Difícil gestão de egos e cobrança por bom futebol: veja como Zidane inicia desafio na França
França anuncia primeira lista de convocados por Zinedine Zidane
Passei cinco anos esperando por este dia. Agora ele finalmente chegou e, naturalmente, estou emocionado. A seleção francesa era a única coisa que eu queria fazer depois da minha passagem pelo Real Madrid. Cresci dentro dela. Depois que você vive isso, não existe nada maior. Conquistar a Copa do Mundo de 1998 foi a coisa mais bonita que aconteceu na minha vida
As palavras de Zidane em sua primeira entrevista coletiva na seleção francesa deixam claro o quanto ele esperou por este momento. Nesta sexta-feira, ele faz sua estreia, contra a Turquia, após cinco anos longe do futebol. No período, viveu uma rotina discreta e longe da mídia na maior parte do tempo, dedicando-se a outros projetos e aguardando a hora de comandar “Les Bleus”.
E ele inicia um desafiador projeto à frente da seleção que tem provavelmente a melhor safra de jogadores. Desafiador não apenas pela cobrança por resultados e bom futebol, mas também pela dificuldade de gerir o estrelado vestiário, em meio a polêmicas na relação entre Mbappé e Dembelé.
— Zidane conduziu o maior clube do mundo a um feito inédito: conquistar a Champions três vezes seguidas. Embora sua única experiência como técnico na elite tenha sido um sucesso, ela continua sendo sua única experiência. A questão é: até onde ele conseguirá levar a seleção francesa? Sua aura e suas habilidades de gestão são trunfos fundamentais para o cargo. A chegada de Zidane traz um sopro de renovação para os torcedores franceses, após os quatorze anos de gestão de Deschamps — disse, ao ge, o jornalista francês Florian Sermaise, da revista Onze Mondial.
Zidane atende fã mirim em treino da França
AFP
Longa sombra a Deschamps na França
Nos últimos anos, Zizou representou grande sombra ao trabalho de Didier Deschamps, ex-treinador da França, que foi campeão mundial em 2018 e conseguiu outros bons resultados, mas sempre conviveu com críticas de quem preferia Zidane no cargo. O próprio ex-Real Madrid afirmou que esperou por cinco anos para treinar a França, mas ele é cogitado por torcedores na função desde que se aposentou como jogador, em 2006.
Principalmente depois que disse, em entrevista ao jornal L’Équipe, em 2012, que “algum dia” dirigiria a França porque a seleção significou muito para ele. Zidane se desenvolveu como treinador no time B do Real Madrid, pela equipe principal foi tricampeão da Champions, entre 2016 e 2018, e teve uma segunda passagem pelo clube, que se encerrou em 2021.
— Embora a imprensa frequentemente aproveitasse a oportunidade para perguntar-lhe sobre o objetivo de treinar a seleção nacional, ele nunca supervalorizou nem insistiu no assunto, evitando qualquer atitude que pudesse atrair atenção para si mesmo ou perturbar o trabalho de Didier Deschamps. Mesmo antes do anúncio da saída de Didier Deschamps, em janeiro de 2025, a perspectiva de “Zizou” assumir o cargo já era um segredo aberto, um próximo passo lógico — analisou Florian Sermaise.
O salário de Zidane na França
Cinco anos longe do futebol
Zidane nunca escondeu que assumir a França era o seu maior objetivo de carreira. Desde que deixou o Real Madrid, em 2021, ele aguardou pacientemente a realização deste sonho. Mesmo discreto nas declarações, marcou presença em grandes eventos institucionais e esportivos, como no papel de destaque que teve nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.
Zidane investiu em projetos como os de embaixador de marcas de luxo e parcerias comerciais com marcas esportivas. Além disso, dedicou tempo à expansão do Z5, sua rede de complexos esportivos voltados para futebol society (foot à 5) e padel na França.
O ídolo francês ainda acompanhou de perto o desenvolvimento das carreiras dos seus filhos no futebol. Na Copa de 2026, por exemplo, foi apoiar Luca Zidane, segundo filho de Zizou, que representou a Argélia como goleiro.
— Desde o fim de sua segunda passagem pelo Real Madrid, o novo técnico dos Bleus tem mantido um perfil discreto na mídia. Na França, Zidane não precisa falar para que falem bem dele. Ele tem feito aparições públicas em diversos eventos. Zizou recebeu ofertas de diferentes times desde que deixou o Real Madrid. No entanto, ele permaneceu sem clube, preparando-se discretamente para o próximo grande desafio — completa o repórter Florian Sermaise.
O próprio Zidane revelou ter recebido propostas nos últimos cinco anos. De acordo com a imprensa local, ele foi procurado por clubes gigantes, como Paris Saint-Germain, Manchester United, Juventus e Bayern de Munique, além de outras sondagens.
Zidane participou da cerimônia de aberturas das Olimpíadas de Paris, em 2024
Getty Images
Ordem na casa
Apesar de assumir uma semifinalista da Copa do Mundo de 2026, que foi à final em 2022 e saiu campeã em 2018, Zidane chega impondo mudanças. Ele começa o trabalho em meio às polêmicas envolvendo Ousmane Dembelé e Kylian Mbappé, rivais na briga pela Bola de Ouro.
Recentemente, o atacante do PSG afirmou que sua vitória na premiação do ano passado foi uma recompensa por seu trabalho duro, dizendo que nunca foi “o escolhido”, em referência a uma entrevista anterior de Mbappé. O astro do Real Madrid fez questão de dizer que conversou com Dembelé e que não há nenhum problema. Nos primeiros dias, Zidane concentrou as mudanças em questões relacionadas ao contato com a imprensa.
A primeira novidade foi vista em sua primeira convocação como técnico da França, na última sexta-feira. Diferentemente do que acontecia com Deschamps, não houve câmeras de televisão na sala durante o anúncio. As imagens foram produzidas e transmitidas exclusivamente pelos canais oficiais da Federação Francesa de Futebol (FFF).
Zidane inicia desafio como técnico da França nesta sexta-feira
AFP
O novo treinador também decidiu não conceder entrevistas individuais durante esta primeira Data Fifa. Mas não haverá só vetos: sob o comando de Zidane, a seleção francesa organizará zonas mistas para que os jornalistas entrevistem jogadores durante a concentração. Esta medida não acontecia no período de Didier Deschamps.
Outra alteração que chama atenção acontecerá em Clairefontaine, centro de treinamento da seleção. Durante a passagem de Deschamps, a chegada dos jogadores era acompanhada por diversos veículos de comunicação, com imagens dos atletas entrando no local. Com Zidane, esse acesso será restrito. A FFF ficará responsável por produzir e distribuir as imagens da apresentação dos convocados.
“Não há nenhuma mensagem pedindo moderação, o que vamos mudar é que, quando chegarmos lá, não haverá necessidade de dar todo esse espetáculo”, disse Zidane.
Estilo dos jogadores era foco na apresentação da França, e o zagueiro Konaté chegou a ousar no look em 2024
FRANCK FIFE / AFP
A França enfrenta a Turquia nesta sexta, fora de casa. Depois, encara a Bélgica no dia 28 de setembro, em Bruxelas. As duas partidas seguintes serão no estádio Saint-Denis: primeiro contra a Itália, no dia 2 de outubro, e na sequência contra a Bélgica, no dia 5. Todos os jogos são válidos pela Liga das Nações. geRead More


