Sergipana organiza treinos para incentivar doação de órgãos após doar rim ao irmão
A doação de órgãos é um ato que pode salvar vidas através da solidariedade. E o esporte, inevitavelmente, caminha lado a lado para incentivar práticas saudáveis e conscientizar sobre a importância das doações. É o caso da sergipana Ana Paula da Silva Santos.
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Irmãos Ana Paula e Genilson Santos em corrida em Sergipe
Arquivo pessoal
Ana Paula tem 39 anos, e viu a vida mudar em 2025. Na época, o seu irmão Genilson da Silva Santos, hoje com 43, precisou ir ao hospital por conta de uma pequena dor na região da barriga. Ao fazer exames, o então motorista teve um choque: descobriu o diagnóstico de insuficiência renal.
– Mandaram fazer todos os exames, e descobri que meus rins pararam. Aí começou uma nova etapa: a hemodiálise, que eu nem tinha noção de como era. Estava fazendo três vezes por semana, e era muito sofrimento. Mas quem ficou mais incomodada foi a minha família, a dor deles foi maior que a minha – disse Genilson ao ge.
A partir daí começou uma batalha em prol da doação de órgãos. O que Genilson não imaginava era que a solução estava na própria família.
Durante a busca, ele descobriu que todos os cinco irmãos tinham compatibilidade para doação de um rim. A maior delas era com Ana Paula, que não pensou duas vezes e se prontificou de imediato para ser a solução do sofrimento do irmão. Foi, segundo a própria, a causa mais importante de sua vida.
– Sou mãe, esposa, filha, e acima de tudo sou irmã. Eu sempre acompanhava meu irmão nas hemodiálises, e dizia a ele que se fosse da vontade de Deus, meu rim seria dele. Fizemos todos o procedimentos, e pela vontade de Deus, fui compatível com ele. Hoje somos um só – disse Ana ao ge.
– Passei quatro dias em observação, e minha irmã foi para casa no dia seguinte. A recuperação dela foi dolorida, mas ela disse que não se arrependeu do que fez. Hoje eu me encontro um novo homem, tive um renascimento através de Deus, da minha irmã e da medicina – expressou Genilson.
Esporte como recuperação
Genilson da Silva Santos usou o esporte para se recuperar após receber o rim da irmã
Arquivo pessoal
A recuperação gradual de Genilson levou-o à prática do esportes. Ele, que era sedentário, conheceu o mundo das corridas através de um atividade no município de Carmópolis, interior de Sergipe, ao lado da irmã.
– Começamos a fazer caminhada. Durante um percurso, apareceu uma corrida vizinha ao povoado Aguada, em Carmópolis. Fomos até lá fazer um pequeno treino, eu só tinha seis meses de transplantado. Gostamos, e aí começamos a praticar a corrida – relembrou Genilson.
Aquele foi apenas o começo. De lá, a dupla seguiu a parceria fraterna em corridas por Aracaju, Carmópolis, Japaratuba, Pirambu e Santo Amaro das Brotas. Até que em determinado momento, eles decidiram que não queriam apenas participar, mas também incentivar.
Foi daí que veio a ideia de criar o treinão organizado “Um Sim Pela Vida”, no povoado São José, em Japaratuba. Ele surgiu através de um grupo de pessoas que inicialmente se juntaram para praticar, e tornaram o hábito uma forma de incentivo e inspiração.
– Veio a ideia de fazer um aulão para mostrar que, tanto um transplantado, quanto uma doadora, podem ter uma vida normal. Algumas pessoas acham que, ao doar um rim, você não vai poder fazer nada. Pelo contrário: você tem uma vida normal, pode fazer tudo o que quiser. Ele está aí para mostrar que um transplantado pode fazer tudo – relatou Ana.
Irmãos Ana Paula da Silva Santos e Genilson da Silva Santos
Arquivo pessoal
O treino coletivo acontece neste domingo, 20 de setembro, em Japaratuba. Segundo Ana Paula, a simples ideia de levar o esporte como hábito saudável a mais pessoas acabou ganhando uma proporção ainda maior, e as vagas já estão esgotadas.
– Começamos com medo, porque achávamos que não ia ter tanta gente apoiando a causa. Mas Deus é tão bom que passamos da quantidade de pessoas que estávamos esperando. Tivemos que aumentar, e a procura está muito grande, mas não podemos aumentar mais ainda porque tudo é calculado – disse ela.
Além de promover hábitos saudáveis, a iniciativa “Um Sim Pela Vida” também tem o objetivo de mostrar ao público como funciona a doação de órgãos, explicando o que é o ato de doar, e a importância do mesmo para salvar vidas.
Banner de divulgação do treinão “Um Sim Pela Vida”
Divulgação
Uma simples atitude organizada por dois irmãos unidos pela solidariedade, e que agora impulsiona a região na prática esportiva saudável. Uma mostra simples, mas poderosa, do que o esporte é capaz de fazer das maiores às mais distantes regiões.
– Demos um sim pela vida, incentivando quem tem dificuldade para saber como doar sangue, cabelo ou órgãos. A caminhada começou a animar nosso povoado, que entendeu a melhoria de saúde. Todos estão fazendo isso, dos mais novos aos mais velhos, que estão muito felizes pela minha conquista – completou Genilson.
Genilson não apenas recebeu um órgão, mas sim uma nova oportunidade de viver. Hoje, por meio do esporte, eles ensinam que é possível viver normalmente, ter uma nova chance e ser instrumento de saúde, inspiração e amor. geRead More


