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‘Não estou suportando mais’: áudios enviados por estudante antes da morte revelam desespero e denúncias contra namorado

‘Não estou suportando mais’: áudios enviados por estudante antes da morte revelam desespero e denúncias contra namorado

 Áudios exclusivos revelam os últimos momentos da estudante de Direito Isabelle Caracristi, encontrada morta no prédio onde morava com o namorado, em Fortaleza.
Áudios enviados pela estudante de direito Isabelle Carakristi, de 22 anos, minutos antes de morrer em Fortaleza, revelam o sofrimento que ela dizia enfrentar no relacionamento com o namorado, João Munhoz Neto. Mensagens enviadas minutos antes da queda mostram o desespero da jovem de 22 anos, que relatava ameaças e dizia não suportar mais o relacionamento.Nas mensagens recuperadas pela polícia, a jovem relata ameaças, comportamento controlador e afirma que já não conseguia suportar a situação.
“Está acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só pra mim. São ameaças diretas vindas dele, entendeu? Que eu simplesmente não estou suportando mais”, disse Isabelle em um dos últimos áudios enviados ao primo.
A mensagem foi gravada pouco antes da morte da estudante, em 13 de setembro, no prédio onde morava com o namorado, em um bairro nobre de Fortaleza. Segundo a investigação, o áudio tinha tom de despedida. “Dê muita força pra minha mãe. Ela vai precisar”, afirmou.
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‘Não estou suportando mais’: áudios enviados por estudante antes da morte revelam desespero e denúncias contra namorado
Reprodução/TV Globo
Desabafo recuperado pela polícia
O conteúdo foi encontrado no celular de Isabelle, localizado junto ao corpo. Além do áudio para o primo, investigadores identificaram mensagens trocadas com familiares, amigos e o namorado ao longo daquele domingo.
Em outro trecho enviado antes da morte, a estudante descreve um cenário de desgaste emocional e diz se sentir constantemente ameaçada.
“Tudo que eu faço é ameaça, ameaça. Tudo, absolutamente tudo”, afirmou.
Segundo o primo, as reclamações sobre o relacionamento eram frequentes.
“Cheguei a escutar só metade do áudio, na verdade, porque eu costumava receber essas reclamações dela em relação a esse relacionamento. Quando eu liguei para ela, chamou, não atendeu”, relatou.
Antes de morrer, Isabelle Caracristi relatou controle do namorado João Munhoz Neto
Reprodução/TV Globo
Queixas de comportamento controlador
Os investigadores também tiveram acesso a áudios enviados por Isabelle para amigas. Nas gravações, ela afirma que o namorado controlava aspectos da sua rotina e chegou a impedir que ela saísse do prédio.
“Amiga, eu não tô legal, eu tô passando muito, muito mal. (…) Esse João é um louco. Estava me proibindo até de sair do próprio prédio. Ele ficava no meio da porta me proibindo de sair e eu simplesmente não aguento mais”, disse.
A estudante ainda afirmou que aquele havia sido o limite para ela.
“Eu tô cansada. Hoje foi a gota d’água.”
As declarações passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pela polícia, que investiga possíveis episódios de violência psicológica e controle dentro do relacionamento.
Imagens de câmeras de segurança mostram Isabelle chegando ao prédio com João
Reprodução/TV Globo
Cobranças por dinheiro
No celular da jovem, a polícia também encontrou conversas entre o casal relacionadas a dívidas.
Em uma das mensagens, João cobra a devolução de valores que teria emprestado a Isabelle.
“Eu preciso desses R$ 13.500 e do dinheiro da mãe até quarta”, escreveu.
A estudante respondeu que havia tido gastos durante a semana. Na sequência, ele afirma que ambos estariam em um “beco sem saída” e precisariam do dinheiro.
Segundo a investigação, as conversas ajudam a contextualizar o relacionamento e fazem parte do material que está sendo analisado.
Investigação segue em andamento
A perícia concluiu que a queda ocorreu de forma voluntária e descartou, até o momento, as hipóteses de empurrão ou acidente. Os peritos afirmam que não foram encontrados indícios de luta corporal ou lesões compatíveis com uma agressão anterior à queda.
Apesar disso, a polícia continua apurando as circunstâncias que antecederam a morte da estudante. Entre as linhas de investigação estão os relatos de violência psicológica, comportamento controlador, possível instigação ao suicídio e eventual destruição de provas.
A defesa de João Munhoz nega as acusações de abuso psicológico e controle.
Antes de morrer, Isabelle também enviou uma mensagem de despedida para a mãe e o irmão. No texto, pediu perdão, disse que havia sido “vencida pelo medo” e pediu que o irmão cuidasse da mãe.
“Eu espero que minha filha não seja mais um número”, afirmou a mãe da estudante. “Quero justiça para minha filha.”
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