu um cenário completamente diferente quanto à adesão do público no Paulistão deste ano, com uma média de 6.263 pessoas por partida nos jogos em casa. Ou seja, mais do que quatro vezes superior ao índice na Série B.
O número consideravelmente mais expressivo, no entanto, tem uma explicação bastante simples: dos sete jogos disputados pelo clube no Jorjão, quatro foram contra os chamados grandes do estado (Palmeiras duas vezes, Corinthians e Santos).
Clube teve seus recordes de público na temporada durante o Paulistão
Lucas Valéo/Novorizontino
As partidas contra o gigantes no Paulistão têm o costume de atrair grandes públicos para os times do interior. Alguns clubes aproveitam, inclusive, para elevar – e muito – o preço dos ingressos para fazer caixa, principalmente os que não possuem calendário nacional no segundo semestre.
A ótima campanha do Tigre no estadual foi determinante para aumentar exponencialmente a adesão do público. Melhor time da primeira fase, o Aurinegro encarou Santos (quartas de final), Corinthians (semifinal) e Palmeiras (final) no mata-mata, levando públicos na casa de 10 mil torcedores ao Jorjão. O recorde foi na semifinal, contra o Timão (10.899).
Nos demais jogos, os números ficaram entre 1.200 e 2.100 torcedores.
Velha queixa
Não é de hoje que a baixa presença da torcida nos jogos em casa incomoda a cúpula do Novorizontino. Jogadores e membros da comissão técnica já cobraram publicamente maior adesão dos torcedores, e o assunto é recorrentemente abordado em entrevista coletivas.
Além dos pedidos de reforço no apoio, o clube costuma fazer campanhas e promoções, com ingressos com desconto e ações em datas comemorativas para incentivar a presença no estádio.
Carlão comemora gol em noite de pouco público no Jorjão
Juan Rodrigues/Novorizontino
Em um dos mais recentes episódios, o meia Rômulo discutiu com torcedores e cobrou apoio em vez de críticas recebidas durante a derrota para o Criciúma, em julho deste ano. As “cornetas” também foram citadas pelo técnico Enderson Moreira em vários momentos.
– A situação é diferente. Então, não podemos carregar esse peso sempre. E, toda vez, parece que é uma carga jogar aqui. Não deveria ser uma carga, mas às vezes o jogador sente que, se errar um lance, todo mundo vai vaiar, vai reclamar. E isso vai tirando o quê? A confiança dele. Ele começa a jogar com mais segurança, no sentido negativo e pensa: “eu não posso errar, eu não posso errar”. E aí, ele deixa de tentar a jogada que treinamos – disse o treinador ao término da temporada 2025.
– Lamento profundamente que alguns torcedores, em todo momento ruim, não tenham apoio. A gente tem o apoio de muita gente e agradece muito, porque é nesses momentos que precisamos mais. Quem vem para cá querendo só vitória, infelizmente, a gente não pode prometer isso – declarou após a derrota para o Criciúma.
Enderson Moreira, técnico do Novorizontino
Rafael Vieira/AGIF
O ex-técnico do Tigre, Eduardo Baptista, foi ainda mais incisivo ao falar sobre o tema em 2023, ano em que a equipe brigou pelo acesso até o fim, mas acabou ficando na quinta colocação por um ponto.
– Somos o azarão entre os dez. Já brigamos com muita coisa. Se brigarmos aqui dentro, é ruim. O ABC vem aqui com um caminhão de dinheiro para ganhar ou empatar conosco. Peço ao torcedor que apoie e quem não está afim, fique em casa e não encha o saco – disparou. geRead More


