Na ONU, Autoridade Palestina denuncia ‘esquema colonialista’ de Israel e faz apelo: ‘Não deixem outros massacres acontecerem’
Presidente da Autoridade Palestina discursa na ONU
Caitlin Ochs/Reuters
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, denunciou um “esquema colonialista” de Israel nos territórios palestinos e fez um apelo para a comunidade internacional “não deixar outros massacres ocorrerem”, em discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24).
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Abbas afirmou que o território palestino “está sendo fragmentado” por Israel e que o povo palestino e sua liderança não deveriam ser punidos por exigir o fim da ocupação israelense. Ele também denunciou a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.
“O que está ocorrendo em Gaza, Cisjordânia e em Jerusalém ocupada não são incidentes separados. Israel está realizando um esquema colonialista e maligno com objetivo de dificultar as vidas de palestinos em sua terra e apagar a presença palestina. (…) Não deixem outra Nakba nem outros massacres ocorrerem”, afirmou Abbas.
Nakba, citada por Abbas, significa catástrofe ou desastre e, em relação ao conflito israelo-palestino, refere-se ao êxodo palestino de cerca de 700 mil pessoas durante e após a guerra árabe-israelense de 1948.
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Diante desse cenário, Abbas pediu para que o Conselho de Segurança da ONU não deixe morrer a Solução de Dois Estados —resolução de 1947 para criação dos Estados de Israel e da Palestina.
“Por quanto tempo alguns Estados continuarão em silêncio sobre Israel ou continuarão a abastecê-lo com as armas que usa contra nosso povo? O que a comunidade internacional está esperando para proteger o povo palestino?”, questionou Abbas.
Ao mesmo tempo em que saudou o plano de 20 pontos de Donald Trump que decretou o fim da guerra em Gaza, Abbas voltou a fazer apelos pela retirada dos militares de Israel e da entrada de ajuda humanitária em larga escala no território, algo que ainda não ocorreu, segundo ele.
O discurso de Abbas ocorreu em meio à expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e a um impasse na Faixa de Gaza no pós-guerra.
Cisjordânia: Escalada de tensões e de ataques combates de colonos israelenses contra palestinos nas regiões da expansão rumo ao domínio da área E1, que ameaça a solução de dois Estados. Situação motivou sanções do Reino Unido e de outros 11 países contra Israel.
Gaza: Israel e o grupo terrorista Hamas estão em um impasse que envolve a retirada de tropas israelenses do território palestino e o desarmamento dos terroristas. O Conselho da Paz, de Donald Trump, anunciou nesta semana US$ 2,45 bilhões para a reconstrução de Gaza.
A autoridade palestina não estava presente no plenário da ONU e seu discurso foi transmitido aos presentes, porque o governo Trump negou seu visto —assim como em 2025. Inclusive, Abbas criticou o governo Trump por ter negado vistos a ele e a sua equipe para a Assembleia Geral.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também discursará na Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira. Ele prometeu que vai “dizer a verdade” sobre as tropas israelenses —envolvidas em Gaza e em outros conflitos pelo Oriente Médio— e criticará o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em discurso gravado na Assembleia Geral da ONU em 24 de setembro de 2026.
UN TV via Reutersg1 > Mundo Read More


